Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. Com medo, ele se mudou para a Dinamarca.<\/p>\n","post_title":"Pandemia aumenta xenofobia contra brasileiros em Portugal","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"pandemia-aumenta-xenofobia-contra-brasileiros-em-portugal","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2020-11-27 11:41:46","post_modified_gmt":"2020-11-27 11:41:46","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=13185","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":4},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. Com medo, ele se mudou para a Dinamarca.<\/p>\n","post_title":"Pandemia aumenta xenofobia contra brasileiros em Portugal","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"pandemia-aumenta-xenofobia-contra-brasileiros-em-portugal","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2020-11-27 11:41:46","post_modified_gmt":"2020-11-27 11:41:46","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=13185","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":4},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia costumam atingir a comunidade brasileira como um todo, mas um relato refor\u00e7a a ideia de que, quando o brasileiro \u00e9 gay e preto ou pardo, a intoler\u00e2ncia pode rapidamente descambar para a viol\u00eancia. O brasileiro Wesley Elias dos Santos contou que foi estuprado no banheiro de um restaurante em Lisboa na madrugada de 9 de fevereiro. \u201cSa\u00ed de um bar gay e fui para um restaurante. Tinha bebido cerveja e desci para o banheiro. Tr\u00eas homens vieram atr\u00e1s. Aparentavam ser portugueses jovens e um deles me deu um murro. Roubaram minha carteira e me bateram. Depois veio a viol\u00eancia sexual. Escutava eles falando \u2018paneleiro\u2019 (bicha). Eu estava b\u00eabado e medicado. Quando acordei, estava no hospital\u201d, afirmou Santos, ex-atendente de telemarketing em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. Com medo, ele se mudou para a Dinamarca.<\/p>\n","post_title":"Pandemia aumenta xenofobia contra brasileiros em Portugal","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"pandemia-aumenta-xenofobia-contra-brasileiros-em-portugal","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2020-11-27 11:41:46","post_modified_gmt":"2020-11-27 11:41:46","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=13185","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":4},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia costumam atingir a comunidade brasileira como um todo, mas um relato refor\u00e7a a ideia de que, quando o brasileiro \u00e9 gay e preto ou pardo, a intoler\u00e2ncia pode rapidamente descambar para a viol\u00eancia. O brasileiro Wesley Elias dos Santos contou que foi estuprado no banheiro de um restaurante em Lisboa na madrugada de 9 de fevereiro. \u201cSa\u00ed de um bar gay e fui para um restaurante. Tinha bebido cerveja e desci para o banheiro. Tr\u00eas homens vieram atr\u00e1s. Aparentavam ser portugueses jovens e um deles me deu um murro. Roubaram minha carteira e me bateram. Depois veio a viol\u00eancia sexual. Escutava eles falando \u2018paneleiro\u2019 (bicha). Eu estava b\u00eabado e medicado. Quando acordei, estava no hospital\u201d, afirmou Santos, ex-atendente de telemarketing em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. Com medo, ele se mudou para a Dinamarca.<\/p>\n","post_title":"Pandemia aumenta xenofobia contra brasileiros em Portugal","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"pandemia-aumenta-xenofobia-contra-brasileiros-em-portugal","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2020-11-27 11:41:46","post_modified_gmt":"2020-11-27 11:41:46","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=13185","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":4},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
O aumento do n\u00famero de casos de intoler\u00e2ncia em diferentes cidades de Portugal comprova a tese de antrop\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos: a pandemia trouxe crise econ\u00f4mica e, consequentemente, um salto na discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cOs empregos dos nacionais est\u00e3o em perigo e os faz temer a imigra\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 outras quest\u00f5es envolvidas, como a amea\u00e7a ao modo de vida e aos costumes\u201d, explicou o cientista pol\u00edtico Andr\u00e9 Freire, coordenador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (IUL). Para o antrop\u00f3logo brasileiro Ot\u00e1vio Raposo, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do IUL, o n\u00famero recorde de brasileiros residentes oficialmente em Portugal acirrou a concorr\u00eancia por vagas no mercado de trabalho. \u201cA discrimina\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa visava negros, ciganos e imigrantes em geral. E agora est\u00e1 voltada para os brasileiros, que s\u00e3o mais numerosos e muito mais concorrentes aos empregos que os ciganos. Viraram um ingrediente de amea\u00e7a\u201d, disse Raposo.<\/p>\n\n\n\n Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia costumam atingir a comunidade brasileira como um todo, mas um relato refor\u00e7a a ideia de que, quando o brasileiro \u00e9 gay e preto ou pardo, a intoler\u00e2ncia pode rapidamente descambar para a viol\u00eancia. O brasileiro Wesley Elias dos Santos contou que foi estuprado no banheiro de um restaurante em Lisboa na madrugada de 9 de fevereiro. \u201cSa\u00ed de um bar gay e fui para um restaurante. Tinha bebido cerveja e desci para o banheiro. Tr\u00eas homens vieram atr\u00e1s. Aparentavam ser portugueses jovens e um deles me deu um murro. Roubaram minha carteira e me bateram. Depois veio a viol\u00eancia sexual. Escutava eles falando \u2018paneleiro\u2019 (bicha). Eu estava b\u00eabado e medicado. Quando acordei, estava no hospital\u201d, afirmou Santos, ex-atendente de telemarketing em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. Com medo, ele se mudou para a Dinamarca.<\/p>\n","post_title":"Pandemia aumenta xenofobia contra brasileiros em Portugal","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"pandemia-aumenta-xenofobia-contra-brasileiros-em-portugal","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2020-11-27 11:41:46","post_modified_gmt":"2020-11-27 11:41:46","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=13185","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":4},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
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De 2017, ano em que a emigra\u00e7\u00e3o brasileira voltou a crescer em Portugal, a 2019, as queixas de xenofobia feitas por brasileiros \u00e0 Comiss\u00e3o para a Igualdade e Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial aumentaram 311%. Neste ano, o n\u00famero parcial de todas as nacionalidades indica, at\u00e9 agosto, um aumento de 38% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Uma brasileira que faz parte do N\u00facleo de Estudantes Internacionais da Universidade do Porto e pediu para n\u00e3o ser identificada afirmou que casos de xenofobia n\u00e3o s\u00e3o raros. Mas, segundo ela, os piores momentos s\u00e3o fora das salas de aula. Um que ela n\u00e3o esquece aconteceu quando era rec\u00e9m-chegada e foi pedir informa\u00e7\u00f5es na rua. \u201cO homem come\u00e7ou a insinuar que queria ter rela\u00e7\u00f5es sexuais comigo. Eu, claro, disse que n\u00e3o. E ele rebateu: \u2018Por que n\u00e3o? Voc\u00ea \u00e9 brasileira, voc\u00ea \u00e9 puta\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n O aumento do n\u00famero de casos de intoler\u00e2ncia em diferentes cidades de Portugal comprova a tese de antrop\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos: a pandemia trouxe crise econ\u00f4mica e, consequentemente, um salto na discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cOs empregos dos nacionais est\u00e3o em perigo e os faz temer a imigra\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 outras quest\u00f5es envolvidas, como a amea\u00e7a ao modo de vida e aos costumes\u201d, explicou o cientista pol\u00edtico Andr\u00e9 Freire, coordenador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (IUL). Para o antrop\u00f3logo brasileiro Ot\u00e1vio Raposo, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do IUL, o n\u00famero recorde de brasileiros residentes oficialmente em Portugal acirrou a concorr\u00eancia por vagas no mercado de trabalho. \u201cA discrimina\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa visava negros, ciganos e imigrantes em geral. E agora est\u00e1 voltada para os brasileiros, que s\u00e3o mais numerosos e muito mais concorrentes aos empregos que os ciganos. Viraram um ingrediente de amea\u00e7a\u201d, disse Raposo.