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\u201cSim, confirmamos que existem dois casos. Estamos a fazer todos os procedimentos de preven\u00e7\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o. Todos os que contactaram com os dois pacientes foram j\u00e1 avisados para fazerem tamb\u00e9m teste\u201d, disse a diretora de comunica\u00e7\u00e3o da TVI, Helena Forjaz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n

No Brasil por exemplo, a TV Globo e a Rede Record, ainda estudam e preparam toda uma estrutura, para voltar \u00e0s atividades em seus departamentos de dramaturgia. Em outros pa\u00edses as grava\u00e7\u00f5es j\u00e1 ocorrem, novamente, apesar da pandemia do novo coronav\u00edrus. <\/p>\n\n\n\n

\nhttps:\/\/youtu.be\/4_No_4w_0EI\n<\/div><\/figure>\n","post_title":"Ap\u00f3s voltar a gravar novela, emissora TVi registra casos de coronav\u00edrus em sua equipe","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"apos-voltar-a-gravar-novela-emissora-tvi-registra-casos-de-coronavirus-em-sua-equipe","to_ping":"","pinged":"\nhttps:\/\/canalportugal.pt\/elvas-um-dos-mais-incrives-destinos-em-portugal\/","post_modified":"2020-07-19 14:06:42","post_modified_gmt":"2020-07-19 14:06:42","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=12487","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"},{"ID":8973,"post_author":"1","post_date":"2018-10-20 16:33:05","post_date_gmt":"2018-10-20 16:33:05","post_content":"Por BBC News<\/em><\/a>.\r\n\r\nDesde 2015, a Uni\u00e3o Europeia observa a ascens\u00e3o educacional de um pa\u00eds que, a despeito de ainda sentir os efeitos de uma grave crise econ\u00f4mica e estar entre os mais pobres do bloco, chama aten\u00e7\u00e3o por seus resultados no principal teste internacional de educa\u00e7\u00e3o.<\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Educa\u00e7\u00e3o de Portugal \u00e9 a \u00fanica da Europa que melhora a cada ano<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0A difere\u00e7a entre t\u00edtulos de filmes no Brasil e em Portugal<\/a><\/strong>\r\n\r\n\"\" No \u00faltimo relat\u00f3rio \u201cEduca\u00e7\u00e3o para Todos\u201d, publicado em abril, Portugal surge entre os pa\u00edses que transitaram para o modelo social de defici\u00eancia. (Imagem-UNESCO)[\/caption]\r\n\r\nPortugal conseguiu que seus alunos de 15 anos ficassem acima da m\u00e9dia da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE, organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m conhecida como \"clube dos ricos\") nos dom\u00ednios avaliados pelo Pisa: ci\u00eancias, leitura e matem\u00e1tica.\r\n\r\nAli\u00e1s, desde que o exame come\u00e7ou a ser aplicado pela OCDE nos anos 2000, a cada tr\u00eas anos, Portugal avan\u00e7a um \"bocadinho\".\r\n\r\nAssim, h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada e meia, o pa\u00eds europeu mant\u00e9m essa trajet\u00f3ria nos seus resultados e \u00e9 o \u00fanico do continente que melhora seu desempenho a cada ano.\r\n\r\nNem mesmo nos per\u00edodos mais duros da \u00faltima grande crise, com a redu\u00e7\u00e3o de investimentos e o ajuste fiscal imposto pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela Comiss\u00e3o Europeia, essa evolu\u00e7\u00e3o cessou.\r\n\u00c9 tamanha a consist\u00eancia de resultados que Portugal hoje recebe informalmente a alcunha de \"estrela ascendente da educa\u00e7\u00e3o internacional\" - e fez isso sem apostar em nenhuma grande estrat\u00e9gia educativa, mas investindo nas pessoas que formam a comunidade escolar, especialmente as m\u00e3es e as crian\u00e7as de 0 a 6 anos.\r\n\r\nApesar dos resultados positivos, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 de que ainda h\u00e1 muito a melhorar. A recomenda\u00e7\u00e3o do professor Ant\u00f3nio Gomes Ferreira, diretor da Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Coimbra, \u00e9 ter prud\u00eancia na leitura dos dados.\r\n\r\n\"O Pisa traduz uma boa evolu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o uma boa coloca\u00e7\u00e3o: Portugal est\u00e1 apenas ligeiramente acima da m\u00e9dia da OCDE, ocupando um lugar simplesmente mediano\", afirma.\r\n\r\nEntre os 72 participantes no teste, a pontua\u00e7\u00e3o de Portugal na \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o foi oito pontos superiores \u00e0 m\u00e9dia em ci\u00eancias, cinco pontos em leitura e dois pontos em matem\u00e1tica - esta \u00faltima diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 considerada estatisticamente significativa.\r\n\r\nA coloca\u00e7\u00e3o final dos alunos portugueses foi 17\u00ba lugar em ci\u00eancias, 18\u00ba em leitura e 22\u00ba em matem\u00e1tica - o que posiciona o pa\u00eds entre os melhores do mundo, mas distante ainda do desempenho dos sistemas educacionais de refer\u00eancia globais, como Cingapura, Finl\u00e2ndia, Hong Kong, Canad\u00e1 e Su\u00ed\u00e7a.\r\n\r\n\"O que o Pisa e outras avalia\u00e7\u00f5es nos mostram \u00e9 que Portugal est\u00e1 num patamar de pa\u00eds desenvolvido, mas ainda longe de acompanhar os que est\u00e3o no topo\", diz Gomes Ferreira, que coordena o Grupo de Pol\u00edticas Educativas e Din\u00e2micas Educacionais do Centro de Estudos Interdisciplinares do S\u00e9culo 20 (CEIS20).