Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n
Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n
Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n
Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n
Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n A prova para comprovar que falam portugu\u00eas passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS n\u00e3o explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de profici\u00eancia no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais te\u00f3ricos para classificar o portugu\u00eas europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atua\u00e7\u00e3o de terapeutas da fala.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n Sem conseguir o registro, muitas fonos acabam trabalhando em fun\u00e7\u00f5es de baixa especializa\u00e7\u00e3o. Tha\u00eds conta que j\u00e1 trabalhou na parte administrativa de um asilo, mas n\u00e3o gostou. \"Sou fonoaudi\u00f3loga. Foi a profiss\u00e3o que escolhi para a minha vida e n\u00e3o sei ser outra coisa.\"<\/p>\n\n\n\n A prova para comprovar que falam portugu\u00eas passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS n\u00e3o explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de profici\u00eancia no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais te\u00f3ricos para classificar o portugu\u00eas europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atua\u00e7\u00e3o de terapeutas da fala.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n Com o recente aumento da emigra\u00e7\u00e3o brasileira para Portugal, alguns setores de profissionais da sa\u00fade sentem press\u00e3o com a chegada de diplomados. Mais de 50% dos dentistas estrangeiros que atuam em Portugal vieram do Brasil; s\u00e3o quase 500 com autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar. Entre os m\u00e9dicos, h\u00e1 quase 600 registros de brasileiros, com n\u00famero de pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o recorde em 2018.<\/p>\n\n\n\n Sem conseguir o registro, muitas fonos acabam trabalhando em fun\u00e7\u00f5es de baixa especializa\u00e7\u00e3o. Tha\u00eds conta que j\u00e1 trabalhou na parte administrativa de um asilo, mas n\u00e3o gostou. \"Sou fonoaudi\u00f3loga. Foi a profiss\u00e3o que escolhi para a minha vida e n\u00e3o sei ser outra coisa.\"<\/p>\n\n\n\n A prova para comprovar que falam portugu\u00eas passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS n\u00e3o explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de profici\u00eancia no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais te\u00f3ricos para classificar o portugu\u00eas europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atua\u00e7\u00e3o de terapeutas da fala.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n O n\u00famero total de profissionais tentando obter o registro deve ser muito maior -- nas redes das fonos brasileiras, especula-se que cheguem a 4 mil. Procurada pela reportagem, a Administra\u00e7\u00e3o Central do Sistema de Sa\u00fade (ACSS) n\u00e3o informou at\u00e9 quinta-feira (19) qual era o n\u00famero de pedidos de credenciamento total, quantos foram aceitos e quantos foram negados.<\/p>\n\n\n\n Com o recente aumento da emigra\u00e7\u00e3o brasileira para Portugal, alguns setores de profissionais da sa\u00fade sentem press\u00e3o com a chegada de diplomados. Mais de 50% dos dentistas estrangeiros que atuam em Portugal vieram do Brasil; s\u00e3o quase 500 com autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar. Entre os m\u00e9dicos, h\u00e1 quase 600 registros de brasileiros, com n\u00famero de pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o recorde em 2018.<\/p>\n\n\n\n Sem conseguir o registro, muitas fonos acabam trabalhando em fun\u00e7\u00f5es de baixa especializa\u00e7\u00e3o. Tha\u00eds conta que j\u00e1 trabalhou na parte administrativa de um asilo, mas n\u00e3o gostou. \"Sou fonoaudi\u00f3loga. Foi a profiss\u00e3o que escolhi para a minha vida e n\u00e3o sei ser outra coisa.\"<\/p>\n\n\n\n A prova para comprovar que falam portugu\u00eas passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS n\u00e3o explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de profici\u00eancia no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais te\u00f3ricos para classificar o portugu\u00eas europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atua\u00e7\u00e3o de terapeutas da fala.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n Tha\u00eds n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonoaudi\u00f3loga formada no Brasil impedida de trabalhar como \"terapeuta da fala\" em Portugal -- assim \u00e9 a nomenclatura local. No dia de fazer a prova, conheceu outras fonos brasileiras, que acabaram se reunindo num grupo de WhatsApp, que foram chamando outras conhecidas. Hoje, o time das reclamantes t\u00eam quase 40 profissionais. Algumas ainda esperam ser convocadas para o exame, outras aguardam os resultados. O processo todo, entre dar entrada na papelada e receber o resultado, leva quase dois anos. Todas que j\u00e1 receberam resposta tiveram seus pedidos indeferidos com a mesma justificativa, ipsis litteris.<\/p>\n\n\n\n O n\u00famero total de profissionais tentando obter o registro deve ser muito maior -- nas redes das fonos brasileiras, especula-se que cheguem a 4 mil. Procurada pela reportagem, a Administra\u00e7\u00e3o Central do Sistema de Sa\u00fade (ACSS) n\u00e3o informou at\u00e9 quinta-feira (19) qual era o n\u00famero de pedidos de credenciamento total, quantos foram aceitos e quantos foram negados.<\/p>\n\n\n\n Com o recente aumento da emigra\u00e7\u00e3o brasileira para Portugal, alguns setores de profissionais da sa\u00fade sentem press\u00e3o com a chegada de diplomados. Mais de 50% dos dentistas estrangeiros que atuam em Portugal vieram do Brasil; s\u00e3o quase 500 com autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar. Entre os m\u00e9dicos, h\u00e1 quase 600 registros de brasileiros, com n\u00famero de pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o recorde em 2018.<\/p>\n\n\n\n Sem conseguir o registro, muitas fonos acabam trabalhando em fun\u00e7\u00f5es de baixa especializa\u00e7\u00e3o. Tha\u00eds conta que j\u00e1 trabalhou na parte administrativa de um asilo, mas n\u00e3o gostou. \"Sou fonoaudi\u00f3loga. Foi a profiss\u00e3o que escolhi para a minha vida e n\u00e3o sei ser outra coisa.\"<\/p>\n\n\n\n A prova para comprovar que falam portugu\u00eas passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS n\u00e3o explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de profici\u00eancia no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais te\u00f3ricos para classificar o portugu\u00eas europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atua\u00e7\u00e3o de terapeutas da fala.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n Preconceito lingu\u00edstico ou reserva de mercado seriam as verdadeiras motiva\u00e7\u00f5es para que seu credenciamento profissional em Portugal tenha sido negado, acredita Tha\u00eds. \"A exist\u00eancia da prova \u00e9 um disparate. Se eu n\u00e3o tivesse as habilidades lingu\u00edsticas, sequer conseguiria me comunicar com as entrevistadoras. A justificativa \u00e9 completamente inaceit\u00e1vel\", afirma a brasileira, que faz mestrado na \u00e1rea de linguagem na Universidade Nova de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Tha\u00eds n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonoaudi\u00f3loga formada no Brasil impedida de trabalhar como \"terapeuta da fala\" em Portugal -- assim \u00e9 a nomenclatura local. No dia de fazer a prova, conheceu outras fonos brasileiras, que acabaram se reunindo num grupo de WhatsApp, que foram chamando outras conhecidas. Hoje, o time das reclamantes t\u00eam quase 40 profissionais. Algumas ainda esperam ser convocadas para o exame, outras aguardam os resultados. O processo todo, entre dar entrada na papelada e receber o resultado, leva quase dois anos. Todas que j\u00e1 receberam resposta tiveram seus pedidos indeferidos com a mesma justificativa, ipsis litteris.