<\/p>\n\n\n\n Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia costumam atingir a comunidade brasileira como um todo, mas um relato refor\u00e7a a ideia de que, quando o brasileiro \u00e9 gay e preto ou pardo, a intoler\u00e2ncia pode rapidamente descambar para a viol\u00eancia. O brasileiro Wesley Elias dos Santos contou que foi estuprado no banheiro de um restaurante em Lisboa na madrugada de 9 de fevereiro. \u201cSa\u00ed de um bar gay e fui para um restaurante. Tinha bebido cerveja e desci para o banheiro. Tr\u00eas homens vieram atr\u00e1s. Aparentavam ser portugueses jovens e um deles me deu um murro. Roubaram minha carteira e me bateram. Depois veio a viol\u00eancia sexual. Escutava eles falando \u2018paneleiro\u2019 (bicha). Eu estava b\u00eabado e medicado. Quando acordei, estava no hospital\u201d, afirmou Santos, ex-atendente de telemarketing em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. Com medo, ele se mudou para a Dinamarca.<\/p>\n","post_title":"Pandemia aumenta xenofobia contra brasileiros em Portugal","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"pandemia-aumenta-xenofobia-contra-brasileiros-em-portugal","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2020-11-27 11:41:46","post_modified_gmt":"2020-11-27 11:41:46","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=13185","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":4},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
\u00ad\u00adSegundo dados do MP, de janeiro a outubro, foram abertos 102 inqu\u00e9ritos dessa natureza. Ainda no final de outubro, os muros de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e secund\u00e1rio de Lisboa foram pichados com frases como \u201cZucas, voltem para as favelas\u201d, depois apagadas pelos pr\u00f3prios alunos. \u201cO aumento da xenofobia e do discurso de \u00f3dio foi potencializado pela crise econ\u00f4mica trazida pela pandemia, mas estava presente na sociedade portuguesa\u201d, disse Cynthia de Paula, psic\u00f3loga e presidente em Lisboa da Casa do Brasil, organiza\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 comunidade brasileira.<\/p>\n\n\n\n De 2017, ano em que a emigra\u00e7\u00e3o brasileira voltou a crescer em Portugal, a 2019, as queixas de xenofobia feitas por brasileiros \u00e0 Comiss\u00e3o para a Igualdade e Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial aumentaram 311%. Neste ano, o n\u00famero parcial de todas as nacionalidades indica, at\u00e9 agosto, um aumento de 38% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Uma brasileira que faz parte do N\u00facleo de Estudantes Internacionais da Universidade do Porto e pediu para n\u00e3o ser identificada afirmou que casos de xenofobia n\u00e3o s\u00e3o raros. Mas, segundo ela, os piores momentos s\u00e3o fora das salas de aula. Um que ela n\u00e3o esquece aconteceu quando era rec\u00e9m-chegada e foi pedir informa\u00e7\u00f5es na rua. \u201cO homem come\u00e7ou a insinuar que queria ter rela\u00e7\u00f5es sexuais comigo. Eu, claro, disse que n\u00e3o. E ele rebateu: \u2018Por que n\u00e3o? Voc\u00ea \u00e9 brasileira, voc\u00ea \u00e9 puta\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n O aumento do n\u00famero de casos de intoler\u00e2ncia em diferentes cidades de Portugal comprova a tese de antrop\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos: a pandemia trouxe crise econ\u00f4mica e, consequentemente, um salto na discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cOs empregos dos nacionais est\u00e3o em perigo e os faz temer a imigra\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 outras quest\u00f5es envolvidas, como a amea\u00e7a ao modo de vida e aos costumes\u201d, explicou o cientista pol\u00edtico Andr\u00e9 Freire, coordenador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (IUL). Para o antrop\u00f3logo brasileiro Ot\u00e1vio Raposo, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do IUL, o n\u00famero recorde de brasileiros residentes oficialmente em Portugal acirrou a concorr\u00eancia por vagas no mercado de trabalho. \u201cA discrimina\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa visava negros, ciganos e imigrantes em geral. E agora est\u00e1 voltada para os brasileiros, que s\u00e3o mais numerosos e muito mais concorrentes aos empregos que os ciganos. Viraram um ingrediente de amea\u00e7a\u201d, disse Raposo.<\/p>\n\n\n\n Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia costumam atingir a comunidade brasileira como um todo, mas um relato refor\u00e7a a ideia de que, quando o brasileiro \u00e9 gay e preto ou pardo, a intoler\u00e2ncia pode rapidamente descambar para a viol\u00eancia. O brasileiro Wesley Elias dos Santos contou que foi estuprado no banheiro de um restaurante em Lisboa na madrugada de 9 de fevereiro. \u201cSa\u00ed de um bar gay e fui para um restaurante. Tinha bebido cerveja e desci para o banheiro. Tr\u00eas homens vieram atr\u00e1s. Aparentavam ser portugueses jovens e um deles me deu um murro. Roubaram minha carteira e me bateram. Depois veio a viol\u00eancia sexual. Escutava eles falando \u2018paneleiro\u2019 (bicha). Eu estava b\u00eabado e medicado. Quando acordei, estava no hospital\u201d, afirmou Santos, ex-atendente de telemarketing em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. Com medo, ele se mudou para a Dinamarca.<\/p>\n","post_title":"Pandemia aumenta xenofobia contra brasileiros em Portugal","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"pandemia-aumenta-xenofobia-contra-brasileiros-em-portugal","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2020-11-27 11:41:46","post_modified_gmt":"2020-11-27 11:41:46","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=13185","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":4},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
\u201cTEMEROSA DE PERDER O EMPREGO, UMA PARTE DOS PORTUGUESES EXP\u00d5E SEU LADO XEN\u00d3FOBO. EM ALGUNS CASOS, O ACR\u00c9SCIMO DO RACISMO E DA HOMOFOBIA DEIXA AS COISAS AINDA PIORES\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n \u00ad\u00adSegundo dados do MP, de janeiro a outubro, foram abertos 102 inqu\u00e9ritos dessa natureza. Ainda no final de outubro, os muros de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e secund\u00e1rio de Lisboa foram pichados com frases como \u201cZucas, voltem para as favelas\u201d, depois apagadas pelos pr\u00f3prios alunos. \u201cO aumento da xenofobia e do discurso de \u00f3dio foi potencializado pela crise econ\u00f4mica trazida pela pandemia, mas estava presente na sociedade portuguesa\u201d, disse Cynthia de Paula, psic\u00f3loga e presidente em Lisboa da Casa do Brasil, organiza\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 comunidade brasileira.