Socialistas vencem eleições europeias em Portugal; abstenção bate recorde


Por EFE.

O Partido Socialista venceu neste domingo as eleições em Portugal para o Parlamento Europeu com 33,4% dos votos, uma vantagem de mais de 11 pontos percentuais sobre o Partido Social Democrata (PSD), de centro-direita, em um pleito marcado por um recorde histórico de abstenção, de cerca de 70%.

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(Foto – Olivier Hoslet / Lusa)

Com a apuração praticamente concluída (99,8%), já é certo que os socialistas – que comandam o governo do país com o primeiro-ministro António Costa – mandarão seis deputados para a Eurocâmara, superando a marca de 2014, quando conseguiram 31,45% dos votos.

O PSD ficou com 22,15% dos votos e quatro eurodeputados, abaixo dos 27,71% de cinco anos atrás, quando concorreu em coalizão com o democrata-cristão CDS-PP. Nestas eleições, o CDS-PP foi a quinta legenda mais votada, com 6,23% dos votos e emplacou um eurodeputado.

O terceiro partido mais votado foi o marxista Bloco de Esquerda, com 9,8% (quase dobrando os 4,56% que conseguiu em 2014), o que lhe renderá um eurodeputado.

No sentido contrário caminhou a coalizão CDU, entre o Partido Comunista Português e os Verdes, que ficou com 6,7% dos votos e um eurodeputado, muito abaixo dos 12,68% que recebeu em 2014.
Além disso, uma nova legenda entrará para a Eurocâmara, o Partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza, que obteve 5,07% dos votos e um eurodeputado.

A abstenção, de 68,7%, foi a mais alta em uma eleição europeia em Portugal.

Perto da meia-noite (horário local), o premiê António Costa fez discurso para os correligionários do PS e agradeceu “o voto de confiança que o partido recebe com humildade e senso de responsabilidade”.

“Interpretamos este resultado não como um cheque em branco, mas com responsabilidade, determinação e mais energia para fazer mais e melhor, se mantendo no rumo certo”, afirmou.

Os resultados confirmam o apoio ao PS e aos partidos de esquerda que fecharam acordo para formar o governo, e uma punição para a direita, segundo o primeiro-ministro, que evitou comentar as pesquisas que lhe mostram em vantagem para o pleito legislativo de outubro.

Costa também mostrou “respeito por quem decidiu não votar”. “Todos temos a responsabilidade de ver o que devemos fazer melhor para que se sintam parte do projeto europeu”, comentou.

Apesar da derrota sofrida nas urnas, o presidente do PSD, Rui Rio, rejeitou a possibilidade de renunciar e se mostrou convencido de que pode levar o partido a “um bom resultado” nas eleições gerais de outubro.

“Eu não abandono, assumo minhas responsabilidades”, disse Rio, considerando que o alto índice de abstenção é uma “derrota” para todos e confirma que “a eleição europeia não tem nada a ver com as legislativas”.

O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, comemorou a “clara maioria pró-Europa” mostrada pelo resultado em Portugal, mas ressaltou que, em relação à abstenção, os políticos portugueses devem tentar fazer com “que aqueles que decidiram não escolher, passem a escolher”.

As eleições europeias em Portugal eram vistas como um tipo de primárias das legislativas marcadas para outubro e um teste de força para Costa.

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