<\/p>\n\n\n\n O n\u00famero total de profissionais tentando obter o registro deve ser muito maior -- nas redes das fonos brasileiras, especula-se que cheguem a 4 mil. Procurada pela reportagem, a Administra\u00e7\u00e3o Central do Sistema de Sa\u00fade (ACSS) n\u00e3o informou at\u00e9 quinta-feira (19) qual era o n\u00famero de pedidos de credenciamento total, quantos foram aceitos e quantos foram negados.<\/p>\n\n\n\n Com o recente aumento da emigra\u00e7\u00e3o brasileira para Portugal, alguns setores de profissionais da sa\u00fade sentem press\u00e3o com a chegada de diplomados. Mais de 50% dos dentistas estrangeiros que atuam em Portugal vieram do Brasil; s\u00e3o quase 500 com autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar. Entre os m\u00e9dicos, h\u00e1 quase 600 registros de brasileiros, com n\u00famero de pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o recorde em 2018.<\/p>\n\n\n\n Sem conseguir o registro, muitas fonos acabam trabalhando em fun\u00e7\u00f5es de baixa especializa\u00e7\u00e3o. Tha\u00eds conta que j\u00e1 trabalhou na parte administrativa de um asilo, mas n\u00e3o gostou. \"Sou fonoaudi\u00f3loga. Foi a profiss\u00e3o que escolhi para a minha vida e n\u00e3o sei ser outra coisa.\"<\/p>\n\n\n\n A prova para comprovar que falam portugu\u00eas passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS n\u00e3o explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de profici\u00eancia no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais te\u00f3ricos para classificar o portugu\u00eas europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atua\u00e7\u00e3o de terapeutas da fala.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n Quase 23 anos depois, agora morando em Cascais, munic\u00edpio do distrito de Lisboa, a portuguesinha n\u00e3o consegue exercer a fonoaudiologia porque seu portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 suficientemente portugu\u00eas, segundo o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por regular a profiss\u00e3o no pa\u00eds de Cam\u00f5es. Depois de passar por uma entrevista e escrever uma reda\u00e7\u00e3o, recebeu um documento dizendo que ela n\u00e3o domina a sem\u00e2ntica (sentido das palavras), a morfossintaxe (constru\u00e7\u00e3o das frases), a fon\u00e9tica e a fonologia (os sons) do portugu\u00eas europeu.<\/p>\n\n\n\n Preconceito lingu\u00edstico ou reserva de mercado seriam as verdadeiras motiva\u00e7\u00f5es para que seu credenciamento profissional em Portugal tenha sido negado, acredita Tha\u00eds. \"A exist\u00eancia da prova \u00e9 um disparate. Se eu n\u00e3o tivesse as habilidades lingu\u00edsticas, sequer conseguiria me comunicar com as entrevistadoras. A justificativa \u00e9 completamente inaceit\u00e1vel\", afirma a brasileira, que faz mestrado na \u00e1rea de linguagem na Universidade Nova de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Tha\u00eds n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonoaudi\u00f3loga formada no Brasil impedida de trabalhar como \"terapeuta da fala\" em Portugal -- assim \u00e9 a nomenclatura local. No dia de fazer a prova, conheceu outras fonos brasileiras, que acabaram se reunindo num grupo de WhatsApp, que foram chamando outras conhecidas. Hoje, o time das reclamantes t\u00eam quase 40 profissionais. Algumas ainda esperam ser convocadas para o exame, outras aguardam os resultados. O processo todo, entre dar entrada na papelada e receber o resultado, leva quase dois anos. Todas que j\u00e1 receberam resposta tiveram seus pedidos indeferidos com a mesma justificativa, ipsis litteris.<\/p>\n\n\n\n O n\u00famero total de profissionais tentando obter o registro deve ser muito maior -- nas redes das fonos brasileiras, especula-se que cheguem a 4 mil. Procurada pela reportagem, a Administra\u00e7\u00e3o Central do Sistema de Sa\u00fade (ACSS) n\u00e3o informou at\u00e9 quinta-feira (19) qual era o n\u00famero de pedidos de credenciamento total, quantos foram aceitos e quantos foram negados.<\/p>\n\n\n\n Com o recente aumento da emigra\u00e7\u00e3o brasileira para Portugal, alguns setores de profissionais da sa\u00fade sentem press\u00e3o com a chegada de diplomados. Mais de 50% dos dentistas estrangeiros que atuam em Portugal vieram do Brasil; s\u00e3o quase 500 com autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar. Entre os m\u00e9dicos, h\u00e1 quase 600 registros de brasileiros, com n\u00famero de pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o recorde em 2018.<\/p>\n\n\n\n Sem conseguir o registro, muitas fonos acabam trabalhando em fun\u00e7\u00f5es de baixa especializa\u00e7\u00e3o. Tha\u00eds conta que j\u00e1 trabalhou na parte administrativa de um asilo, mas n\u00e3o gostou. \"Sou fonoaudi\u00f3loga. Foi a profiss\u00e3o que escolhi para a minha vida e n\u00e3o sei ser outra coisa.\"<\/p>\n\n\n\n A prova para comprovar que falam portugu\u00eas passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS n\u00e3o explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de profici\u00eancia no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais te\u00f3ricos para classificar o portugu\u00eas europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atua\u00e7\u00e3o de terapeutas da fala.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n Quase 23 anos depois, agora morando em Cascais, munic\u00edpio do distrito de Lisboa, a portuguesinha n\u00e3o consegue exercer a fonoaudiologia porque seu portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 suficientemente portugu\u00eas, segundo o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por regular a profiss\u00e3o no pa\u00eds de Cam\u00f5es. Depois de passar por uma entrevista e escrever uma reda\u00e7\u00e3o, recebeu um documento dizendo que ela n\u00e3o domina a sem\u00e2ntica (sentido das palavras), a morfossintaxe (constru\u00e7\u00e3o das frases), a fon\u00e9tica e a fonologia (os sons) do portugu\u00eas europeu.<\/p>\n\n\n\n Preconceito lingu\u00edstico ou reserva de mercado seriam as verdadeiras motiva\u00e7\u00f5es para que seu credenciamento profissional em Portugal tenha sido negado, acredita Tha\u00eds. \"A exist\u00eancia da prova \u00e9 um disparate. Se eu n\u00e3o tivesse as habilidades lingu\u00edsticas, sequer conseguiria me comunicar com as entrevistadoras. A justificativa \u00e9 completamente inaceit\u00e1vel\", afirma a brasileira, que faz mestrado na \u00e1rea de linguagem na Universidade Nova de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Tha\u00eds n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonoaudi\u00f3loga formada no Brasil impedida de trabalhar como \"terapeuta da fala\" em Portugal -- assim \u00e9 a nomenclatura local. No dia de fazer a prova, conheceu outras fonos brasileiras, que acabaram se reunindo num grupo de WhatsApp, que foram chamando outras conhecidas. Hoje, o time das reclamantes t\u00eam quase 40 profissionais. Algumas ainda esperam ser convocadas para o exame, outras aguardam os resultados. O processo todo, entre dar entrada na papelada e receber o resultado, leva quase dois anos. Todas que j\u00e1 receberam resposta tiveram seus pedidos indeferidos com a mesma justificativa, ipsis litteris.