<\/p>\n\n\n\n De 2017, ano em que a emigra\u00e7\u00e3o brasileira voltou a crescer em Portugal, a 2019, as queixas de xenofobia feitas por brasileiros \u00e0 Comiss\u00e3o para a Igualdade e Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial aumentaram 311%. Neste ano, o n\u00famero parcial de todas as nacionalidades indica, at\u00e9 agosto, um aumento de 38% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Uma brasileira que faz parte do N\u00facleo de Estudantes Internacionais da Universidade do Porto e pediu para n\u00e3o ser identificada afirmou que casos de xenofobia n\u00e3o s\u00e3o raros. Mas, segundo ela, os piores momentos s\u00e3o fora das salas de aula. Um que ela n\u00e3o esquece aconteceu quando era rec\u00e9m-chegada e foi pedir informa\u00e7\u00f5es na rua. \u201cO homem come\u00e7ou a insinuar que queria ter rela\u00e7\u00f5es sexuais comigo. Eu, claro, disse que n\u00e3o. E ele rebateu: \u2018Por que n\u00e3o? Voc\u00ea \u00e9 brasileira, voc\u00ea \u00e9 puta\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n O aumento do n\u00famero de casos de intoler\u00e2ncia em diferentes cidades de Portugal comprova a tese de antrop\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos: a pandemia trouxe crise econ\u00f4mica e, consequentemente, um salto na discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cOs empregos dos nacionais est\u00e3o em perigo e os faz temer a imigra\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 outras quest\u00f5es envolvidas, como a amea\u00e7a ao modo de vida e aos costumes\u201d, explicou o cientista pol\u00edtico Andr\u00e9 Freire, coordenador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (IUL). Para o antrop\u00f3logo brasileiro Ot\u00e1vio Raposo, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do IUL, o n\u00famero recorde de brasileiros residentes oficialmente em Portugal acirrou a concorr\u00eancia por vagas no mercado de trabalho. \u201cA discrimina\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa visava negros, ciganos e imigrantes em geral. E agora est\u00e1 voltada para os brasileiros, que s\u00e3o mais numerosos e muito mais concorrentes aos empregos que os ciganos. Viraram um ingrediente de amea\u00e7a\u201d, disse Raposo.<\/p>\n\n\n\n Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia costumam atingir a comunidade brasileira como um todo, mas um relato refor\u00e7a a ideia de que, quando o brasileiro \u00e9 gay e preto ou pardo, a intoler\u00e2ncia pode rapidamente descambar para a viol\u00eancia. O brasileiro Wesley Elias dos Santos contou que foi estuprado no banheiro de um restaurante em Lisboa na madrugada de 9 de fevereiro. \u201cSa\u00ed de um bar gay e fui para um restaurante. Tinha bebido cerveja e desci para o banheiro. Tr\u00eas homens vieram atr\u00e1s. Aparentavam ser portugueses jovens e um deles me deu um murro. Roubaram minha carteira e me bateram. Depois veio a viol\u00eancia sexual. Escutava eles falando \u2018paneleiro\u2019 (bicha). Eu estava b\u00eabado e medicado. Quando acordei, estava no hospital\u201d, afirmou Santos, ex-atendente de telemarketing em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. Com medo, ele se mudou para a Dinamarca.<\/p>\n","post_title":"Pandemia aumenta xenofobia contra brasileiros em Portugal","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"pandemia-aumenta-xenofobia-contra-brasileiros-em-portugal","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2020-11-27 11:41:46","post_modified_gmt":"2020-11-27 11:41:46","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=13185","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":4},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
Como nada \u00e9 perfeito, muitos brasileiros t\u00eam hist\u00f3rias de discrimina\u00e7\u00e3o para contar, um problema antigo, mas que ganhou for\u00e7a com o coronav\u00edrus. Um perfil no Instagram batizado de Confiss\u00f5es da Feup, a sigla para Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, foi denunciado em outubro. O perfil era pr\u00f3digo em frases xen\u00f3fobas e racistas. \u201cAntes, as brasileiras da Feup eram um regalo para os olhos. Agora, s\u00e3o uma cambada de feministas que querem p\u00eanis portugu\u00eas e n\u00e3o admitem.\u201d J\u00e1 o perfil Apanhei Covid na Feup publicou uma imagem do coronav\u00edrus, a bandeira do Brasil e brasileiros representados como macacos no campus da faculdade. Contatada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Universidade do Porto (UP) informou que \u201ciniciou um processo disciplinar interno e ir\u00e1 remeter suas conclus\u00f5es ao Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP)\u201d.<\/p>\n\n\n\n \u201cTEMEROSA DE PERDER O EMPREGO, UMA PARTE DOS PORTUGUESES EXP\u00d5E SEU LADO XEN\u00d3FOBO. EM ALGUNS CASOS, O ACR\u00c9SCIMO DO RACISMO E DA HOMOFOBIA DEIXA AS COISAS AINDA PIORES\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n \u00ad\u00adSegundo dados do MP, de janeiro a outubro, foram abertos 102 inqu\u00e9ritos dessa natureza. Ainda no final de outubro, os muros de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e secund\u00e1rio de Lisboa foram pichados com frases como \u201cZucas, voltem para as favelas\u201d, depois apagadas pelos pr\u00f3prios alunos. \u201cO aumento da xenofobia e do discurso de \u00f3dio foi potencializado pela crise econ\u00f4mica trazida pela pandemia, mas estava presente na sociedade portuguesa\u201d, disse Cynthia de Paula, psic\u00f3loga e presidente em Lisboa da Casa do Brasil, organiza\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 comunidade brasileira.<\/p>\n\n\n\n De 2017, ano em que a emigra\u00e7\u00e3o brasileira voltou a crescer em Portugal, a 2019, as queixas de xenofobia feitas por brasileiros \u00e0 Comiss\u00e3o para a Igualdade e Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial aumentaram 311%. Neste ano, o n\u00famero parcial de todas as nacionalidades indica, at\u00e9 agosto, um aumento de 38% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Uma brasileira que faz parte do N\u00facleo de Estudantes Internacionais da Universidade do Porto e pediu para n\u00e3o ser identificada afirmou que casos de xenofobia n\u00e3o s\u00e3o raros. Mas, segundo ela, os piores momentos s\u00e3o fora das salas de aula. Um que ela n\u00e3o esquece aconteceu quando era rec\u00e9m-chegada e foi pedir informa\u00e7\u00f5es na rua. \u201cO homem come\u00e7ou a insinuar que queria ter rela\u00e7\u00f5es sexuais comigo. Eu, claro, disse que n\u00e3o. E ele rebateu: \u2018Por que n\u00e3o? Voc\u00ea \u00e9 brasileira, voc\u00ea \u00e9 puta\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n O aumento do n\u00famero de casos de intoler\u00e2ncia em diferentes cidades de Portugal comprova a tese de antrop\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos: a pandemia trouxe crise econ\u00f4mica e, consequentemente, um salto na discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cOs empregos dos nacionais est\u00e3o em perigo e os faz temer a imigra\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 outras quest\u00f5es envolvidas, como a amea\u00e7a ao modo de vida e aos costumes\u201d, explicou o cientista pol\u00edtico Andr\u00e9 Freire, coordenador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (IUL). Para o antrop\u00f3logo brasileiro Ot\u00e1vio Raposo, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do IUL, o n\u00famero recorde de brasileiros residentes oficialmente em Portugal acirrou a concorr\u00eancia por vagas no mercado de trabalho. \u201cA discrimina\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa visava negros, ciganos e imigrantes em geral. E agora est\u00e1 voltada para os brasileiros, que s\u00e3o mais numerosos e muito mais concorrentes aos empregos que os ciganos. Viraram um ingrediente de amea\u00e7a\u201d, disse Raposo.<\/p>\n\n\n\n Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia costumam atingir a comunidade brasileira como um todo, mas um relato refor\u00e7a a ideia de que, quando o brasileiro \u00e9 gay e preto ou pardo, a intoler\u00e2ncia pode rapidamente descambar para a viol\u00eancia. O brasileiro Wesley Elias dos Santos contou que foi estuprado no banheiro de um restaurante em Lisboa na madrugada de 9 de fevereiro. \u201cSa\u00ed de um bar gay e fui para um restaurante. Tinha bebido cerveja e desci para o banheiro. Tr\u00eas homens vieram atr\u00e1s. Aparentavam ser portugueses jovens e um deles me deu um murro. Roubaram minha carteira e me bateram. Depois veio a viol\u00eancia sexual. Escutava eles falando \u2018paneleiro\u2019 (bicha). Eu estava b\u00eabado e medicado. Quando acordei, estava no hospital\u201d, afirmou Santos, ex-atendente de telemarketing em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. Com medo, ele se mudou para a Dinamarca.<\/p>\n","post_title":"Pandemia aumenta xenofobia contra brasileiros em Portugal","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"pandemia-aumenta-xenofobia-contra-brasileiros-em-portugal","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2020-11-27 11:41:46","post_modified_gmt":"2020-11-27 11:41:46","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=13185","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":4},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