\r\n\r\n\"\" Educa\u00e7\u00e3o. [Foto: Lusa][\/caption]No entanto, ele concorda que n\u00e3o \u00e9 por acaso que o pa\u00eds demonstra avan\u00e7os no estudo - e que isso merece ser reconhecido.\r\n\r\nEscolariza\u00e7\u00e3o das m\u00e3es e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira inf\u00e2ncia\r\nNos \u00faltimos 50 anos, Portugal tem apresentado uma evolu\u00e7\u00e3o educacional que vai al\u00e9m da dimens\u00e3o escolar. Adv\u00e9m de um esfor\u00e7o amplo de mudan\u00e7a do status socioecon\u00f4mico e cultural da popula\u00e7\u00e3o em geral, particularmente das comunidades de menor renda.\r\n\r\nA partir dos anos 1970, Portugal universalizou o ensino, passando a ter todas as crian\u00e7as em idade escolar na escola. Isso significa que os pais das crian\u00e7as que est\u00e3o hoje na escola s\u00e3o a primeira gera\u00e7\u00e3o escolarizada - isso leva a outra maneira de educar e tamb\u00e9m a expectativas diferentes em rela\u00e7\u00e3o ao percurso acad\u00eamico dos filhos.\r\n\r\nEm um per\u00edodo mais recente, entre 2003 e 2015, o n\u00famero de m\u00e3es que completaram ao menos o ensino secund\u00e1rio, equivalente ao ensino m\u00e9dio brasileiro, subiu 41%.\r\n\r\n\"O indicador que mais influencia o rendimento escolar \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o e a escolariza\u00e7\u00e3o da m\u00e3e\", diz Ferreira.\r\n\r\n\"Se temos hoje m\u00e3es mais educadas e mais encorajadas, \u00e9 natural que tenhamos crian\u00e7as mais capazes de se inserir na escola, de se envolver e de evoluir na escola.\"\r\n\r\nOutro aspecto positivo est\u00e1 na primeira inf\u00e2ncia. A mortalidade infantil at\u00e9 aos 5 anos de idade em Portugal caiu 94% desde os anos 1970, segundo a Unicef, passando de 68 mortes de crian\u00e7as em cada mil nascimentos para 4 em cada mil em 2015.\r\n\r\nUm relat\u00f3rio de 2017 indica ainda que s\u00f3 15 pa\u00edses, entre eles Portugal, adotam as tr\u00eas pol\u00edticas nacionais b\u00e1sicas de apoio a pais de beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas no per\u00edodo mais cr\u00edtico de seu desenvolvimento, com dois anos de educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-prim\u00e1ria gratuita, pausa para amamenta\u00e7\u00e3o no trabalho para as novas m\u00e3es nos primeiros seis meses e licen\u00e7a parental adequada.\r\n\r\n\"Isso (o desenvolvimento das crian\u00e7as nos primeiros anos de vida) pode ser t\u00e3o ou mais relevante para esses resultados do que um m\u00e9todo ou outro aplicado \u00e0 escola\", defende Ferreira.\r\n\r\nEle destaca, entretanto, que esse \u00e9 um desafio para o qual o Estado e a sociedade ainda precisam se mobilizar, ampliando a oferta de creche e educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar para todos e atendendo a outras necessidades no \u00e2mbito sanit\u00e1rio e materno-infantil.\r\n\r\nSegundo o rec\u00e9m-lan\u00e7ado relat\u00f3rio Education at a Glance, da OCDE, apesar dos progressos recentes, Portugal est\u00e1 entre os pa\u00edses mais desiguais, com uma grande propor\u00e7\u00e3o de adultos sem ensino secund\u00e1rio e n\u00edveis de desigualdade de renda acima da m\u00e9dia.\r\n\r\nOs 10% mais ricos t\u00eam um rendimento quase cinco vezes superior aos 10% mais pobres - e a diferen\u00e7a est\u00e1 relacionada \u00e0 baixa qualifica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, uma vez que 55% das pessoas entre 18 e 64 anos n\u00e3o concluiu o ensino secund\u00e1rio.\r\n\r\n\"Os pa\u00edses que apresentam melhores resultados educacionais s\u00e3o aqueles que s\u00e3o mais coesos socialmente\", diz Ferreira, acrescentando que geralmente s\u00e3o tamb\u00e9m sociedades menos violentas, mais eficientes, mais igualit\u00e1rias, com mais qualidade de vida e bem-estar.\r\n\r\nNeste sentido, sua opini\u00e3o \u00e9 de que a Finl\u00e2ndia, hoje refer\u00eancia em educa\u00e7\u00e3o, foi o primeiro \"aluno aplicado\", ao garantir um equil\u00edbrio de suas pol\u00edticas sociais e criar um desenvolvimento sustentado.\r\n\r\nO Pisa simplesmente apontou para a sua consist\u00eancia do ponto de vista educacional. \"Este, como outros pa\u00edses, fez um trabalho sist\u00eamico de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade onde a educa\u00e7\u00e3o se insere, gerando resultados que extrapolam o Pisa.\"\r\n\r\nRepet\u00eancia e envelhecimento dos professores: os desafios\r\nSe h\u00e1 uma receita portuguesa para a evolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, ela passa por trabalhar em conjunto e de forma consistente a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade. \"As pessoas esquecem-se que educa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais do que escola. \u00c9 preciso olhar para a escola dentro da educa\u00e7\u00e3o.\"\r\n\r\nA percep\u00e7\u00e3o geral \u00e9 de que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas portuguesas s\u00e3o bem estruturadas, com foco no desempenho dos alunos, espa\u00e7o para cr\u00edtica entre colegas e planejamento de atividades de acordo com os resultados. As diferen\u00e7as est\u00e3o, por exemplo, mais na import\u00e2ncia dada \u00e0s atividades orientadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, no apoio individualizado oferecido a cada aluno.