<\/p>\n\n\n\n O n\u00famero total de profissionais tentando obter o registro deve ser muito maior -- nas redes das fonos brasileiras, especula-se que cheguem a 4 mil. Procurada pela reportagem, a Administra\u00e7\u00e3o Central do Sistema de Sa\u00fade (ACSS) n\u00e3o informou at\u00e9 quinta-feira (19) qual era o n\u00famero de pedidos de credenciamento total, quantos foram aceitos e quantos foram negados.<\/p>\n\n\n\n Com o recente aumento da emigra\u00e7\u00e3o brasileira para Portugal, alguns setores de profissionais da sa\u00fade sentem press\u00e3o com a chegada de diplomados. Mais de 50% dos dentistas estrangeiros que atuam em Portugal vieram do Brasil; s\u00e3o quase 500 com autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar. Entre os m\u00e9dicos, h\u00e1 quase 600 registros de brasileiros, com n\u00famero de pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o recorde em 2018.<\/p>\n\n\n\n Sem conseguir o registro, muitas fonos acabam trabalhando em fun\u00e7\u00f5es de baixa especializa\u00e7\u00e3o. Tha\u00eds conta que j\u00e1 trabalhou na parte administrativa de um asilo, mas n\u00e3o gostou. \"Sou fonoaudi\u00f3loga. Foi a profiss\u00e3o que escolhi para a minha vida e n\u00e3o sei ser outra coisa.\"<\/p>\n\n\n\n A prova para comprovar que falam portugu\u00eas passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS n\u00e3o explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de profici\u00eancia no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais te\u00f3ricos para classificar o portugu\u00eas europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atua\u00e7\u00e3o de terapeutas da fala.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal vai inaugurar a maior ponte suspensa para pedestres do mundo<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n Quase 23 anos depois, agora morando em Cascais, munic\u00edpio do distrito de Lisboa, a portuguesinha n\u00e3o consegue exercer a fonoaudiologia porque seu portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 suficientemente portugu\u00eas, segundo o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por regular a profiss\u00e3o no pa\u00eds de Cam\u00f5es. Depois de passar por uma entrevista e escrever uma reda\u00e7\u00e3o, recebeu um documento dizendo que ela n\u00e3o domina a sem\u00e2ntica (sentido das palavras), a morfossintaxe (constru\u00e7\u00e3o das frases), a fon\u00e9tica e a fonologia (os sons) do portugu\u00eas europeu.<\/p>\n\n\n\n Preconceito lingu\u00edstico ou reserva de mercado seriam as verdadeiras motiva\u00e7\u00f5es para que seu credenciamento profissional em Portugal tenha sido negado, acredita Tha\u00eds. \"A exist\u00eancia da prova \u00e9 um disparate. Se eu n\u00e3o tivesse as habilidades lingu\u00edsticas, sequer conseguiria me comunicar com as entrevistadoras. A justificativa \u00e9 completamente inaceit\u00e1vel\", afirma a brasileira, que faz mestrado na \u00e1rea de linguagem na Universidade Nova de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Tha\u00eds n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonoaudi\u00f3loga formada no Brasil impedida de trabalhar como \"terapeuta da fala\" em Portugal -- assim \u00e9 a nomenclatura local. No dia de fazer a prova, conheceu outras fonos brasileiras, que acabaram se reunindo num grupo de WhatsApp, que foram chamando outras conhecidas. Hoje, o time das reclamantes t\u00eam quase 40 profissionais. Algumas ainda esperam ser convocadas para o exame, outras aguardam os resultados. O processo todo, entre dar entrada na papelada e receber o resultado, leva quase dois anos. Todas que j\u00e1 receberam resposta tiveram seus pedidos indeferidos com a mesma justificativa, ipsis litteris.<\/p>\n\n\n\n O n\u00famero total de profissionais tentando obter o registro deve ser muito maior -- nas redes das fonos brasileiras, especula-se que cheguem a 4 mil. Procurada pela reportagem, a Administra\u00e7\u00e3o Central do Sistema de Sa\u00fade (ACSS) n\u00e3o informou at\u00e9 quinta-feira (19) qual era o n\u00famero de pedidos de credenciamento total, quantos foram aceitos e quantos foram negados.<\/p>\n\n\n\n Com o recente aumento da emigra\u00e7\u00e3o brasileira para Portugal, alguns setores de profissionais da sa\u00fade sentem press\u00e3o com a chegada de diplomados. Mais de 50% dos dentistas estrangeiros que atuam em Portugal vieram do Brasil; s\u00e3o quase 500 com autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar. Entre os m\u00e9dicos, h\u00e1 quase 600 registros de brasileiros, com n\u00famero de pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o recorde em 2018.<\/p>\n\n\n\n Sem conseguir o registro, muitas fonos acabam trabalhando em fun\u00e7\u00f5es de baixa especializa\u00e7\u00e3o. Tha\u00eds conta que j\u00e1 trabalhou na parte administrativa de um asilo, mas n\u00e3o gostou. \"Sou fonoaudi\u00f3loga. Foi a profiss\u00e3o que escolhi para a minha vida e n\u00e3o sei ser outra coisa.\"<\/p>\n\n\n\n A prova para comprovar que falam portugu\u00eas passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS n\u00e3o explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de profici\u00eancia no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais te\u00f3ricos para classificar o portugu\u00eas europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atua\u00e7\u00e3o de terapeutas da fala.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal reinventa turismo para recuperar economia local no p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal vai inaugurar a maior ponte suspensa para pedestres do mundo<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n Quase 23 anos depois, agora morando em Cascais, munic\u00edpio do distrito de Lisboa, a portuguesinha n\u00e3o consegue exercer a fonoaudiologia porque seu portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 suficientemente portugu\u00eas, segundo o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por regular a profiss\u00e3o no pa\u00eds de Cam\u00f5es. Depois de passar por uma entrevista e escrever uma reda\u00e7\u00e3o, recebeu um documento dizendo que ela n\u00e3o domina a sem\u00e2ntica (sentido das palavras), a morfossintaxe (constru\u00e7\u00e3o das frases), a fon\u00e9tica e a fonologia (os sons) do portugu\u00eas europeu.<\/p>\n\n\n\n Preconceito lingu\u00edstico ou reserva de mercado seriam as verdadeiras motiva\u00e7\u00f5es para que seu credenciamento profissional em Portugal tenha sido negado, acredita Tha\u00eds. \"A exist\u00eancia da prova \u00e9 um disparate. Se eu n\u00e3o tivesse as habilidades lingu\u00edsticas, sequer conseguiria me comunicar com as entrevistadoras. A justificativa \u00e9 completamente inaceit\u00e1vel\", afirma a brasileira, que faz mestrado na \u00e1rea de linguagem na Universidade Nova de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Tha\u00eds n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonoaudi\u00f3loga formada no Brasil impedida de trabalhar como \"terapeuta da fala\" em Portugal -- assim \u00e9 a nomenclatura local. No dia de fazer a prova, conheceu outras fonos brasileiras, que acabaram se reunindo num grupo de WhatsApp, que foram chamando outras conhecidas. Hoje, o time das reclamantes t\u00eam quase 40 profissionais. Algumas ainda esperam ser convocadas para o exame, outras aguardam os resultados. O processo todo, entre dar entrada na papelada e receber o resultado, leva quase dois anos. Todas que j\u00e1 receberam resposta tiveram seus pedidos indeferidos com a mesma justificativa, ipsis litteris.