A lista dos atrativos de Portugal parece n\u00e3o ter fim para um n\u00famero crescente de brasileiros. De milion\u00e1rios que chegam ao pa\u00eds como investidores aos que entram com visto de turista com a inten\u00e7\u00e3o de ficar e trabalhar, os \u201czucas\u201d, como os portugueses chamam quem nasceu no Brasil, n\u00e3o param de chegar. J\u00e1 s\u00e3o 151 mil. Em 2016, eram quase a metade disso.<\/p>\n\n\n\n Como nada \u00e9 perfeito, muitos brasileiros t\u00eam hist\u00f3rias de discrimina\u00e7\u00e3o para contar, um problema antigo, mas que ganhou for\u00e7a com o coronav\u00edrus. Um perfil no Instagram batizado de Confiss\u00f5es da Feup, a sigla para Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, foi denunciado em outubro. O perfil era pr\u00f3digo em frases xen\u00f3fobas e racistas. \u201cAntes, as brasileiras da Feup eram um regalo para os olhos. Agora, s\u00e3o uma cambada de feministas que querem p\u00eanis portugu\u00eas e n\u00e3o admitem.\u201d J\u00e1 o perfil Apanhei Covid na Feup publicou uma imagem do coronav\u00edrus, a bandeira do Brasil e brasileiros representados como macacos no campus da faculdade. Contatada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Universidade do Porto (UP) informou que \u201ciniciou um processo disciplinar interno e ir\u00e1 remeter suas conclus\u00f5es ao Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP)\u201d.<\/p>\n\n\n\n \u201cTEMEROSA DE PERDER O EMPREGO, UMA PARTE DOS PORTUGUESES EXP\u00d5E SEU LADO XEN\u00d3FOBO. EM ALGUNS CASOS, O ACR\u00c9SCIMO DO RACISMO E DA HOMOFOBIA DEIXA AS COISAS AINDA PIORES\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n \u00ad\u00adSegundo dados do MP, de janeiro a outubro, foram abertos 102 inqu\u00e9ritos dessa natureza. Ainda no final de outubro, os muros de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e secund\u00e1rio de Lisboa foram pichados com frases como \u201cZucas, voltem para as favelas\u201d, depois apagadas pelos pr\u00f3prios alunos. \u201cO aumento da xenofobia e do discurso de \u00f3dio foi potencializado pela crise econ\u00f4mica trazida pela pandemia, mas estava presente na sociedade portuguesa\u201d, disse Cynthia de Paula, psic\u00f3loga e presidente em Lisboa da Casa do Brasil, organiza\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 comunidade brasileira.<\/p>\n\n\n\n De 2017, ano em que a emigra\u00e7\u00e3o brasileira voltou a crescer em Portugal, a 2019, as queixas de xenofobia feitas por brasileiros \u00e0 Comiss\u00e3o para a Igualdade e Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial aumentaram 311%. Neste ano, o n\u00famero parcial de todas as nacionalidades indica, at\u00e9 agosto, um aumento de 38% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Uma brasileira que faz parte do N\u00facleo de Estudantes Internacionais da Universidade do Porto e pediu para n\u00e3o ser identificada afirmou que casos de xenofobia n\u00e3o s\u00e3o raros. Mas, segundo ela, os piores momentos s\u00e3o fora das salas de aula. Um que ela n\u00e3o esquece aconteceu quando era rec\u00e9m-chegada e foi pedir informa\u00e7\u00f5es na rua. \u201cO homem come\u00e7ou a insinuar que queria ter rela\u00e7\u00f5es sexuais comigo. Eu, claro, disse que n\u00e3o. E ele rebateu: \u2018Por que n\u00e3o? Voc\u00ea \u00e9 brasileira, voc\u00ea \u00e9 puta\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n O aumento do n\u00famero de casos de intoler\u00e2ncia em diferentes cidades de Portugal comprova a tese de antrop\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos: a pandemia trouxe crise econ\u00f4mica e, consequentemente, um salto na discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cOs empregos dos nacionais est\u00e3o em perigo e os faz temer a imigra\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 outras quest\u00f5es envolvidas, como a amea\u00e7a ao modo de vida e aos costumes\u201d, explicou o cientista pol\u00edtico Andr\u00e9 Freire, coordenador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (IUL). Para o antrop\u00f3logo brasileiro Ot\u00e1vio Raposo, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do IUL, o n\u00famero recorde de brasileiros residentes oficialmente em Portugal acirrou a concorr\u00eancia por vagas no mercado de trabalho. \u201cA discrimina\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa visava negros, ciganos e imigrantes em geral. E agora est\u00e1 voltada para os brasileiros, que s\u00e3o mais numerosos e muito mais concorrentes aos empregos que os ciganos. Viraram um ingrediente de amea\u00e7a\u201d, disse Raposo.<\/p>\n\n\n\n Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia costumam atingir a comunidade brasileira como um todo, mas um relato refor\u00e7a a ideia de que, quando o brasileiro \u00e9 gay e preto ou pardo, a intoler\u00e2ncia pode rapidamente descambar para a viol\u00eancia. O brasileiro Wesley Elias dos Santos contou que foi estuprado no banheiro de um restaurante em Lisboa na madrugada de 9 de fevereiro. \u201cSa\u00ed de um bar gay e fui para um restaurante. Tinha bebido cerveja e desci para o banheiro. Tr\u00eas homens vieram atr\u00e1s. Aparentavam ser portugueses jovens e um deles me deu um murro. Roubaram minha carteira e me bateram. Depois veio a viol\u00eancia sexual. Escutava eles falando \u2018paneleiro\u2019 (bicha). Eu estava b\u00eabado e medicado. Quando acordei, estava no hospital\u201d, afirmou Santos, ex-atendente de telemarketing em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. 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Escolas e universidades p\u00fablicas de boa qualidade, taxas de criminalidade baixas, clima ameno, praias bel\u00edssimas, gastronomia mundialmente reconhecida, mesmo idioma, proximidade das grandes capitais europeias\u2026 <\/p>\n\n\n\n A lista dos atrativos de Portugal parece n\u00e3o ter fim para um n\u00famero crescente de brasileiros. De milion\u00e1rios que chegam ao pa\u00eds como investidores aos que entram com visto de turista com a inten\u00e7\u00e3o de ficar e trabalhar, os \u201czucas\u201d, como os portugueses chamam quem nasceu no Brasil, n\u00e3o param de chegar. J\u00e1 s\u00e3o 151 mil. Em 2016, eram quase a metade disso.<\/p>\n\n\n\n Como nada \u00e9 perfeito, muitos brasileiros t\u00eam hist\u00f3rias de discrimina\u00e7\u00e3o para contar, um problema antigo, mas que ganhou for\u00e7a com o coronav\u00edrus. Um perfil no Instagram batizado de Confiss\u00f5es da Feup, a sigla para Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, foi denunciado em outubro. O perfil era pr\u00f3digo em frases xen\u00f3fobas e racistas. \u201cAntes, as brasileiras da Feup eram um regalo para os olhos. Agora, s\u00e3o uma cambada de feministas que querem p\u00eanis portugu\u00eas e n\u00e3o admitem.\u201d J\u00e1 o perfil Apanhei Covid na Feup publicou uma imagem do coronav\u00edrus, a bandeira do Brasil e brasileiros representados como macacos no campus da faculdade. Contatada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Universidade do Porto (UP) informou que \u201ciniciou um processo disciplinar interno e ir\u00e1 remeter suas conclus\u00f5es ao Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP)\u201d.