\r\n\r\nH\u00e1 uma controversa hip\u00f3tese para os bons resultados dos alunos portugueses devido \u00e0 \u00eanfase que as escolas d\u00e3o \u00e0s provas e testes interm\u00e9dios, aplicados com alta frequ\u00eancia e regularidade - \u00e0 margem de estrat\u00e9gias educativas preferidas por pa\u00edses como a Finl\u00e2ndia, que abrem m\u00e3o de exames para diminuir a ansiedade dos alunos com o aprendizado e ainda assim figuraram entre os pa\u00edses com o melhor desempenho escolar do mundo.\r\n\r\nEnquanto ainda \u00e9 dif\u00edcil estabelecer o exato efeito desses elementos no desempenho dos alunos portugueses, um dos principais fatores de risco apontado por constantes estudos da OCDE (2017) \u00e9 o uso frequente da reten\u00e7\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o escolar.\r\n\r\nPara Gomes Ferreira, essa pol\u00edtica \"indesej\u00e1vel e perniciosa\" s\u00f3 existe por tradi\u00e7\u00e3o e foi constru\u00edda sob um modelo educacional seletivo. \"(A reprova\u00e7\u00e3o) nunca atendeu \u00e0 desigualdade de condi\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as que est\u00e3o na escola e afeta principalmente crian\u00e7as de fam\u00edlias de menos renda\", explica.\r\n\r\nO desafio das escolas portuguesas passa a ser, portanto, instigar o sucesso por meio da discrimina\u00e7\u00e3o positiva e dar mais coes\u00e3o \u00e0 comunidade estudantil.\r\n\r\nUma das escolas portuguesas com melhores resultados externos, a escola secund\u00e1ria do agrupamento de Carcavelos, que j\u00e1 ocupou as \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es entre as escolas portuguesas na virada do s\u00e9culo, tem hoje a taxa de repet\u00eancia mais baixa do pa\u00eds (aproximadamente 3%).\r\n\r\nSem adotar um modelo educacional espec\u00edfico, mas atenta ao funcionamento de outras institui\u00e7\u00f5es, decidiu acabar com as repet\u00eancias at\u00e9 o nono ano do ensino b\u00e1sico, contrariando a vis\u00e3o de que a medida estaria associada ao rigor educacional. A a\u00e7\u00e3o vem acompanhada por um programa mais intensivo de recupera\u00e7\u00e3o e apoio ao aluno.\r\n\r\nNo que tange os docentes, h\u00e1 muitas variantes e nenhuma d\u00favida de que \u00e9 preciso haver bons professores para haver boas escolas, mas o desafio que preocupa atualmente Portugal \u00e9 o envelhecimento desta popula\u00e7\u00e3o.\r\n\r\nDe acordo com a OCDE, apenas 1% dos professores de ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio t\u00eam menos de 30 anos e 38% t\u00eam 50 anos ou mais - um aumento de 16% entre 2005 e 2016.\r\n\r\nIsso gera mais um desafio \u00e0 a\u00e7\u00e3o escolar: a desmobiliza\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Uma das queixas s\u00e3o as mudan\u00e7as repentinas feitas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, causando, a m\u00e9dio e longo prazo, um desgaste e desconforto de parte dos professores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as.\r\n\r\nExiste tamb\u00e9m um risco de escassez de professores, devido ao pouco interesse dos jovens pela profiss\u00e3o. Segundo as \u00faltimas conclus\u00f5es do Education at a Glance, o sal\u00e1rio est\u00e1 compat\u00edvel com o mercado de trabalho e, no topo de carreira, at\u00e9 acima da m\u00e9dia dos outros pa\u00edses. O que torna a forma\u00e7\u00e3o inicial menos atraente aos jovens \u00e9 a falta de vagas de trabalho. Sabendo que a tend\u00eancia \u00e9 o desemprego, os jovens n\u00e3o escolhem a carreira.\r\n\r\nPor outro lado, os professores em Portugal s\u00e3o melhor formados e selecionados hoje do que h\u00e1 15 anos - entre os docentes do 3\u00ba ciclo e secund\u00e1rio, anos compreendidos pelo Pisa, a forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica espec\u00edfica aumentou 48% entre 2003 e 2015.\r\n\r\nFerreira ressalta que as rela\u00e7\u00f5es entre a a\u00e7\u00e3o escolar e o desenvolvimento educacional s\u00e3o muito inconclusivas, deixando margem para an\u00e1lises mais sutis.\r\n\r\nAl\u00e9m disso, quando se trata de pol\u00edticas educativas, \"as coisas est\u00e3o sempre a mudar\", por meio de altera\u00e7\u00f5es de lei, no curr\u00edculo ou de m\u00e9todo. \u00c9 o caso, por exemplo, da autonomia e flexibilidade curricular, medida implantada sobre 25% do tempo letivo, que acaba de entrar vigor em todas as escolas do pa\u00eds.\r\n\r\nA principal quest\u00e3o, na opini\u00e3o do professor, \u00e9 saber se as mudan\u00e7as s\u00e3o s\u00f3lidas, consistentes e permitem que as gera\u00e7\u00f5es futuras tenham melhores perspectivas, construindo uma sociedade mais livre, igualit\u00e1ria e capaz de beneficiar aqueles que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es.\r\n\r\n\u00c9 por isso que a leitura do Pisa interessa mais em termos de futuro do que de presente. \"Olhar para os resultados do Pisa apenas em fun\u00e7\u00e3o de: 'hoje somos melhores do que \u00e9ramos no passado' \u00e9 pouco\", conclui.\r\n\r\nVIDA PT:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\n