<\/p>\n\n\n\n O n\u00famero total de profissionais tentando obter o registro deve ser muito maior -- nas redes das fonos brasileiras, especula-se que cheguem a 4 mil. Procurada pela reportagem, a Administra\u00e7\u00e3o Central do Sistema de Sa\u00fade (ACSS) n\u00e3o informou at\u00e9 quinta-feira (19) qual era o n\u00famero de pedidos de credenciamento total, quantos foram aceitos e quantos foram negados.<\/p>\n\n\n\n Com o recente aumento da emigra\u00e7\u00e3o brasileira para Portugal, alguns setores de profissionais da sa\u00fade sentem press\u00e3o com a chegada de diplomados. Mais de 50% dos dentistas estrangeiros que atuam em Portugal vieram do Brasil; s\u00e3o quase 500 com autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar. Entre os m\u00e9dicos, h\u00e1 quase 600 registros de brasileiros, com n\u00famero de pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o recorde em 2018.<\/p>\n\n\n\n Sem conseguir o registro, muitas fonos acabam trabalhando em fun\u00e7\u00f5es de baixa especializa\u00e7\u00e3o. Tha\u00eds conta que j\u00e1 trabalhou na parte administrativa de um asilo, mas n\u00e3o gostou. \"Sou fonoaudi\u00f3loga. Foi a profiss\u00e3o que escolhi para a minha vida e n\u00e3o sei ser outra coisa.\"<\/p>\n\n\n\n A prova para comprovar que falam portugu\u00eas passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS n\u00e3o explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de profici\u00eancia no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais te\u00f3ricos para classificar o portugu\u00eas europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atua\u00e7\u00e3o de terapeutas da fala.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Quais s\u00e3o as \"pegadinhas\" na l\u00edngua portuguesa para brasileiros em Portugal? - Canal Portugal<\/a><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal reinventa turismo para recuperar economia local no p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal vai inaugurar a maior ponte suspensa para pedestres do mundo<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n Quase 23 anos depois, agora morando em Cascais, munic\u00edpio do distrito de Lisboa, a portuguesinha n\u00e3o consegue exercer a fonoaudiologia porque seu portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 suficientemente portugu\u00eas, segundo o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por regular a profiss\u00e3o no pa\u00eds de Cam\u00f5es. Depois de passar por uma entrevista e escrever uma reda\u00e7\u00e3o, recebeu um documento dizendo que ela n\u00e3o domina a sem\u00e2ntica (sentido das palavras), a morfossintaxe (constru\u00e7\u00e3o das frases), a fon\u00e9tica e a fonologia (os sons) do portugu\u00eas europeu.<\/p>\n\n\n\n Preconceito lingu\u00edstico ou reserva de mercado seriam as verdadeiras motiva\u00e7\u00f5es para que seu credenciamento profissional em Portugal tenha sido negado, acredita Tha\u00eds. \"A exist\u00eancia da prova \u00e9 um disparate. Se eu n\u00e3o tivesse as habilidades lingu\u00edsticas, sequer conseguiria me comunicar com as entrevistadoras. A justificativa \u00e9 completamente inaceit\u00e1vel\", afirma a brasileira, que faz mestrado na \u00e1rea de linguagem na Universidade Nova de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Tha\u00eds n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonoaudi\u00f3loga formada no Brasil impedida de trabalhar como \"terapeuta da fala\" em Portugal -- assim \u00e9 a nomenclatura local. No dia de fazer a prova, conheceu outras fonos brasileiras, que acabaram se reunindo num grupo de WhatsApp, que foram chamando outras conhecidas. Hoje, o time das reclamantes t\u00eam quase 40 profissionais. Algumas ainda esperam ser convocadas para o exame, outras aguardam os resultados. O processo todo, entre dar entrada na papelada e receber o resultado, leva quase dois anos. Todas que j\u00e1 receberam resposta tiveram seus pedidos indeferidos com a mesma justificativa, ipsis litteris.<\/p>\n\n\n\n O n\u00famero total de profissionais tentando obter o registro deve ser muito maior -- nas redes das fonos brasileiras, especula-se que cheguem a 4 mil. Procurada pela reportagem, a Administra\u00e7\u00e3o Central do Sistema de Sa\u00fade (ACSS) n\u00e3o informou at\u00e9 quinta-feira (19) qual era o n\u00famero de pedidos de credenciamento total, quantos foram aceitos e quantos foram negados.<\/p>\n\n\n\n Com o recente aumento da emigra\u00e7\u00e3o brasileira para Portugal, alguns setores de profissionais da sa\u00fade sentem press\u00e3o com a chegada de diplomados. Mais de 50% dos dentistas estrangeiros que atuam em Portugal vieram do Brasil; s\u00e3o quase 500 com autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar. Entre os m\u00e9dicos, h\u00e1 quase 600 registros de brasileiros, com n\u00famero de pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o recorde em 2018.<\/p>\n\n\n\n Sem conseguir o registro, muitas fonos acabam trabalhando em fun\u00e7\u00f5es de baixa especializa\u00e7\u00e3o. Tha\u00eds conta que j\u00e1 trabalhou na parte administrativa de um asilo, mas n\u00e3o gostou. \"Sou fonoaudi\u00f3loga. Foi a profiss\u00e3o que escolhi para a minha vida e n\u00e3o sei ser outra coisa.\"<\/p>\n\n\n\n A prova para comprovar que falam portugu\u00eas passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS n\u00e3o explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de profici\u00eancia no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais te\u00f3ricos para classificar o portugu\u00eas europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atua\u00e7\u00e3o de terapeutas da fala.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Quais s\u00e3o as \"pegadinhas\" na l\u00edngua portuguesa para brasileiros em Portugal? - Canal Portugal<\/a><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal reinventa turismo para recuperar economia local no p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal vai inaugurar a maior ponte suspensa para pedestres do mundo<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n Quase 23 anos depois, agora morando em Cascais, munic\u00edpio do distrito de Lisboa, a portuguesinha n\u00e3o consegue exercer a fonoaudiologia porque seu portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 suficientemente portugu\u00eas, segundo o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por regular a profiss\u00e3o no pa\u00eds de Cam\u00f5es. Depois de passar por uma entrevista e escrever uma reda\u00e7\u00e3o, recebeu um documento dizendo que ela n\u00e3o domina a sem\u00e2ntica (sentido das palavras), a morfossintaxe (constru\u00e7\u00e3o das frases), a fon\u00e9tica e a fonologia (os sons) do portugu\u00eas europeu.<\/p>\n\n\n\n Preconceito lingu\u00edstico ou reserva de mercado seriam as verdadeiras motiva\u00e7\u00f5es para que seu credenciamento profissional em Portugal tenha sido negado, acredita Tha\u00eds. \"A exist\u00eancia da prova \u00e9 um disparate. Se eu n\u00e3o tivesse as habilidades lingu\u00edsticas, sequer conseguiria me comunicar com as entrevistadoras. A justificativa \u00e9 completamente inaceit\u00e1vel\", afirma a brasileira, que faz mestrado na \u00e1rea de linguagem na Universidade Nova de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Tha\u00eds n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonoaudi\u00f3loga formada no Brasil impedida de trabalhar como \"terapeuta da fala\" em Portugal -- assim \u00e9 a nomenclatura local. No dia de fazer a prova, conheceu outras fonos brasileiras, que acabaram se reunindo num grupo de WhatsApp, que foram chamando outras conhecidas. Hoje, o time das reclamantes t\u00eam quase 40 profissionais. Algumas ainda esperam ser convocadas para o exame, outras aguardam os resultados. O processo todo, entre dar entrada na papelada e receber o resultado, leva quase dois anos. Todas que j\u00e1 receberam resposta tiveram seus pedidos indeferidos com a mesma justificativa, ipsis litteris.