Portimonense tem nove jogadores brasileiros e surpreende grandes de Portugal

Por Marcus Alves.

Revelação do São Paulo, Paulo Bóia se encontra em sua primeira experiência profissional no exterior, emprestado ao Portimonense, em Portugal. Até o momento, o atacante de 20 anos tem tirado o desafio praticamente de letra, exceto por um motivo.

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Portimonense tem nove jogadores formados em Cotia em seu elenco atual. (Foto-Arquivo Pessoal)

“Outro dia, vi que tinha usado a maioria das minhas roupas e tive de ligar para a minha irmã porque não sabia o que comprar para lavar, amaciante e outros produtos. Ela, então, me disse o que ver no mercado, separar as roupas brancas das pretas para não manchar”, Bóia conta, aos risos, ao repórter. Ele mora em um hotel e deverá se mudar para um apartamento em breve.

“Em Cotia, não arrumava nem cama. Fazia, no máximo, um pão na chapa”, completa.

A fábrica de talentos tricolor, conhecida por sua excelente estrutura, é assunto recorrente em Portimão, cidade que fica na região paradisíaca do Algarve. Ao todo, o time local possui nove jogadores formados em Cotia em seu elenco. Além de Bóia, o goleiro Léo Navacchio, os zagueiros Lucas Possignolo e Vitor Tormena e os meias Marcel, Dener, Iago Oliveira, Gustavo Hebling e Lucas Fernandes completam a legião no clube.

Quatro deles foram titulares e outros dois entraram durante o jogo na vitória recente de 4 a 2 sobre o Sporting, dentro de casa, pela liga portuguesa. O resultado surpreendente contra um dos três grandes repercutiu em todo o país e pôs o trabalho em evidência.

Os ex-são-paulinos já foram manchete de reportagem recente, com direito a foto de todos lado a lado, no jornal Record.

Ligado ao empresário Teodoro Fonseca, que cuidou da carreira de Hulk e outros nomes, o Portimonense se encontra em sua segunda temporada na elite e possui fortes raízes brasileiras. Entre outros, ele tem como vice-presidente o ex-atacante Robson Ponte, que atuou por Guarani, Bayer Leverkusen e Wolfsburg.

“Eles dão total atenção para a gente, sempre buscando o melhor. Faz toda a diferença na adaptação”, explica Lucas Fernandes.

Camisetas do São Paulo em Portimão

Nas últimas semanas, Paulo Bóia e Lucas Fernandes foram flagrados inclusive andando pelas ruas de Portimão com o uniforme tricolor. Os dois estão emprestados com opção de compra e acabaram sendo os últimos a desembarcar para a temporada. O meia vê com naturalidade essa identificação.

“Eu trouxe comigo muita coisa que o São Paulo ensinou e vou levar para onde for a experiência e aprendizado que tive no clube. Sempre que dá, assistimos aos jogos. A rotina não é muito diferente por aqui – treinamos de manhã, às vezes em dois períodos. Mas, quando não acontece, ficamos com o dia livre”, afirma Lucas, que foi um dos melhores em campo contra o Sporting, com um percentual superior a 90% no acerto de passes.

O Portimonense não esconde que o seu objetivo é fazer dinheiro com a venda de atletas. Em uma vitrine europeia, o bonde são-paulino tem espaço de sobra para se mostrar a cada semana.

Desde 2013 atuando pelos portugueses, Possignolo faz hoje o papel de anfitrião do grupo. Um dos destaques na última temporada, o zagueiro de 24 anos esteve nos planos do Bétis e foi quem mais esteve próximo de deixar a equipe. O desejo de alçar voos mais altos é comum a todos.

Bóia, que já chegou a ser procurado pelo Red Bull Salzburg, da Áustria, e pelo Watford, da Inglaterra, abriu mão de outras propostas para reencontrar os ex-companheiros.

“Estava sem muita chance no São Paulo. O treinador e a diretoria às vezes vinham falar comigo, perguntar se queria ser emprestado, rodar um pouco, ter mais oportunidade. Eu tinha tudo certo para ir para o Fortaleza. O Rogério (Ceni) tinha falado comigo. Mas o meu empresário (Luciano Couto) está morando agora em Madri e, na mesma semana, surgiu essa possibilidade daqui”, explica o garoto.

“Ele me perguntou, então, o que eu queria e eu disse que preferia vir para Portugal, pegar essa rodagem no futebol europeu, amadurecer, aprender a marcar. Só tenho a ganhar para, quem sabe, voltar melhor”, prossegue.

“Dou um exemplo dessa mudança: no São Paulo, era jogo meio de semana e fim de semana. Sempre foi muito raro termos treino de intensidade. Aqui, só jogamos de domingo a domingo. O resultado é que treinamos muito mais e, como o ritmo é pegado, dava um pique no início e cansava. É totalmente diferente, mas, depois de adaptado, não tem problema”, conclui.

Em caso de sucesso, essa é uma rota pode se tornar ainda mais comum para outras promessas tricolores. No ano passado, o meia-atacante Lucas Moura chegou a visitar o clube para rever os colegas. Enquanto não é possível fisgar nomes como o destaque do Tottenham, o Portimonense vai incomodando com a sua ‘filial’ são-paulina.

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