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O canal TVI confirmou nesta semana dois novos casos de coronav\u00edrus entre seus colaboradores da novela Quer o Destino, que \u00e9 gravada em parceria com a produtora Plural Entertainment. De acordo com a imprensa portuguesa, todos os procedimentos foram tomados para conter a infec\u00e7\u00e3o entre os funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n

\u201cSim, confirmamos que existem dois casos. Estamos a fazer todos os procedimentos de preven\u00e7\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o. Todos os que contactaram com os dois pacientes foram j\u00e1 avisados para fazerem tamb\u00e9m teste\u201d, disse a diretora de comunica\u00e7\u00e3o da TVI, Helena Forjaz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n

No Brasil por exemplo, a TV Globo e a Rede Record, ainda estudam e preparam toda uma estrutura, para voltar \u00e0s atividades em seus departamentos de dramaturgia. Em outros pa\u00edses as grava\u00e7\u00f5es j\u00e1 ocorrem, novamente, apesar da pandemia do novo coronav\u00edrus. <\/p>\n\n\n\n

\nhttps:\/\/youtu.be\/4_No_4w_0EI\n<\/div><\/figure>\n","post_title":"Ap\u00f3s voltar a gravar novela, emissora TVi registra casos de coronav\u00edrus em sua equipe","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"apos-voltar-a-gravar-novela-emissora-tvi-registra-casos-de-coronavirus-em-sua-equipe","to_ping":"","pinged":"\nhttps:\/\/canalportugal.pt\/elvas-um-dos-mais-incrives-destinos-em-portugal\/","post_modified":"2020-07-19 14:06:42","post_modified_gmt":"2020-07-19 14:06:42","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=12487","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"},{"ID":8973,"post_author":"1","post_date":"2018-10-20 16:33:05","post_date_gmt":"2018-10-20 16:33:05","post_content":"Por BBC News<\/em><\/a>.\r\n\r\nDesde 2015, a Uni\u00e3o Europeia observa a ascens\u00e3o educacional de um pa\u00eds que, a despeito de ainda sentir os efeitos de uma grave crise econ\u00f4mica e estar entre os mais pobres do bloco, chama aten\u00e7\u00e3o por seus resultados no principal teste internacional de educa\u00e7\u00e3o.<\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Educa\u00e7\u00e3o de Portugal \u00e9 a \u00fanica da Europa que melhora a cada ano<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0A difere\u00e7a entre t\u00edtulos de filmes no Brasil e em Portugal<\/a><\/strong>\r\n\r\n\"\" No \u00faltimo relat\u00f3rio \u201cEduca\u00e7\u00e3o para Todos\u201d, publicado em abril, Portugal surge entre os pa\u00edses que transitaram para o modelo social de defici\u00eancia. (Imagem-UNESCO)[\/caption]\r\n\r\nPortugal conseguiu que seus alunos de 15 anos ficassem acima da m\u00e9dia da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE, organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m conhecida como \"clube dos ricos\") nos dom\u00ednios avaliados pelo Pisa: ci\u00eancias, leitura e matem\u00e1tica.\r\n\r\nAli\u00e1s, desde que o exame come\u00e7ou a ser aplicado pela OCDE nos anos 2000, a cada tr\u00eas anos, Portugal avan\u00e7a um \"bocadinho\".\r\n\r\nAssim, h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada e meia, o pa\u00eds europeu mant\u00e9m essa trajet\u00f3ria nos seus resultados e \u00e9 o \u00fanico do continente que melhora seu desempenho a cada ano.\r\n\r\nNem mesmo nos per\u00edodos mais duros da \u00faltima grande crise, com a redu\u00e7\u00e3o de investimentos e o ajuste fiscal imposto pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela Comiss\u00e3o Europeia, essa evolu\u00e7\u00e3o cessou.\r\n\u00c9 tamanha a consist\u00eancia de resultados que Portugal hoje recebe informalmente a alcunha de \"estrela ascendente da educa\u00e7\u00e3o internacional\" - e fez isso sem apostar em nenhuma grande estrat\u00e9gia educativa, mas investindo nas pessoas que formam a comunidade escolar, especialmente as m\u00e3es e as crian\u00e7as de 0 a 6 anos.\r\n\r\nApesar dos resultados positivos, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 de que ainda h\u00e1 muito a melhorar. A recomenda\u00e7\u00e3o do professor Ant\u00f3nio Gomes Ferreira, diretor da Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Coimbra, \u00e9 ter prud\u00eancia na leitura dos dados.\r\n\r\n\"O Pisa traduz uma boa evolu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o uma boa coloca\u00e7\u00e3o: Portugal est\u00e1 apenas ligeiramente acima da m\u00e9dia da OCDE, ocupando um lugar simplesmente mediano\", afirma.\r\n\r\nEntre os 72 participantes no teste, a pontua\u00e7\u00e3o de Portugal na \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o foi oito pontos superiores \u00e0 m\u00e9dia em ci\u00eancias, cinco pontos em leitura e dois pontos em matem\u00e1tica - esta \u00faltima diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 considerada estatisticamente significativa.