<\/p>\n\n\n\n O n\u00famero total de profissionais tentando obter o registro deve ser muito maior -- nas redes das fonos brasileiras, especula-se que cheguem a 4 mil. Procurada pela reportagem, a Administra\u00e7\u00e3o Central do Sistema de Sa\u00fade (ACSS) n\u00e3o informou at\u00e9 quinta-feira (19) qual era o n\u00famero de pedidos de credenciamento total, quantos foram aceitos e quantos foram negados.<\/p>\n\n\n\n Com o recente aumento da emigra\u00e7\u00e3o brasileira para Portugal, alguns setores de profissionais da sa\u00fade sentem press\u00e3o com a chegada de diplomados. Mais de 50% dos dentistas estrangeiros que atuam em Portugal vieram do Brasil; s\u00e3o quase 500 com autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar. Entre os m\u00e9dicos, h\u00e1 quase 600 registros de brasileiros, com n\u00famero de pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o recorde em 2018.<\/p>\n\n\n\n Sem conseguir o registro, muitas fonos acabam trabalhando em fun\u00e7\u00f5es de baixa especializa\u00e7\u00e3o. Tha\u00eds conta que j\u00e1 trabalhou na parte administrativa de um asilo, mas n\u00e3o gostou. \"Sou fonoaudi\u00f3loga. Foi a profiss\u00e3o que escolhi para a minha vida e n\u00e3o sei ser outra coisa.\"<\/p>\n\n\n\n A prova para comprovar que falam portugu\u00eas passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS n\u00e3o explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de profici\u00eancia no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais te\u00f3ricos para classificar o portugu\u00eas europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atua\u00e7\u00e3o de terapeutas da fala.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Quais s\u00e3o as \"pegadinhas\" na l\u00edngua portuguesa para brasileiros em Portugal? - Canal Portugal<\/a><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal reinventa turismo para recuperar economia local no p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal vai inaugurar a maior ponte suspensa para pedestres do mundo<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n Quase 23 anos depois, agora morando em Cascais, munic\u00edpio do distrito de Lisboa, a portuguesinha n\u00e3o consegue exercer a fonoaudiologia porque seu portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 suficientemente portugu\u00eas, segundo o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por regular a profiss\u00e3o no pa\u00eds de Cam\u00f5es. Depois de passar por uma entrevista e escrever uma reda\u00e7\u00e3o, recebeu um documento dizendo que ela n\u00e3o domina a sem\u00e2ntica (sentido das palavras), a morfossintaxe (constru\u00e7\u00e3o das frases), a fon\u00e9tica e a fonologia (os sons) do portugu\u00eas europeu.<\/p>\n\n\n\n Preconceito lingu\u00edstico ou reserva de mercado seriam as verdadeiras motiva\u00e7\u00f5es para que seu credenciamento profissional em Portugal tenha sido negado, acredita Tha\u00eds. \"A exist\u00eancia da prova \u00e9 um disparate. Se eu n\u00e3o tivesse as habilidades lingu\u00edsticas, sequer conseguiria me comunicar com as entrevistadoras. A justificativa \u00e9 completamente inaceit\u00e1vel\", afirma a brasileira, que faz mestrado na \u00e1rea de linguagem na Universidade Nova de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n Tha\u00eds n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonoaudi\u00f3loga formada no Brasil impedida de trabalhar como \"terapeuta da fala\" em Portugal -- assim \u00e9 a nomenclatura local. No dia de fazer a prova, conheceu outras fonos brasileiras, que acabaram se reunindo num grupo de WhatsApp, que foram chamando outras conhecidas. Hoje, o time das reclamantes t\u00eam quase 40 profissionais. Algumas ainda esperam ser convocadas para o exame, outras aguardam os resultados. O processo todo, entre dar entrada na papelada e receber o resultado, leva quase dois anos. Todas que j\u00e1 receberam resposta tiveram seus pedidos indeferidos com a mesma justificativa, ipsis litteris.<\/p>\n\n\n\n O n\u00famero total de profissionais tentando obter o registro deve ser muito maior -- nas redes das fonos brasileiras, especula-se que cheguem a 4 mil. Procurada pela reportagem, a Administra\u00e7\u00e3o Central do Sistema de Sa\u00fade (ACSS) n\u00e3o informou at\u00e9 quinta-feira (19) qual era o n\u00famero de pedidos de credenciamento total, quantos foram aceitos e quantos foram negados.<\/p>\n\n\n\n Com o recente aumento da emigra\u00e7\u00e3o brasileira para Portugal, alguns setores de profissionais da sa\u00fade sentem press\u00e3o com a chegada de diplomados. Mais de 50% dos dentistas estrangeiros que atuam em Portugal vieram do Brasil; s\u00e3o quase 500 com autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar. Entre os m\u00e9dicos, h\u00e1 quase 600 registros de brasileiros, com n\u00famero de pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o recorde em 2018.<\/p>\n\n\n\n Sem conseguir o registro, muitas fonos acabam trabalhando em fun\u00e7\u00f5es de baixa especializa\u00e7\u00e3o. Tha\u00eds conta que j\u00e1 trabalhou na parte administrativa de um asilo, mas n\u00e3o gostou. \"Sou fonoaudi\u00f3loga. Foi a profiss\u00e3o que escolhi para a minha vida e n\u00e3o sei ser outra coisa.\"<\/p>\n\n\n\n A prova para comprovar que falam portugu\u00eas passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS n\u00e3o explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de profici\u00eancia no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais te\u00f3ricos para classificar o portugu\u00eas europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atua\u00e7\u00e3o de terapeutas da fala.<\/p>\n\n\n\n As diferen\u00e7as na forma de se expressar fazem com que um cidad\u00e3o portugu\u00eas reconhe\u00e7a um brasileiro no primeiro \"oi\", at\u00e9 porque, em Portugal, usa-se \"ol\u00e1\". Mas a l\u00edngua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990, e \u00f3rg\u00e3os oficiais, como a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), uma esp\u00e9cie de ONU, cujos objetivos comuns s\u00e3o a \"defesa do prest\u00edgio internacional\" e \"promo\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa\". Assim, em mai\u00fasculas, no singular e sem subdivis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio portugu\u00eas, embora pequeno, h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de palavras, constru\u00e7\u00e3o de frases e de pron\u00fancia. No sul do pa\u00eds, t\u00eanis \u00e9 chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o ger\u00fandio como no Brasil e como usava Cam\u00f5es, embora no restante do pa\u00eds a constru\u00e7\u00e3o normal seja diferente: dizem \"estou a escrever\", em vez de \"estou escrevendo\". No norte, o som do \"v\" se parece como o do \"b\", como se fala no espanhol.<\/p>\n\n\n\n Na pr\u00e1tica, as variantes do idioma n\u00e3o afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Tha\u00eds faz um est\u00e1gio em hospital n\u00e3o remunerado (porque n\u00e3o tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o. \"Fa\u00e7o v\u00e1rios exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas t\u00eam de repetir. Ningu\u00e9m nunca reclamou\", garante.