<\/p>\n\n\n\n \u201cTEMEROSA DE PERDER O EMPREGO, UMA PARTE DOS PORTUGUESES EXP\u00d5E SEU LADO XEN\u00d3FOBO. EM ALGUNS CASOS, O ACR\u00c9SCIMO DO RACISMO E DA HOMOFOBIA DEIXA AS COISAS AINDA PIORES\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n \u00ad\u00adSegundo dados do MP, de janeiro a outubro, foram abertos 102 inqu\u00e9ritos dessa natureza. Ainda no final de outubro, os muros de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e secund\u00e1rio de Lisboa foram pichados com frases como \u201cZucas, voltem para as favelas\u201d, depois apagadas pelos pr\u00f3prios alunos. \u201cO aumento da xenofobia e do discurso de \u00f3dio foi potencializado pela crise econ\u00f4mica trazida pela pandemia, mas estava presente na sociedade portuguesa\u201d, disse Cynthia de Paula, psic\u00f3loga e presidente em Lisboa da Casa do Brasil, organiza\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 comunidade brasileira.<\/p>\n\n\n\n De 2017, ano em que a emigra\u00e7\u00e3o brasileira voltou a crescer em Portugal, a 2019, as queixas de xenofobia feitas por brasileiros \u00e0 Comiss\u00e3o para a Igualdade e Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial aumentaram 311%. Neste ano, o n\u00famero parcial de todas as nacionalidades indica, at\u00e9 agosto, um aumento de 38% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Uma brasileira que faz parte do N\u00facleo de Estudantes Internacionais da Universidade do Porto e pediu para n\u00e3o ser identificada afirmou que casos de xenofobia n\u00e3o s\u00e3o raros. Mas, segundo ela, os piores momentos s\u00e3o fora das salas de aula. Um que ela n\u00e3o esquece aconteceu quando era rec\u00e9m-chegada e foi pedir informa\u00e7\u00f5es na rua. \u201cO homem come\u00e7ou a insinuar que queria ter rela\u00e7\u00f5es sexuais comigo. Eu, claro, disse que n\u00e3o. E ele rebateu: \u2018Por que n\u00e3o? Voc\u00ea \u00e9 brasileira, voc\u00ea \u00e9 puta\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n O aumento do n\u00famero de casos de intoler\u00e2ncia em diferentes cidades de Portugal comprova a tese de antrop\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos: a pandemia trouxe crise econ\u00f4mica e, consequentemente, um salto na discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cOs empregos dos nacionais est\u00e3o em perigo e os faz temer a imigra\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 outras quest\u00f5es envolvidas, como a amea\u00e7a ao modo de vida e aos costumes\u201d, explicou o cientista pol\u00edtico Andr\u00e9 Freire, coordenador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (IUL). Para o antrop\u00f3logo brasileiro Ot\u00e1vio Raposo, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do IUL, o n\u00famero recorde de brasileiros residentes oficialmente em Portugal acirrou a concorr\u00eancia por vagas no mercado de trabalho. \u201cA discrimina\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa visava negros, ciganos e imigrantes em geral. E agora est\u00e1 voltada para os brasileiros, que s\u00e3o mais numerosos e muito mais concorrentes aos empregos que os ciganos. Viraram um ingrediente de amea\u00e7a\u201d, disse Raposo.<\/p>\n\n\n\n Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia costumam atingir a comunidade brasileira como um todo, mas um relato refor\u00e7a a ideia de que, quando o brasileiro \u00e9 gay e preto ou pardo, a intoler\u00e2ncia pode rapidamente descambar para a viol\u00eancia. O brasileiro Wesley Elias dos Santos contou que foi estuprado no banheiro de um restaurante em Lisboa na madrugada de 9 de fevereiro. \u201cSa\u00ed de um bar gay e fui para um restaurante. Tinha bebido cerveja e desci para o banheiro. Tr\u00eas homens vieram atr\u00e1s. Aparentavam ser portugueses jovens e um deles me deu um murro. Roubaram minha carteira e me bateram. Depois veio a viol\u00eancia sexual. Escutava eles falando \u2018paneleiro\u2019 (bicha). Eu estava b\u00eabado e medicado. Quando acordei, estava no hospital\u201d, afirmou Santos, ex-atendente de telemarketing em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. 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Escolas e universidades p\u00fablicas de boa qualidade, taxas de criminalidade baixas, clima ameno, praias bel\u00edssimas, gastronomia mundialmente reconhecida, mesmo idioma, proximidade das grandes capitais europeias\u2026 <\/p>\n\n\n\n A lista dos atrativos de Portugal parece n\u00e3o ter fim para um n\u00famero crescente de brasileiros. De milion\u00e1rios que chegam ao pa\u00eds como investidores aos que entram com visto de turista com a inten\u00e7\u00e3o de ficar e trabalhar, os \u201czucas\u201d, como os portugueses chamam quem nasceu no Brasil, n\u00e3o param de chegar. J\u00e1 s\u00e3o 151 mil. Em 2016, eram quase a metade disso.<\/p>\n\n\n\n Como nada \u00e9 perfeito, muitos brasileiros t\u00eam hist\u00f3rias de discrimina\u00e7\u00e3o para contar, um problema antigo, mas que ganhou for\u00e7a com o coronav\u00edrus. Um perfil no Instagram batizado de Confiss\u00f5es da Feup, a sigla para Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, foi denunciado em outubro. O perfil era pr\u00f3digo em frases xen\u00f3fobas e racistas. \u201cAntes, as brasileiras da Feup eram um regalo para os olhos. Agora, s\u00e3o uma cambada de feministas que querem p\u00eanis portugu\u00eas e n\u00e3o admitem.\u201d J\u00e1 o perfil Apanhei Covid na Feup publicou uma imagem do coronav\u00edrus, a bandeira do Brasil e brasileiros representados como macacos no campus da faculdade. Contatada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Universidade do Porto (UP) informou que \u201ciniciou um processo disciplinar interno e ir\u00e1 remeter suas conclus\u00f5es ao Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP)\u201d.<\/p>\n\n\n\n \u201cTEMEROSA DE PERDER O EMPREGO, UMA PARTE DOS PORTUGUESES EXP\u00d5E SEU LADO XEN\u00d3FOBO. EM ALGUNS CASOS, O ACR\u00c9SCIMO DO RACISMO E DA HOMOFOBIA DEIXA AS COISAS AINDA PIORES\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n \u00ad\u00adSegundo dados do MP, de janeiro a outubro, foram abertos 102 inqu\u00e9ritos dessa natureza. Ainda no final de outubro, os muros de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e secund\u00e1rio de Lisboa foram pichados com frases como \u201cZucas, voltem para as favelas\u201d, depois apagadas pelos pr\u00f3prios alunos. \u201cO aumento da xenofobia e do discurso de \u00f3dio foi potencializado pela crise econ\u00f4mica trazida pela pandemia, mas estava presente na sociedade portuguesa\u201d, disse Cynthia de Paula, psic\u00f3loga e presidente em Lisboa da Casa do Brasil, organiza\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 comunidade brasileira.