\r\n\r\nA coloca\u00e7\u00e3o final dos alunos portugueses foi 17\u00ba lugar em ci\u00eancias, 18\u00ba em leitura e 22\u00ba em matem\u00e1tica - o que posiciona o pa\u00eds entre os melhores do mundo, mas distante ainda do desempenho dos sistemas educacionais de refer\u00eancia globais, como Cingapura, Finl\u00e2ndia, Hong Kong, Canad\u00e1 e Su\u00ed\u00e7a.\r\n\r\n\"O que o Pisa e outras avalia\u00e7\u00f5es nos mostram \u00e9 que Portugal est\u00e1 num patamar de pa\u00eds desenvolvido, mas ainda longe de acompanhar os que est\u00e3o no topo\", diz Gomes Ferreira, que coordena o Grupo de Pol\u00edticas Educativas e Din\u00e2micas Educacionais do Centro de Estudos Interdisciplinares do S\u00e9culo 20 (CEIS20).\r\n\r\n\"\" Educa\u00e7\u00e3o. [Foto: Lusa][\/caption]No entanto, ele concorda que n\u00e3o \u00e9 por acaso que o pa\u00eds demonstra avan\u00e7os no estudo - e que isso merece ser reconhecido.\r\n\r\nEscolariza\u00e7\u00e3o das m\u00e3es e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira inf\u00e2ncia\r\nNos \u00faltimos 50 anos, Portugal tem apresentado uma evolu\u00e7\u00e3o educacional que vai al\u00e9m da dimens\u00e3o escolar. Adv\u00e9m de um esfor\u00e7o amplo de mudan\u00e7a do status socioecon\u00f4mico e cultural da popula\u00e7\u00e3o em geral, particularmente das comunidades de menor renda.\r\n\r\nA partir dos anos 1970, Portugal universalizou o ensino, passando a ter todas as crian\u00e7as em idade escolar na escola. Isso significa que os pais das crian\u00e7as que est\u00e3o hoje na escola s\u00e3o a primeira gera\u00e7\u00e3o escolarizada - isso leva a outra maneira de educar e tamb\u00e9m a expectativas diferentes em rela\u00e7\u00e3o ao percurso acad\u00eamico dos filhos.\r\n\r\nEm um per\u00edodo mais recente, entre 2003 e 2015, o n\u00famero de m\u00e3es que completaram ao menos o ensino secund\u00e1rio, equivalente ao ensino m\u00e9dio brasileiro, subiu 41%.\r\n\r\n\"O indicador que mais influencia o rendimento escolar \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o e a escolariza\u00e7\u00e3o da m\u00e3e\", diz Ferreira.\r\n\r\n\"Se temos hoje m\u00e3es mais educadas e mais encorajadas, \u00e9 natural que tenhamos crian\u00e7as mais capazes de se inserir na escola, de se envolver e de evoluir na escola.\"\r\n\r\nOutro aspecto positivo est\u00e1 na primeira inf\u00e2ncia. A mortalidade infantil at\u00e9 aos 5 anos de idade em Portugal caiu 94% desde os anos 1970, segundo a Unicef, passando de 68 mortes de crian\u00e7as em cada mil nascimentos para 4 em cada mil em 2015.\r\n\r\nUm relat\u00f3rio de 2017 indica ainda que s\u00f3 15 pa\u00edses, entre eles Portugal, adotam as tr\u00eas pol\u00edticas nacionais b\u00e1sicas de apoio a pais de beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas no per\u00edodo mais cr\u00edtico de seu desenvolvimento, com dois anos de educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-prim\u00e1ria gratuita, pausa para amamenta\u00e7\u00e3o no trabalho para as novas m\u00e3es nos primeiros seis meses e licen\u00e7a parental adequada.\r\n\r\n\"Isso (o desenvolvimento das crian\u00e7as nos primeiros anos de vida) pode ser t\u00e3o ou mais relevante para esses resultados do que um m\u00e9todo ou outro aplicado \u00e0 escola\", defende Ferreira.\r\n\r\nEle destaca, entretanto, que esse \u00e9 um desafio para o qual o Estado e a sociedade ainda precisam se mobilizar, ampliando a oferta de creche e educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar para todos e atendendo a outras necessidades no \u00e2mbito sanit\u00e1rio e materno-infantil.\r\n\r\nSegundo o rec\u00e9m-lan\u00e7ado relat\u00f3rio Education at a Glance, da OCDE, apesar dos progressos recentes, Portugal est\u00e1 entre os pa\u00edses mais desiguais, com uma grande propor\u00e7\u00e3o de adultos sem ensino secund\u00e1rio e n\u00edveis de desigualdade de renda acima da m\u00e9dia.\r\n\r\nOs 10% mais ricos t\u00eam um rendimento quase cinco vezes superior aos 10% mais pobres - e a diferen\u00e7a est\u00e1 relacionada \u00e0 baixa qualifica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, uma vez que 55% das pessoas entre 18 e 64 anos n\u00e3o concluiu o ensino secund\u00e1rio.\r\n\r\n\"Os pa\u00edses que apresentam melhores resultados educacionais s\u00e3o aqueles que s\u00e3o mais coesos socialmente\", diz Ferreira, acrescentando que geralmente s\u00e3o tamb\u00e9m sociedades menos violentas, mais eficientes, mais igualit\u00e1rias, com mais qualidade de vida e bem-estar.\r\n\r\nNeste sentido, sua opini\u00e3o \u00e9 de que a Finl\u00e2ndia, hoje refer\u00eancia em educa\u00e7\u00e3o, foi o primeiro \"aluno aplicado\", ao garantir um equil\u00edbrio de suas pol\u00edticas sociais e criar um desenvolvimento sustentado.\r\n\r\nO Pisa simplesmente apontou para a sua consist\u00eancia do ponto de vista educacional. \"Este, como outros pa\u00edses, fez um trabalho sist\u00eamico de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade onde a educa\u00e7\u00e3o se insere, gerando resultados que extrapolam o Pisa.