<\/p>\n\n\n\n Tamb\u00e9m j\u00e1 ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o \/l\/ do jeitinho portugu\u00eas. \"C\u00e1 em Portugal o fonema \/l\/ no final das palavras produz-se com a eleva\u00e7\u00e3o da ponta da l\u00edngua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na mi\u00fada de 6 anos. Apesar de eu falar 'Portugau', porque sou brasileira, eu estudei a produ\u00e7\u00e3o fonoarticulat\u00f3ria dos fonemas\", explica ela, j\u00e1 introjetando o \"mi\u00fada\" caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n Por considerar o exame da ACSS \"um absurdo\", Tha\u00eds tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, portugu\u00eas. J\u00e1 tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a \u00fanica certifica\u00e7\u00e3o de idioma do Estado Portugu\u00eas, do Instituto Cam\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n Enquanto aguarda uma solu\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua no mestrado e faz at\u00e9 aulas de portugu\u00eas europeu. \"Resolvi estudar por causa do mestrado, n\u00e3o para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gram\u00e1tica ser diferente -- o que n\u00e3o quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas varia\u00e7\u00f5es\", explica.<\/p>\n\n\n\n Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, Tha\u00eds mant\u00e9m a esperan\u00e7a de conseguir validar de alguma forma seu diploma. J\u00e1 contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a. As demais se articulam para esperar a manifesta\u00e7\u00e3o do juiz e, dependendo do teor, entrar uma a\u00e7\u00e3o coletiva. Para ela, a hist\u00f3ria realmente ainda vai dar o que falar.<\/p>\n\n\n\n Em compensa\u00e7\u00e3o a exporta\u00e7\u00e3o aponta um ligeiro crescimento de 6,5%, pouco, por\u00e9m significativo para que as vin\u00edcolas portuguesas possam minimizar os preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o apenas houve queda na demanda como tamb\u00e9m no pre\u00e7o m\u00e9dio do vinho consumido. Em 2019 os portugueses pagavam em m\u00e9dia 14,9% a mais na garrafa do que em 2020. A queda no turismo, que chegou a 64%, e o adiamento de festas e casamentos s\u00e3o apontados pela pesquisa como os grandes respons\u00e1veis pelo resultado negativo.<\/p>\n\n\n\n Em compensa\u00e7\u00e3o a exporta\u00e7\u00e3o aponta um ligeiro crescimento de 6,5%, pouco, por\u00e9m significativo para que as vin\u00edcolas portuguesas possam minimizar os preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n Devido \u00e0 pandemia de Covid-19 e a restri\u00e7\u00e3o nas viagens o setor de vinhos amarga um s\u00e9rio preju\u00edzo. \"S\u00e3o menos 189 milh\u00f5es de euros do que em 2019, o que representa uma perda di\u00e1ria de 690 mil euros nos primeiros nove meses do ano\", diz Maria Jo\u00e3o Dias, do Departamento de Estudos e Apoio \u00e0 Internacionaliza\u00e7\u00e3o do Instituto da Vinha e do Vinho.<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o apenas houve queda na demanda como tamb\u00e9m no pre\u00e7o m\u00e9dio do vinho consumido. Em 2019 os portugueses pagavam em m\u00e9dia 14,9% a mais na garrafa do que em 2020. A queda no turismo, que chegou a 64%, e o adiamento de festas e casamentos s\u00e3o apontados pela pesquisa como os grandes respons\u00e1veis pelo resultado negativo.<\/p>\n\n\n\n Em compensa\u00e7\u00e3o a exporta\u00e7\u00e3o aponta um ligeiro crescimento de 6,5%, pouco, por\u00e9m significativo para que as vin\u00edcolas portuguesas possam minimizar os preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n Indo na contram\u00e3o do mercado brasileiro que apresentou forte alta, Portugal, por ser um pa\u00eds pequeno e pouco populoso, tem uma grande depend\u00eancia do turismo para fomentar as vendas de vinho.<\/p>\n\n\n\n Devido \u00e0 pandemia de Covid-19 e a restri\u00e7\u00e3o nas viagens o setor de vinhos amarga um s\u00e9rio preju\u00edzo. \"S\u00e3o menos 189 milh\u00f5es de euros do que em 2019, o que representa uma perda di\u00e1ria de 690 mil euros nos primeiros nove meses do ano\", diz Maria Jo\u00e3o Dias, do Departamento de Estudos e Apoio \u00e0 Internacionaliza\u00e7\u00e3o do Instituto da Vinha e do Vinho.<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o apenas houve queda na demanda como tamb\u00e9m no pre\u00e7o m\u00e9dio do vinho consumido. Em 2019 os portugueses pagavam em m\u00e9dia 14,9% a mais na garrafa do que em 2020. A queda no turismo, que chegou a 64%, e o adiamento de festas e casamentos s\u00e3o apontados pela pesquisa como os grandes respons\u00e1veis pelo resultado negativo.<\/p>\n\n\n\n Em compensa\u00e7\u00e3o a exporta\u00e7\u00e3o aponta um ligeiro crescimento de 6,5%, pouco, por\u00e9m significativo para que as vin\u00edcolas portuguesas possam minimizar os preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n O mercado portugu\u00eas teve uma queda de 10,9% no consumo de vinho nos nove primeiros meses de 2020.<\/p>\n\n\n\n Indo na contram\u00e3o do mercado brasileiro que apresentou forte alta, Portugal, por ser um pa\u00eds pequeno e pouco populoso, tem uma grande depend\u00eancia do turismo para fomentar as vendas de vinho.<\/p>\n\n\n\n Devido \u00e0 pandemia de Covid-19 e a restri\u00e7\u00e3o nas viagens o setor de vinhos amarga um s\u00e9rio preju\u00edzo. \"S\u00e3o menos 189 milh\u00f5es de euros do que em 2019, o que representa uma perda di\u00e1ria de 690 mil euros nos primeiros nove meses do ano\", diz Maria Jo\u00e3o Dias, do Departamento de Estudos e Apoio \u00e0 Internacionaliza\u00e7\u00e3o do Instituto da Vinha e do Vinho.<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o apenas houve queda na demanda como tamb\u00e9m no pre\u00e7o m\u00e9dio do vinho consumido. Em 2019 os portugueses pagavam em m\u00e9dia 14,9% a mais na garrafa do que em 2020. A queda no turismo, que chegou a 64%, e o adiamento de festas e casamentos s\u00e3o apontados pela pesquisa como os grandes respons\u00e1veis pelo resultado negativo.<\/p>\n\n\n\n Em compensa\u00e7\u00e3o a exporta\u00e7\u00e3o aponta um ligeiro crescimento de 6,5%, pouco, por\u00e9m significativo para que as vin\u00edcolas portuguesas possam minimizar os preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n O mercado portugu\u00eas teve uma queda de 10,9% no consumo de vinho nos nove primeiros meses de 2020.<\/p>\n\n\n\n Indo na contram\u00e3o do mercado brasileiro que apresentou forte alta, Portugal, por ser um pa\u00eds pequeno e pouco populoso, tem uma grande depend\u00eancia do turismo para fomentar as vendas de vinho.<\/p>\n\n\n\n Devido \u00e0 pandemia de Covid-19 e a restri\u00e7\u00e3o nas viagens o setor de vinhos amarga um s\u00e9rio preju\u00edzo. \"S\u00e3o menos 189 milh\u00f5es de euros do que em 2019, o que representa uma perda di\u00e1ria de 690 mil euros nos primeiros nove meses do ano\", diz Maria Jo\u00e3o Dias, do Departamento de Estudos e Apoio \u00e0 Internacionaliza\u00e7\u00e3o do Instituto da Vinha e do Vinho.<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o apenas houve queda na demanda como tamb\u00e9m no pre\u00e7o m\u00e9dio do vinho consumido. Em 2019 os portugueses pagavam em m\u00e9dia 14,9% a mais na garrafa do que em 2020. A queda no turismo, que chegou a 64%, e o adiamento de festas e casamentos s\u00e3o apontados pela pesquisa como os grandes respons\u00e1veis pelo resultado negativo.