<\/p>\n\n\n\n De 2017, ano em que a emigra\u00e7\u00e3o brasileira voltou a crescer em Portugal, a 2019, as queixas de xenofobia feitas por brasileiros \u00e0 Comiss\u00e3o para a Igualdade e Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial aumentaram 311%. Neste ano, o n\u00famero parcial de todas as nacionalidades indica, at\u00e9 agosto, um aumento de 38% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Uma brasileira que faz parte do N\u00facleo de Estudantes Internacionais da Universidade do Porto e pediu para n\u00e3o ser identificada afirmou que casos de xenofobia n\u00e3o s\u00e3o raros. Mas, segundo ela, os piores momentos s\u00e3o fora das salas de aula. Um que ela n\u00e3o esquece aconteceu quando era rec\u00e9m-chegada e foi pedir informa\u00e7\u00f5es na rua. \u201cO homem come\u00e7ou a insinuar que queria ter rela\u00e7\u00f5es sexuais comigo. Eu, claro, disse que n\u00e3o. E ele rebateu: \u2018Por que n\u00e3o? Voc\u00ea \u00e9 brasileira, voc\u00ea \u00e9 puta\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n O aumento do n\u00famero de casos de intoler\u00e2ncia em diferentes cidades de Portugal comprova a tese de antrop\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos: a pandemia trouxe crise econ\u00f4mica e, consequentemente, um salto na discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cOs empregos dos nacionais est\u00e3o em perigo e os faz temer a imigra\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 outras quest\u00f5es envolvidas, como a amea\u00e7a ao modo de vida e aos costumes\u201d, explicou o cientista pol\u00edtico Andr\u00e9 Freire, coordenador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (IUL). Para o antrop\u00f3logo brasileiro Ot\u00e1vio Raposo, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do IUL, o n\u00famero recorde de brasileiros residentes oficialmente em Portugal acirrou a concorr\u00eancia por vagas no mercado de trabalho. \u201cA discrimina\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa visava negros, ciganos e imigrantes em geral. E agora est\u00e1 voltada para os brasileiros, que s\u00e3o mais numerosos e muito mais concorrentes aos empregos que os ciganos. Viraram um ingrediente de amea\u00e7a\u201d, disse Raposo.<\/p>\n\n\n\n Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia costumam atingir a comunidade brasileira como um todo, mas um relato refor\u00e7a a ideia de que, quando o brasileiro \u00e9 gay e preto ou pardo, a intoler\u00e2ncia pode rapidamente descambar para a viol\u00eancia. O brasileiro Wesley Elias dos Santos contou que foi estuprado no banheiro de um restaurante em Lisboa na madrugada de 9 de fevereiro. \u201cSa\u00ed de um bar gay e fui para um restaurante. Tinha bebido cerveja e desci para o banheiro. Tr\u00eas homens vieram atr\u00e1s. Aparentavam ser portugueses jovens e um deles me deu um murro. Roubaram minha carteira e me bateram. Depois veio a viol\u00eancia sexual. Escutava eles falando \u2018paneleiro\u2019 (bicha). Eu estava b\u00eabado e medicado. Quando acordei, estava no hospital\u201d, afirmou Santos, ex-atendente de telemarketing em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. Com medo, ele se mudou para a Dinamarca.<\/p>\n","post_title":"Pandemia aumenta xenofobia contra brasileiros em Portugal","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"pandemia-aumenta-xenofobia-contra-brasileiros-em-portugal","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2020-11-27 11:41:46","post_modified_gmt":"2020-11-27 11:41:46","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=13185","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":4},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Portugal vai inaugurar a maior ponte suspensa para pedestres do mundo<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n Escolas e universidades p\u00fablicas de boa qualidade, taxas de criminalidade baixas, clima ameno, praias bel\u00edssimas, gastronomia mundialmente reconhecida, mesmo idioma, proximidade das grandes capitais europeias\u2026 <\/p>\n\n\n\n A lista dos atrativos de Portugal parece n\u00e3o ter fim para um n\u00famero crescente de brasileiros. De milion\u00e1rios que chegam ao pa\u00eds como investidores aos que entram com visto de turista com a inten\u00e7\u00e3o de ficar e trabalhar, os \u201czucas\u201d, como os portugueses chamam quem nasceu no Brasil, n\u00e3o param de chegar. J\u00e1 s\u00e3o 151 mil. Em 2016, eram quase a metade disso.<\/p>\n\n\n\n Como nada \u00e9 perfeito, muitos brasileiros t\u00eam hist\u00f3rias de discrimina\u00e7\u00e3o para contar, um problema antigo, mas que ganhou for\u00e7a com o coronav\u00edrus. Um perfil no Instagram batizado de Confiss\u00f5es da Feup, a sigla para Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, foi denunciado em outubro. O perfil era pr\u00f3digo em frases xen\u00f3fobas e racistas. \u201cAntes, as brasileiras da Feup eram um regalo para os olhos. Agora, s\u00e3o uma cambada de feministas que querem p\u00eanis portugu\u00eas e n\u00e3o admitem.\u201d J\u00e1 o perfil Apanhei Covid na Feup publicou uma imagem do coronav\u00edrus, a bandeira do Brasil e brasileiros representados como macacos no campus da faculdade. Contatada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Universidade do Porto (UP) informou que \u201ciniciou um processo disciplinar interno e ir\u00e1 remeter suas conclus\u00f5es ao Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP)\u201d.<\/p>\n\n\n\n \u201cTEMEROSA DE PERDER O EMPREGO, UMA PARTE DOS PORTUGUESES EXP\u00d5E SEU LADO XEN\u00d3FOBO. EM ALGUNS CASOS, O ACR\u00c9SCIMO DO RACISMO E DA HOMOFOBIA DEIXA AS COISAS AINDA PIORES\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n \u00ad\u00adSegundo dados do MP, de janeiro a outubro, foram abertos 102 inqu\u00e9ritos dessa natureza. Ainda no final de outubro, os muros de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e secund\u00e1rio de Lisboa foram pichados com frases como \u201cZucas, voltem para as favelas\u201d, depois apagadas pelos pr\u00f3prios alunos. \u201cO aumento da xenofobia e do discurso de \u00f3dio foi potencializado pela crise econ\u00f4mica trazida pela pandemia, mas estava presente na sociedade portuguesa\u201d, disse Cynthia de Paula, psic\u00f3loga e presidente em Lisboa da Casa do Brasil, organiza\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 comunidade brasileira.<\/p>\n\n\n\n De 2017, ano em que a emigra\u00e7\u00e3o brasileira voltou a crescer em Portugal, a 2019, as queixas de xenofobia feitas por brasileiros \u00e0 Comiss\u00e3o para a Igualdade e Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial aumentaram 311%. Neste ano, o n\u00famero parcial de todas as nacionalidades indica, at\u00e9 agosto, um aumento de 38% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Uma brasileira que faz parte do N\u00facleo de Estudantes Internacionais da Universidade do Porto e pediu para n\u00e3o ser identificada afirmou que casos de xenofobia n\u00e3o s\u00e3o raros. Mas, segundo ela, os piores momentos s\u00e3o fora das salas de aula. Um que ela n\u00e3o esquece aconteceu quando era rec\u00e9m-chegada e foi pedir informa\u00e7\u00f5es na rua. \u201cO homem come\u00e7ou a insinuar que queria ter rela\u00e7\u00f5es sexuais comigo. Eu, claro, disse que n\u00e3o. E ele rebateu: \u2018Por que n\u00e3o? Voc\u00ea \u00e9 brasileira, voc\u00ea \u00e9 puta\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n O aumento do n\u00famero de casos de intoler\u00e2ncia em diferentes cidades de Portugal comprova a tese de antrop\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos: a pandemia trouxe crise econ\u00f4mica e, consequentemente, um salto na discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cOs empregos dos nacionais est\u00e3o em perigo e os faz temer a imigra\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 outras quest\u00f5es envolvidas, como a amea\u00e7a ao modo de vida e aos costumes\u201d, explicou o cientista pol\u00edtico Andr\u00e9 Freire, coordenador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (IUL). Para o antrop\u00f3logo brasileiro Ot\u00e1vio Raposo, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do IUL, o n\u00famero recorde de brasileiros residentes oficialmente em Portugal acirrou a concorr\u00eancia por vagas no mercado de trabalho. \u201cA discrimina\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa visava negros, ciganos e imigrantes em geral. E agora est\u00e1 voltada para os brasileiros, que s\u00e3o mais numerosos e muito mais concorrentes aos empregos que os ciganos. Viraram um ingrediente de amea\u00e7a\u201d, disse Raposo.<\/p>\n\n\n\n Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia costumam atingir a comunidade brasileira como um todo, mas um relato refor\u00e7a a ideia de que, quando o brasileiro \u00e9 gay e preto ou pardo, a intoler\u00e2ncia pode rapidamente descambar para a viol\u00eancia. O brasileiro Wesley Elias dos Santos contou que foi estuprado no banheiro de um restaurante em Lisboa na madrugada de 9 de fevereiro. \u201cSa\u00ed de um bar gay e fui para um restaurante. Tinha bebido cerveja e desci para o banheiro. Tr\u00eas homens vieram atr\u00e1s. Aparentavam ser portugueses jovens e um deles me deu um murro. Roubaram minha carteira e me bateram. Depois veio a viol\u00eancia sexual. Escutava eles falando \u2018paneleiro\u2019 (bicha). Eu estava b\u00eabado e medicado. Quando acordei, estava no hospital\u201d, afirmou Santos, ex-atendente de telemarketing em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. Com medo, ele se mudou para a Dinamarca.<\/p>\n","post_title":"Pandemia aumenta xenofobia contra brasileiros em Portugal","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"pandemia-aumenta-xenofobia-contra-brasileiros-em-portugal","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2020-11-27 11:41:46","post_modified_gmt":"2020-11-27 11:41:46","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=13185","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":4},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