\"\r\n\r\nRepet\u00eancia e envelhecimento dos professores: os desafios\r\nSe h\u00e1 uma receita portuguesa para a evolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, ela passa por trabalhar em conjunto e de forma consistente a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade. \"As pessoas esquecem-se que educa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais do que escola. \u00c9 preciso olhar para a escola dentro da educa\u00e7\u00e3o.\"\r\n\r\nA percep\u00e7\u00e3o geral \u00e9 de que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas portuguesas s\u00e3o bem estruturadas, com foco no desempenho dos alunos, espa\u00e7o para cr\u00edtica entre colegas e planejamento de atividades de acordo com os resultados. As diferen\u00e7as est\u00e3o, por exemplo, mais na import\u00e2ncia dada \u00e0s atividades orientadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, no apoio individualizado oferecido a cada aluno.\r\n\r\nH\u00e1 uma controversa hip\u00f3tese para os bons resultados dos alunos portugueses devido \u00e0 \u00eanfase que as escolas d\u00e3o \u00e0s provas e testes interm\u00e9dios, aplicados com alta frequ\u00eancia e regularidade - \u00e0 margem de estrat\u00e9gias educativas preferidas por pa\u00edses como a Finl\u00e2ndia, que abrem m\u00e3o de exames para diminuir a ansiedade dos alunos com o aprendizado e ainda assim figuraram entre os pa\u00edses com o melhor desempenho escolar do mundo.\r\n\r\nEnquanto ainda \u00e9 dif\u00edcil estabelecer o exato efeito desses elementos no desempenho dos alunos portugueses, um dos principais fatores de risco apontado por constantes estudos da OCDE (2017) \u00e9 o uso frequente da reten\u00e7\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o escolar.\r\n\r\nPara Gomes Ferreira, essa pol\u00edtica \"indesej\u00e1vel e perniciosa\" s\u00f3 existe por tradi\u00e7\u00e3o e foi constru\u00edda sob um modelo educacional seletivo. \"(A reprova\u00e7\u00e3o) nunca atendeu \u00e0 desigualdade de condi\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as que est\u00e3o na escola e afeta principalmente crian\u00e7as de fam\u00edlias de menos renda\", explica.\r\n\r\nO desafio das escolas portuguesas passa a ser, portanto, instigar o sucesso por meio da discrimina\u00e7\u00e3o positiva e dar mais coes\u00e3o \u00e0 comunidade estudantil.\r\n\r\nUma das escolas portuguesas com melhores resultados externos, a escola secund\u00e1ria do agrupamento de Carcavelos, que j\u00e1 ocupou as \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es entre as escolas portuguesas na virada do s\u00e9culo, tem hoje a taxa de repet\u00eancia mais baixa do pa\u00eds (aproximadamente 3%).\r\n\r\nSem adotar um modelo educacional espec\u00edfico, mas atenta ao funcionamento de outras institui\u00e7\u00f5es, decidiu acabar com as repet\u00eancias at\u00e9 o nono ano do ensino b\u00e1sico, contrariando a vis\u00e3o de que a medida estaria associada ao rigor educacional. A a\u00e7\u00e3o vem acompanhada por um programa mais intensivo de recupera\u00e7\u00e3o e apoio ao aluno.\r\n\r\nNo que tange os docentes, h\u00e1 muitas variantes e nenhuma d\u00favida de que \u00e9 preciso haver bons professores para haver boas escolas, mas o desafio que preocupa atualmente Portugal \u00e9 o envelhecimento desta popula\u00e7\u00e3o.\r\n\r\nDe acordo com a OCDE, apenas 1% dos professores de ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio t\u00eam menos de 30 anos e 38% t\u00eam 50 anos ou mais - um aumento de 16% entre 2005 e 2016.\r\n\r\nIsso gera mais um desafio \u00e0 a\u00e7\u00e3o escolar: a desmobiliza\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Uma das queixas s\u00e3o as mudan\u00e7as repentinas feitas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, causando, a m\u00e9dio e longo prazo, um desgaste e desconforto de parte dos professores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as.\r\n\r\nExiste tamb\u00e9m um risco de escassez de professores, devido ao pouco interesse dos jovens pela profiss\u00e3o. Segundo as \u00faltimas conclus\u00f5es do Education at a Glance, o sal\u00e1rio est\u00e1 compat\u00edvel com o mercado de trabalho e, no topo de carreira, at\u00e9 acima da m\u00e9dia dos outros pa\u00edses. O que torna a forma\u00e7\u00e3o inicial menos atraente aos jovens \u00e9 a falta de vagas de trabalho. Sabendo que a tend\u00eancia \u00e9 o desemprego, os jovens n\u00e3o escolhem a carreira.\r\n\r\nPor outro lado, os professores em Portugal s\u00e3o melhor formados e selecionados hoje do que h\u00e1 15 anos - entre os docentes do 3\u00ba ciclo e secund\u00e1rio, anos compreendidos pelo Pisa, a forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica espec\u00edfica aumentou 48% entre 2003 e 2015.\r\n\r\nFerreira ressalta que as rela\u00e7\u00f5es entre a a\u00e7\u00e3o escolar e o desenvolvimento educacional s\u00e3o muito inconclusivas, deixando margem para an\u00e1lises mais sutis.\r\n\r\nAl\u00e9m disso, quando se trata de pol\u00edticas educativas, \"as coisas est\u00e3o sempre a mudar\", por meio de altera\u00e7\u00f5es de lei, no curr\u00edculo ou de m\u00e9todo. \u00c9 o caso, por exemplo, da autonomia e flexibilidade curricular, medida implantada sobre 25% do tempo letivo, que acaba de entrar vigor em todas as escolas do pa\u00eds.\r\n\r\nA principal quest\u00e3o, na opini\u00e3o do professor, \u00e9 saber se as mudan\u00e7as s\u00e3o s\u00f3lidas, consistentes e permitem que as gera\u00e7\u00f5es futuras tenham melhores perspectivas, construindo uma sociedade mais livre, igualit\u00e1ria e capaz de beneficiar aqueles que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es.\r\n\r\n\u00c9 por isso que a leitura do Pisa interessa mais em termos de futuro do que de presente. \"Olhar para os resultados do Pisa apenas em fun\u00e7\u00e3o de: 'hoje somos melhores do que \u00e9ramos no passado' \u00e9 pouco\", conclui.\r\n\r\nVIDA PT:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\n