<\/p>\n\n\n\n Em compensa\u00e7\u00e3o a exporta\u00e7\u00e3o aponta um ligeiro crescimento de 6,5%, pouco, por\u00e9m significativo para que as vin\u00edcolas portuguesas possam minimizar os preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal reinventa turismo para recuperar economia local no p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n O mercado portugu\u00eas teve uma queda de 10,9% no consumo de vinho nos nove primeiros meses de 2020.<\/p>\n\n\n\n Indo na contram\u00e3o do mercado brasileiro que apresentou forte alta, Portugal, por ser um pa\u00eds pequeno e pouco populoso, tem uma grande depend\u00eancia do turismo para fomentar as vendas de vinho.<\/p>\n\n\n\n Devido \u00e0 pandemia de Covid-19 e a restri\u00e7\u00e3o nas viagens o setor de vinhos amarga um s\u00e9rio preju\u00edzo. \"S\u00e3o menos 189 milh\u00f5es de euros do que em 2019, o que representa uma perda di\u00e1ria de 690 mil euros nos primeiros nove meses do ano\", diz Maria Jo\u00e3o Dias, do Departamento de Estudos e Apoio \u00e0 Internacionaliza\u00e7\u00e3o do Instituto da Vinha e do Vinho.<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o apenas houve queda na demanda como tamb\u00e9m no pre\u00e7o m\u00e9dio do vinho consumido. Em 2019 os portugueses pagavam em m\u00e9dia 14,9% a mais na garrafa do que em 2020. A queda no turismo, que chegou a 64%, e o adiamento de festas e casamentos s\u00e3o apontados pela pesquisa como os grandes respons\u00e1veis pelo resultado negativo.<\/p>\n\n\n\n Em compensa\u00e7\u00e3o a exporta\u00e7\u00e3o aponta um ligeiro crescimento de 6,5%, pouco, por\u00e9m significativo para que as vin\u00edcolas portuguesas possam minimizar os preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Faf\u00e1 de Bel\u00e9m visita vin\u00edcola em Portugal e se diverte pisando em uvas<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal reinventa turismo para recuperar economia local no p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n O mercado portugu\u00eas teve uma queda de 10,9% no consumo de vinho nos nove primeiros meses de 2020.<\/p>\n\n\n\n Indo na contram\u00e3o do mercado brasileiro que apresentou forte alta, Portugal, por ser um pa\u00eds pequeno e pouco populoso, tem uma grande depend\u00eancia do turismo para fomentar as vendas de vinho.<\/p>\n\n\n\n Devido \u00e0 pandemia de Covid-19 e a restri\u00e7\u00e3o nas viagens o setor de vinhos amarga um s\u00e9rio preju\u00edzo. \"S\u00e3o menos 189 milh\u00f5es de euros do que em 2019, o que representa uma perda di\u00e1ria de 690 mil euros nos primeiros nove meses do ano\", diz Maria Jo\u00e3o Dias, do Departamento de Estudos e Apoio \u00e0 Internacionaliza\u00e7\u00e3o do Instituto da Vinha e do Vinho.<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o apenas houve queda na demanda como tamb\u00e9m no pre\u00e7o m\u00e9dio do vinho consumido. Em 2019 os portugueses pagavam em m\u00e9dia 14,9% a mais na garrafa do que em 2020. A queda no turismo, que chegou a 64%, e o adiamento de festas e casamentos s\u00e3o apontados pela pesquisa como os grandes respons\u00e1veis pelo resultado negativo.<\/p>\n\n\n\n Em compensa\u00e7\u00e3o a exporta\u00e7\u00e3o aponta um ligeiro crescimento de 6,5%, pouco, por\u00e9m significativo para que as vin\u00edcolas portuguesas possam minimizar os preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Conhe\u00e7a os brasileiros que produzem (grandes) vinhos em Portugal - Canal Portugal<\/a><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Faf\u00e1 de Bel\u00e9m visita vin\u00edcola em Portugal e se diverte pisando em uvas<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal reinventa turismo para recuperar economia local no p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n O mercado portugu\u00eas teve uma queda de 10,9% no consumo de vinho nos nove primeiros meses de 2020.<\/p>\n\n\n\n Indo na contram\u00e3o do mercado brasileiro que apresentou forte alta, Portugal, por ser um pa\u00eds pequeno e pouco populoso, tem uma grande depend\u00eancia do turismo para fomentar as vendas de vinho.<\/p>\n\n\n\n Devido \u00e0 pandemia de Covid-19 e a restri\u00e7\u00e3o nas viagens o setor de vinhos amarga um s\u00e9rio preju\u00edzo. \"S\u00e3o menos 189 milh\u00f5es de euros do que em 2019, o que representa uma perda di\u00e1ria de 690 mil euros nos primeiros nove meses do ano\", diz Maria Jo\u00e3o Dias, do Departamento de Estudos e Apoio \u00e0 Internacionaliza\u00e7\u00e3o do Instituto da Vinha e do Vinho.<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o apenas houve queda na demanda como tamb\u00e9m no pre\u00e7o m\u00e9dio do vinho consumido. Em 2019 os portugueses pagavam em m\u00e9dia 14,9% a mais na garrafa do que em 2020. A queda no turismo, que chegou a 64%, e o adiamento de festas e casamentos s\u00e3o apontados pela pesquisa como os grandes respons\u00e1veis pelo resultado negativo.<\/p>\n\n\n\n Em compensa\u00e7\u00e3o a exporta\u00e7\u00e3o aponta um ligeiro crescimento de 6,5%, pouco, por\u00e9m significativo para que as vin\u00edcolas portuguesas possam minimizar os preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Conhe\u00e7a os brasileiros que produzem (grandes) vinhos em Portugal - Canal Portugal<\/a><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Faf\u00e1 de Bel\u00e9m visita vin\u00edcola em Portugal e se diverte pisando em uvas<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal reinventa turismo para recuperar economia local no p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n O mercado portugu\u00eas teve uma queda de 10,9% no consumo de vinho nos nove primeiros meses de 2020.<\/p>\n\n\n\n Indo na contram\u00e3o do mercado brasileiro que apresentou forte alta, Portugal, por ser um pa\u00eds pequeno e pouco populoso, tem uma grande depend\u00eancia do turismo para fomentar as vendas de vinho.<\/p>\n\n\n\n Devido \u00e0 pandemia de Covid-19 e a restri\u00e7\u00e3o nas viagens o setor de vinhos amarga um s\u00e9rio preju\u00edzo. \"S\u00e3o menos 189 milh\u00f5es de euros do que em 2019, o que representa uma perda di\u00e1ria de 690 mil euros nos primeiros nove meses do ano\", diz Maria Jo\u00e3o Dias, do Departamento de Estudos e Apoio \u00e0 Internacionaliza\u00e7\u00e3o do Instituto da Vinha e do Vinho.<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o apenas houve queda na demanda como tamb\u00e9m no pre\u00e7o m\u00e9dio do vinho consumido. Em 2019 os portugueses pagavam em m\u00e9dia 14,9% a mais na garrafa do que em 2020. A queda no turismo, que chegou a 64%, e o adiamento de festas e casamentos s\u00e3o apontados pela pesquisa como os grandes respons\u00e1veis pelo resultado negativo.<\/p>\n\n\n\n Em compensa\u00e7\u00e3o a exporta\u00e7\u00e3o aponta um ligeiro crescimento de 6,5%, pouco, por\u00e9m significativo para que as vin\u00edcolas portuguesas possam minimizar os preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Conhe\u00e7a os brasileiros que produzem (grandes) vinhos em Portugal - Canal Portugal<\/a><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Faf\u00e1 de Bel\u00e9m visita vin\u00edcola em Portugal e se diverte pisando em uvas<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal reinventa turismo para recuperar economia local no p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n O mercado portugu\u00eas teve uma queda de 10,9% no consumo de vinho nos nove primeiros meses de 2020.<\/p>\n\n\n\n Indo na contram\u00e3o do mercado brasileiro que apresentou forte alta, Portugal, por ser um pa\u00eds pequeno e pouco populoso, tem uma grande depend\u00eancia do turismo para fomentar as vendas de vinho.