LEIA TAMB\u00c9M: Portugal reinventa turismo para recuperar economia local no p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Portugal vai inaugurar a maior ponte suspensa para pedestres do mundo<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n Escolas e universidades p\u00fablicas de boa qualidade, taxas de criminalidade baixas, clima ameno, praias bel\u00edssimas, gastronomia mundialmente reconhecida, mesmo idioma, proximidade das grandes capitais europeias\u2026 <\/p>\n\n\n\n A lista dos atrativos de Portugal parece n\u00e3o ter fim para um n\u00famero crescente de brasileiros. De milion\u00e1rios que chegam ao pa\u00eds como investidores aos que entram com visto de turista com a inten\u00e7\u00e3o de ficar e trabalhar, os \u201czucas\u201d, como os portugueses chamam quem nasceu no Brasil, n\u00e3o param de chegar. J\u00e1 s\u00e3o 151 mil. Em 2016, eram quase a metade disso.<\/p>\n\n\n\n Como nada \u00e9 perfeito, muitos brasileiros t\u00eam hist\u00f3rias de discrimina\u00e7\u00e3o para contar, um problema antigo, mas que ganhou for\u00e7a com o coronav\u00edrus. Um perfil no Instagram batizado de Confiss\u00f5es da Feup, a sigla para Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, foi denunciado em outubro. O perfil era pr\u00f3digo em frases xen\u00f3fobas e racistas. \u201cAntes, as brasileiras da Feup eram um regalo para os olhos. Agora, s\u00e3o uma cambada de feministas que querem p\u00eanis portugu\u00eas e n\u00e3o admitem.\u201d J\u00e1 o perfil Apanhei Covid na Feup publicou uma imagem do coronav\u00edrus, a bandeira do Brasil e brasileiros representados como macacos no campus da faculdade. Contatada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Universidade do Porto (UP) informou que \u201ciniciou um processo disciplinar interno e ir\u00e1 remeter suas conclus\u00f5es ao Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP)\u201d.<\/p>\n\n\n\n \u201cTEMEROSA DE PERDER O EMPREGO, UMA PARTE DOS PORTUGUESES EXP\u00d5E SEU LADO XEN\u00d3FOBO. EM ALGUNS CASOS, O ACR\u00c9SCIMO DO RACISMO E DA HOMOFOBIA DEIXA AS COISAS AINDA PIORES\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n \u00ad\u00adSegundo dados do MP, de janeiro a outubro, foram abertos 102 inqu\u00e9ritos dessa natureza. Ainda no final de outubro, os muros de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e secund\u00e1rio de Lisboa foram pichados com frases como \u201cZucas, voltem para as favelas\u201d, depois apagadas pelos pr\u00f3prios alunos. \u201cO aumento da xenofobia e do discurso de \u00f3dio foi potencializado pela crise econ\u00f4mica trazida pela pandemia, mas estava presente na sociedade portuguesa\u201d, disse Cynthia de Paula, psic\u00f3loga e presidente em Lisboa da Casa do Brasil, organiza\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 comunidade brasileira.<\/p>\n\n\n\n De 2017, ano em que a emigra\u00e7\u00e3o brasileira voltou a crescer em Portugal, a 2019, as queixas de xenofobia feitas por brasileiros \u00e0 Comiss\u00e3o para a Igualdade e Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial aumentaram 311%. Neste ano, o n\u00famero parcial de todas as nacionalidades indica, at\u00e9 agosto, um aumento de 38% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Uma brasileira que faz parte do N\u00facleo de Estudantes Internacionais da Universidade do Porto e pediu para n\u00e3o ser identificada afirmou que casos de xenofobia n\u00e3o s\u00e3o raros. Mas, segundo ela, os piores momentos s\u00e3o fora das salas de aula. Um que ela n\u00e3o esquece aconteceu quando era rec\u00e9m-chegada e foi pedir informa\u00e7\u00f5es na rua. \u201cO homem come\u00e7ou a insinuar que queria ter rela\u00e7\u00f5es sexuais comigo. Eu, claro, disse que n\u00e3o. E ele rebateu: \u2018Por que n\u00e3o? Voc\u00ea \u00e9 brasileira, voc\u00ea \u00e9 puta\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n O aumento do n\u00famero de casos de intoler\u00e2ncia em diferentes cidades de Portugal comprova a tese de antrop\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos: a pandemia trouxe crise econ\u00f4mica e, consequentemente, um salto na discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cOs empregos dos nacionais est\u00e3o em perigo e os faz temer a imigra\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 outras quest\u00f5es envolvidas, como a amea\u00e7a ao modo de vida e aos costumes\u201d, explicou o cientista pol\u00edtico Andr\u00e9 Freire, coordenador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (IUL). Para o antrop\u00f3logo brasileiro Ot\u00e1vio Raposo, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do IUL, o n\u00famero recorde de brasileiros residentes oficialmente em Portugal acirrou a concorr\u00eancia por vagas no mercado de trabalho. \u201cA discrimina\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa visava negros, ciganos e imigrantes em geral. E agora est\u00e1 voltada para os brasileiros, que s\u00e3o mais numerosos e muito mais concorrentes aos empregos que os ciganos. Viraram um ingrediente de amea\u00e7a\u201d, disse Raposo.<\/p>\n\n\n\n Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia costumam atingir a comunidade brasileira como um todo, mas um relato refor\u00e7a a ideia de que, quando o brasileiro \u00e9 gay e preto ou pardo, a intoler\u00e2ncia pode rapidamente descambar para a viol\u00eancia. O brasileiro Wesley Elias dos Santos contou que foi estuprado no banheiro de um restaurante em Lisboa na madrugada de 9 de fevereiro. \u201cSa\u00ed de um bar gay e fui para um restaurante. Tinha bebido cerveja e desci para o banheiro. Tr\u00eas homens vieram atr\u00e1s. Aparentavam ser portugueses jovens e um deles me deu um murro. Roubaram minha carteira e me bateram. Depois veio a viol\u00eancia sexual. Escutava eles falando \u2018paneleiro\u2019 (bicha). Eu estava b\u00eabado e medicado. Quando acordei, estava no hospital\u201d, afirmou Santos, ex-atendente de telemarketing em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. 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LEIA TAMB\u00c9M: Quais s\u00e3o as \u201cpegadinhas\u201d na l\u00edngua portuguesa para brasileiros em Portugal? \u2013 Canal Portugal<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal reinventa turismo para recuperar economia local no p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Portugal vai inaugurar a maior ponte suspensa para pedestres do mundo<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n Escolas e universidades p\u00fablicas de boa qualidade, taxas de criminalidade baixas, clima ameno, praias bel\u00edssimas, gastronomia mundialmente reconhecida, mesmo idioma, proximidade das grandes capitais europeias\u2026 <\/p>\n\n\n\n A lista dos atrativos de Portugal parece n\u00e3o ter fim para um n\u00famero crescente de brasileiros. De milion\u00e1rios que chegam ao pa\u00eds como investidores aos que entram com visto de turista com a inten\u00e7\u00e3o de ficar e trabalhar, os \u201czucas\u201d, como os portugueses chamam quem nasceu no Brasil, n\u00e3o param de chegar. J\u00e1 s\u00e3o 151 mil. Em 2016, eram quase a metade disso.