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Em Portugal, onde a crise sanit\u00e1ria est\u00e1 em um processo de supera\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ado do que no Brasil, as emissoras de televis\u00e3o j\u00e1 voltaram a trabalhar nos est\u00fadios para seguir com suas tramas in\u00e9ditas. No entanto, mesmo com todos os protocolos de seguran\u00e7a, n\u00e3o houve como garantir seguran\u00e7a plena.<\/p>\n\n\n\n

O canal TVI confirmou nesta semana dois novos casos de coronav\u00edrus entre seus colaboradores da novela Quer o Destino, que \u00e9 gravada em parceria com a produtora Plural Entertainment. De acordo com a imprensa portuguesa, todos os procedimentos foram tomados para conter a infec\u00e7\u00e3o entre os funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n

\u201cSim, confirmamos que existem dois casos. Estamos a fazer todos os procedimentos de preven\u00e7\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o. Todos os que contactaram com os dois pacientes foram j\u00e1 avisados para fazerem tamb\u00e9m teste\u201d, disse a diretora de comunica\u00e7\u00e3o da TVI, Helena Forjaz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n

No Brasil por exemplo, a TV Globo e a Rede Record, ainda estudam e preparam toda uma estrutura, para voltar \u00e0s atividades em seus departamentos de dramaturgia. Em outros pa\u00edses as grava\u00e7\u00f5es j\u00e1 ocorrem, novamente, apesar da pandemia do novo coronav\u00edrus. <\/p>\n\n\n\n

\nhttps:\/\/youtu.be\/4_No_4w_0EI\n<\/div><\/figure>\n","post_title":"Ap\u00f3s voltar a gravar novela, emissora TVi registra casos de coronav\u00edrus em sua equipe","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"apos-voltar-a-gravar-novela-emissora-tvi-registra-casos-de-coronavirus-em-sua-equipe","to_ping":"","pinged":"\nhttps:\/\/canalportugal.pt\/elvas-um-dos-mais-incrives-destinos-em-portugal\/","post_modified":"2020-07-19 14:06:42","post_modified_gmt":"2020-07-19 14:06:42","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=12487","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"},{"ID":8973,"post_author":"1","post_date":"2018-10-20 16:33:05","post_date_gmt":"2018-10-20 16:33:05","post_content":"Por BBC News<\/em><\/a>.\r\n\r\nDesde 2015, a Uni\u00e3o Europeia observa a ascens\u00e3o educacional de um pa\u00eds que, a despeito de ainda sentir os efeitos de uma grave crise econ\u00f4mica e estar entre os mais pobres do bloco, chama aten\u00e7\u00e3o por seus resultados no principal teste internacional de educa\u00e7\u00e3o.<\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Educa\u00e7\u00e3o de Portugal \u00e9 a \u00fanica da Europa que melhora a cada ano<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0A difere\u00e7a entre t\u00edtulos de filmes no Brasil e em Portugal<\/a><\/strong>\r\n\r\n\"\" No \u00faltimo relat\u00f3rio \u201cEduca\u00e7\u00e3o para Todos\u201d, publicado em abril, Portugal surge entre os pa\u00edses que transitaram para o modelo social de defici\u00eancia. (Imagem-UNESCO)[\/caption]\r\n\r\nPortugal conseguiu que seus alunos de 15 anos ficassem acima da m\u00e9dia da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE, organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m conhecida como \"clube dos ricos\") nos dom\u00ednios avaliados pelo Pisa: ci\u00eancias, leitura e matem\u00e1tica.\r\n\r\nAli\u00e1s, desde que o exame come\u00e7ou a ser aplicado pela OCDE nos anos 2000, a cada tr\u00eas anos, Portugal avan\u00e7a um \"bocadinho\".\r\n\r\nAssim, h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada e meia, o pa\u00eds europeu mant\u00e9m essa trajet\u00f3ria nos seus resultados e \u00e9 o \u00fanico do continente que melhora seu desempenho a cada ano.\r\n\r\nNem mesmo nos per\u00edodos mais duros da \u00faltima grande crise, com a redu\u00e7\u00e3o de investimentos e o ajuste fiscal imposto pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela Comiss\u00e3o Europeia, essa evolu\u00e7\u00e3o cessou.\r\n\u00c9 tamanha a consist\u00eancia de resultados que Portugal hoje recebe informalmente a alcunha de \"estrela ascendente da educa\u00e7\u00e3o internacional\" - e fez isso sem apostar em nenhuma grande estrat\u00e9gia educativa, mas investindo nas pessoas que formam a comunidade escolar, especialmente as m\u00e3es e as crian\u00e7as de 0 a 6 anos.\r\n\r\nApesar dos resultados positivos, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 de que ainda h\u00e1 muito a melhorar. A recomenda\u00e7\u00e3o do professor Ant\u00f3nio Gomes Ferreira, diretor da Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Coimbra, \u00e9 ter prud\u00eancia na leitura dos dados.