<\/p>\n\n\n\n Devido \u00e0 pandemia de Covid-19 e a restri\u00e7\u00e3o nas viagens o setor de vinhos amarga um s\u00e9rio preju\u00edzo. \"S\u00e3o menos 189 milh\u00f5es de euros do que em 2019, o que representa uma perda di\u00e1ria de 690 mil euros nos primeiros nove meses do ano\", diz Maria Jo\u00e3o Dias, do Departamento de Estudos e Apoio \u00e0 Internacionaliza\u00e7\u00e3o do Instituto da Vinha e do Vinho.<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o apenas houve queda na demanda como tamb\u00e9m no pre\u00e7o m\u00e9dio do vinho consumido. Em 2019 os portugueses pagavam em m\u00e9dia 14,9% a mais na garrafa do que em 2020. A queda no turismo, que chegou a 64%, e o adiamento de festas e casamentos s\u00e3o apontados pela pesquisa como os grandes respons\u00e1veis pelo resultado negativo.<\/p>\n\n\n\n Em compensa\u00e7\u00e3o a exporta\u00e7\u00e3o aponta um ligeiro crescimento de 6,5%, pouco, por\u00e9m significativo para que as vin\u00edcolas portuguesas possam minimizar os preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n A tend\u00eancia recessiva verificada nos \u00faltimos anos traduziu-se numa perda relativa de import\u00e2ncia da imigra\u00e7\u00e3o portuguesa, explica a investigadora. Se em 2013, os portugueses representaram 4,7% das entradas de migrantes no Brasil, em 2019 representavam apenas 2,3%.<\/p>\n\n\n\n Apesar desta mudan\u00e7a, o n\u00famero de portugueses entrados no Brasil est\u00e1 ainda muito longe do observado em 2013, onde, na altura, entraram 2904 cidad\u00e3os lusos, por sinal o valor mais alto do per\u00edodo em an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n A tend\u00eancia recessiva verificada nos \u00faltimos anos traduziu-se numa perda relativa de import\u00e2ncia da imigra\u00e7\u00e3o portuguesa, explica a investigadora. Se em 2013, os portugueses representaram 4,7% das entradas de migrantes no Brasil, em 2019 representavam apenas 2,3%.<\/p>\n\n\n\n Assim, em 2018 e 2019, a emigra\u00e7\u00e3o portuguesa para o Brasil cresceu 5% e 11,7%, respetivamente. Este crescimento contraria a tend\u00eancia de decr\u00e9scimo das entradas de portugueses em territ\u00f3rio brasileiro que se registava desde 2014.<\/p>\n\n\n\n Apesar desta mudan\u00e7a, o n\u00famero de portugueses entrados no Brasil est\u00e1 ainda muito longe do observado em 2013, onde, na altura, entraram 2904 cidad\u00e3os lusos, por sinal o valor mais alto do per\u00edodo em an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n A tend\u00eancia recessiva verificada nos \u00faltimos anos traduziu-se numa perda relativa de import\u00e2ncia da imigra\u00e7\u00e3o portuguesa, explica a investigadora. Se em 2013, os portugueses representaram 4,7% das entradas de migrantes no Brasil, em 2019 representavam apenas 2,3%.<\/p>\n\n\n\n O mesmo organismo estatal contabilizou um total de 31297 entradas de estrangeiros no Brasil, tendo os portugueses representado 2,3% desse n\u00famero final.<\/p>\n\n\n\n Assim, em 2018 e 2019, a emigra\u00e7\u00e3o portuguesa para o Brasil cresceu 5% e 11,7%, respetivamente. Este crescimento contraria a tend\u00eancia de decr\u00e9scimo das entradas de portugueses em territ\u00f3rio brasileiro que se registava desde 2014.<\/p>\n\n\n\n Apesar desta mudan\u00e7a, o n\u00famero de portugueses entrados no Brasil est\u00e1 ainda muito longe do observado em 2013, onde, na altura, entraram 2904 cidad\u00e3os lusos, por sinal o valor mais alto do per\u00edodo em an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n A tend\u00eancia recessiva verificada nos \u00faltimos anos traduziu-se numa perda relativa de import\u00e2ncia da imigra\u00e7\u00e3o portuguesa, explica a investigadora. Se em 2013, os portugueses representaram 4,7% das entradas de migrantes no Brasil, em 2019 representavam apenas 2,3%.<\/p>\n\n\n\n Dados divulgados ontem pelo Observat\u00f3rio da Emigra\u00e7\u00e3o <\/a>revelam que, durante 2019, entraram no Brasil 705 portugueses. Os valores revelados pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica brasileiro e compilados pela investigadora In\u00eas Vidigal mostram que ocorreu um aumento de quase 12%.<\/p>\n\n\n\n O mesmo organismo estatal contabilizou um total de 31297 entradas de estrangeiros no Brasil, tendo os portugueses representado 2,3% desse n\u00famero final.<\/p>\n\n\n\n Assim, em 2018 e 2019, a emigra\u00e7\u00e3o portuguesa para o Brasil cresceu 5% e 11,7%, respetivamente. Este crescimento contraria a tend\u00eancia de decr\u00e9scimo das entradas de portugueses em territ\u00f3rio brasileiro que se registava desde 2014.<\/p>\n\n\n\n Apesar desta mudan\u00e7a, o n\u00famero de portugueses entrados no Brasil est\u00e1 ainda muito longe do observado em 2013, onde, na altura, entraram 2904 cidad\u00e3os lusos, por sinal o valor mais alto do per\u00edodo em an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n A tend\u00eancia recessiva verificada nos \u00faltimos anos traduziu-se numa perda relativa de import\u00e2ncia da imigra\u00e7\u00e3o portuguesa, explica a investigadora. Se em 2013, os portugueses representaram 4,7% das entradas de migrantes no Brasil, em 2019 representavam apenas 2,3%.<\/p>\n\n\n\n Dados divulgados ontem pelo Observat\u00f3rio da Emigra\u00e7\u00e3o <\/a>revelam que, durante 2019, entraram no Brasil 705 portugueses. Os valores revelados pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica brasileiro e compilados pela investigadora In\u00eas Vidigal mostram que ocorreu um aumento de quase 12%.<\/p>\n\n\n\n O mesmo organismo estatal contabilizou um total de 31297 entradas de estrangeiros no Brasil, tendo os portugueses representado 2,3% desse n\u00famero final.<\/p>\n\n\n\n Assim, em 2018 e 2019, a emigra\u00e7\u00e3o portuguesa para o Brasil cresceu 5% e 11,7%, respetivamente. Este crescimento contraria a tend\u00eancia de decr\u00e9scimo das entradas de portugueses em territ\u00f3rio brasileiro que se registava desde 2014.<\/p>\n\n\n\n Apesar desta mudan\u00e7a, o n\u00famero de portugueses entrados no Brasil est\u00e1 ainda muito longe do observado em 2013, onde, na altura, entraram 2904 cidad\u00e3os lusos, por sinal o valor mais alto do per\u00edodo em an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n A tend\u00eancia recessiva verificada nos \u00faltimos anos traduziu-se numa perda relativa de import\u00e2ncia da imigra\u00e7\u00e3o portuguesa, explica a investigadora. Se em 2013, os portugueses representaram 4,7% das entradas de migrantes no Brasil, em 2019 representavam apenas 2,3%.<\/p>\n\n\n\nQuando Tha\u00eds Cruz chegou a S\u00e3o Paulo falando \"tu vais\", \"tu queres\", os colegas da faculdade de fonoaudiologia logo a apelidaram de portuguesinha. Tha\u00eds vinha na verdade de Bel\u00e9m, Par\u00e1, cidade onde se usa a segunda pessoa do singular (tu) por padr\u00e3o. Tha\u00eds precisou viajar 2,5 mil km para fazer o curso porque, em 1997, n\u00e3o havia fonoaudiologia em nenhuma faculdade paraense.<\/h4>\n\n\n\n
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Quando Tha\u00eds Cruz chegou a S\u00e3o Paulo falando \"tu vais\", \"tu queres\", os colegas da faculdade de fonoaudiologia logo a apelidaram de portuguesinha. Tha\u00eds vinha na verdade de Bel\u00e9m, Par\u00e1, cidade onde se usa a segunda pessoa do singular (tu) por padr\u00e3o. Tha\u00eds precisou viajar 2,5 mil km para fazer o curso porque, em 1997, n\u00e3o havia fonoaudiologia em nenhuma faculdade paraense.<\/h4>\n\n\n\n
Pa\u00eds deixou de vender 690 mil euros por dia nos nove primeiros meses de 2020.<\/h4>\n\n\n\n
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Pa\u00eds deixou de vender 690 mil euros por dia nos nove primeiros meses de 2020.<\/h4>\n\n\n\n