<\/p>\n\n\n\n Como nada \u00e9 perfeito, muitos brasileiros t\u00eam hist\u00f3rias de discrimina\u00e7\u00e3o para contar, um problema antigo, mas que ganhou for\u00e7a com o coronav\u00edrus. Um perfil no Instagram batizado de Confiss\u00f5es da Feup, a sigla para Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, foi denunciado em outubro. O perfil era pr\u00f3digo em frases xen\u00f3fobas e racistas. \u201cAntes, as brasileiras da Feup eram um regalo para os olhos. Agora, s\u00e3o uma cambada de feministas que querem p\u00eanis portugu\u00eas e n\u00e3o admitem.\u201d J\u00e1 o perfil Apanhei Covid na Feup publicou uma imagem do coronav\u00edrus, a bandeira do Brasil e brasileiros representados como macacos no campus da faculdade. Contatada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Universidade do Porto (UP) informou que \u201ciniciou um processo disciplinar interno e ir\u00e1 remeter suas conclus\u00f5es ao Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP)\u201d.<\/p>\n\n\n\n \u201cTEMEROSA DE PERDER O EMPREGO, UMA PARTE DOS PORTUGUESES EXP\u00d5E SEU LADO XEN\u00d3FOBO. EM ALGUNS CASOS, O ACR\u00c9SCIMO DO RACISMO E DA HOMOFOBIA DEIXA AS COISAS AINDA PIORES\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n \u00ad\u00adSegundo dados do MP, de janeiro a outubro, foram abertos 102 inqu\u00e9ritos dessa natureza. Ainda no final de outubro, os muros de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e secund\u00e1rio de Lisboa foram pichados com frases como \u201cZucas, voltem para as favelas\u201d, depois apagadas pelos pr\u00f3prios alunos. \u201cO aumento da xenofobia e do discurso de \u00f3dio foi potencializado pela crise econ\u00f4mica trazida pela pandemia, mas estava presente na sociedade portuguesa\u201d, disse Cynthia de Paula, psic\u00f3loga e presidente em Lisboa da Casa do Brasil, organiza\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 comunidade brasileira.<\/p>\n\n\n\n De 2017, ano em que a emigra\u00e7\u00e3o brasileira voltou a crescer em Portugal, a 2019, as queixas de xenofobia feitas por brasileiros \u00e0 Comiss\u00e3o para a Igualdade e Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial aumentaram 311%. Neste ano, o n\u00famero parcial de todas as nacionalidades indica, at\u00e9 agosto, um aumento de 38% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Uma brasileira que faz parte do N\u00facleo de Estudantes Internacionais da Universidade do Porto e pediu para n\u00e3o ser identificada afirmou que casos de xenofobia n\u00e3o s\u00e3o raros. Mas, segundo ela, os piores momentos s\u00e3o fora das salas de aula. Um que ela n\u00e3o esquece aconteceu quando era rec\u00e9m-chegada e foi pedir informa\u00e7\u00f5es na rua. \u201cO homem come\u00e7ou a insinuar que queria ter rela\u00e7\u00f5es sexuais comigo. Eu, claro, disse que n\u00e3o. E ele rebateu: \u2018Por que n\u00e3o? Voc\u00ea \u00e9 brasileira, voc\u00ea \u00e9 puta\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n O aumento do n\u00famero de casos de intoler\u00e2ncia em diferentes cidades de Portugal comprova a tese de antrop\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos: a pandemia trouxe crise econ\u00f4mica e, consequentemente, um salto na discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cOs empregos dos nacionais est\u00e3o em perigo e os faz temer a imigra\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 outras quest\u00f5es envolvidas, como a amea\u00e7a ao modo de vida e aos costumes\u201d, explicou o cientista pol\u00edtico Andr\u00e9 Freire, coordenador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (IUL). Para o antrop\u00f3logo brasileiro Ot\u00e1vio Raposo, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do IUL, o n\u00famero recorde de brasileiros residentes oficialmente em Portugal acirrou a concorr\u00eancia por vagas no mercado de trabalho. \u201cA discrimina\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa visava negros, ciganos e imigrantes em geral. E agora est\u00e1 voltada para os brasileiros, que s\u00e3o mais numerosos e muito mais concorrentes aos empregos que os ciganos. Viraram um ingrediente de amea\u00e7a\u201d, disse Raposo.<\/p>\n\n\n\n Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia costumam atingir a comunidade brasileira como um todo, mas um relato refor\u00e7a a ideia de que, quando o brasileiro \u00e9 gay e preto ou pardo, a intoler\u00e2ncia pode rapidamente descambar para a viol\u00eancia. O brasileiro Wesley Elias dos Santos contou que foi estuprado no banheiro de um restaurante em Lisboa na madrugada de 9 de fevereiro. \u201cSa\u00ed de um bar gay e fui para um restaurante. Tinha bebido cerveja e desci para o banheiro. Tr\u00eas homens vieram atr\u00e1s. Aparentavam ser portugueses jovens e um deles me deu um murro. Roubaram minha carteira e me bateram. Depois veio a viol\u00eancia sexual. Escutava eles falando \u2018paneleiro\u2019 (bicha). Eu estava b\u00eabado e medicado. Quando acordei, estava no hospital\u201d, afirmou Santos, ex-atendente de telemarketing em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Agentes da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) fizeram a ocorr\u00eancia no local do crime e conduziram Santos ao hospital, onde uma m\u00e9dica atestou: \u201cAconteceu por volta das 3 horas, com penetra\u00e7\u00e3o anal e ejacula\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, ao solicitar em uma delegacia da PSP uma declara\u00e7\u00e3o do roubo de seu t\u00edtulo de resid\u00eancia, Santos disse ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cEscutei de um senhor fardado: \u2018Portugal dos portugueses ainda n\u00e3o est\u00e1 acostumado com isso\u2019.\u201d Santos n\u00e3o pediu para o policial explicar porque entendeu que \u201cisso\u201d queria dizer brasileiro e gay.<\/p>\n\n\n\n Santos foi chamado \u00e0 sede da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ), que coordena a investiga\u00e7\u00e3o, para assistir \u00e0s imagens do circuito interno de c\u00e2meras do restaurante. \u201cFui questionado na PJ se isso n\u00e3o aconteceu porque eu queria, porque estava tentando seduzi-los. Duvidaram de mim. Se quisesse sedu\u00e7\u00e3o, teria ficado no bar gay\u201d, disse. Em nota, a PSP negou qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e informou que \u201ca v\u00edtima apresentava um discurso pouco coerente, mostrando-se algo confusa com toda a situa\u00e7\u00e3o\u201d. Questionada por pela reportagem, a PJ n\u00e3o respondeu. Desde o in\u00edcio da pandemia, houve mais de 2.400 atendimentos a portugueses e estrangeiros nas institui\u00e7\u00f5es de apoio aos crimes contra L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBTI) que integram a Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas. Foi uma dessas que ofereceu apoio psicol\u00f3gico a Santos. Com medo, ele se mudou para a Dinamarca.<\/p>\n","post_title":"Pandemia aumenta xenofobia contra brasileiros em Portugal","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"pandemia-aumenta-xenofobia-contra-brasileiros-em-portugal","to_ping":"","pinged":"","post_modified":"2020-11-27 11:41:46","post_modified_gmt":"2020-11-27 11:41:46","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=13185","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"}],"next":false,"prev":true,"total_page":4},"paged":1,"column_class":"jeg_col_2o3","class":"epic_block_3"};
LEIA TAMB\u00c9M: Quais s\u00e3o as \u201cpegadinhas\u201d na l\u00edngua portuguesa para brasileiros em Portugal? \u2013 Canal Portugal<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal reinventa turismo para recuperar economia local no p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\nCrescem casos de xenofobia contra os \u201czucas\u201d no pa\u00eds, fen\u00f4meno impulsionado pela crise econ\u00f4mica provocada pela pandemia.<\/h4>\n\n\n\n