\r\n\r\n\"O Pisa traduz uma boa evolu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o uma boa coloca\u00e7\u00e3o: Portugal est\u00e1 apenas ligeiramente acima da m\u00e9dia da OCDE, ocupando um lugar simplesmente mediano\", afirma.\r\n\r\nEntre os 72 participantes no teste, a pontua\u00e7\u00e3o de Portugal na \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o foi oito pontos superiores \u00e0 m\u00e9dia em ci\u00eancias, cinco pontos em leitura e dois pontos em matem\u00e1tica - esta \u00faltima diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 considerada estatisticamente significativa.\r\n\r\nA coloca\u00e7\u00e3o final dos alunos portugueses foi 17\u00ba lugar em ci\u00eancias, 18\u00ba em leitura e 22\u00ba em matem\u00e1tica - o que posiciona o pa\u00eds entre os melhores do mundo, mas distante ainda do desempenho dos sistemas educacionais de refer\u00eancia globais, como Cingapura, Finl\u00e2ndia, Hong Kong, Canad\u00e1 e Su\u00ed\u00e7a.\r\n\r\n\"O que o Pisa e outras avalia\u00e7\u00f5es nos mostram \u00e9 que Portugal est\u00e1 num patamar de pa\u00eds desenvolvido, mas ainda longe de acompanhar os que est\u00e3o no topo\", diz Gomes Ferreira, que coordena o Grupo de Pol\u00edticas Educativas e Din\u00e2micas Educacionais do Centro de Estudos Interdisciplinares do S\u00e9culo 20 (CEIS20).\r\n\r\n\"\" Educa\u00e7\u00e3o. [Foto: Lusa][\/caption]No entanto, ele concorda que n\u00e3o \u00e9 por acaso que o pa\u00eds demonstra avan\u00e7os no estudo - e que isso merece ser reconhecido.\r\n\r\nEscolariza\u00e7\u00e3o das m\u00e3es e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira inf\u00e2ncia\r\nNos \u00faltimos 50 anos, Portugal tem apresentado uma evolu\u00e7\u00e3o educacional que vai al\u00e9m da dimens\u00e3o escolar. Adv\u00e9m de um esfor\u00e7o amplo de mudan\u00e7a do status socioecon\u00f4mico e cultural da popula\u00e7\u00e3o em geral, particularmente das comunidades de menor renda.\r\n\r\nA partir dos anos 1970, Portugal universalizou o ensino, passando a ter todas as crian\u00e7as em idade escolar na escola. Isso significa que os pais das crian\u00e7as que est\u00e3o hoje na escola s\u00e3o a primeira gera\u00e7\u00e3o escolarizada - isso leva a outra maneira de educar e tamb\u00e9m a expectativas diferentes em rela\u00e7\u00e3o ao percurso acad\u00eamico dos filhos.\r\n\r\nEm um per\u00edodo mais recente, entre 2003 e 2015, o n\u00famero de m\u00e3es que completaram ao menos o ensino secund\u00e1rio, equivalente ao ensino m\u00e9dio brasileiro, subiu 41%.\r\n\r\n\"O indicador que mais influencia o rendimento escolar \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o e a escolariza\u00e7\u00e3o da m\u00e3e\", diz Ferreira.\r\n\r\n\"Se temos hoje m\u00e3es mais educadas e mais encorajadas, \u00e9 natural que tenhamos crian\u00e7as mais capazes de se inserir na escola, de se envolver e de evoluir na escola.\"\r\n\r\nOutro aspecto positivo est\u00e1 na primeira inf\u00e2ncia. A mortalidade infantil at\u00e9 aos 5 anos de idade em Portugal caiu 94% desde os anos 1970, segundo a Unicef, passando de 68 mortes de crian\u00e7as em cada mil nascimentos para 4 em cada mil em 2015.\r\n\r\nUm relat\u00f3rio de 2017 indica ainda que s\u00f3 15 pa\u00edses, entre eles Portugal, adotam as tr\u00eas pol\u00edticas nacionais b\u00e1sicas de apoio a pais de beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas no per\u00edodo mais cr\u00edtico de seu desenvolvimento, com dois anos de educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-prim\u00e1ria gratuita, pausa para amamenta\u00e7\u00e3o no trabalho para as novas m\u00e3es nos primeiros seis meses e licen\u00e7a parental adequada.\r\n\r\n\"Isso (o desenvolvimento das crian\u00e7as nos primeiros anos de vida) pode ser t\u00e3o ou mais relevante para esses resultados do que um m\u00e9todo ou outro aplicado \u00e0 escola\", defende Ferreira.\r\n\r\nEle destaca, entretanto, que esse \u00e9 um desafio para o qual o Estado e a sociedade ainda precisam se mobilizar, ampliando a oferta de creche e educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar para todos e atendendo a outras necessidades no \u00e2mbito sanit\u00e1rio e materno-infantil.\r\n\r\nSegundo o rec\u00e9m-lan\u00e7ado relat\u00f3rio Education at a Glance, da OCDE, apesar dos progressos recentes, Portugal est\u00e1 entre os pa\u00edses mais desiguais, com uma grande propor\u00e7\u00e3o de adultos sem ensino secund\u00e1rio e n\u00edveis de desigualdade de renda acima da m\u00e9dia.\r\n\r\nOs 10% mais ricos t\u00eam um rendimento quase cinco vezes superior aos 10% mais pobres - e a diferen\u00e7a est\u00e1 relacionada \u00e0 baixa qualifica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, uma vez que 55% das pessoas entre 18 e 64 anos n\u00e3o concluiu o ensino secund\u00e1rio.\r\n\r\n\"Os pa\u00edses que apresentam melhores resultados educacionais s\u00e3o aqueles que s\u00e3o mais coesos socialmente\", diz Ferreira, acrescentando que geralmente s\u00e3o tamb\u00e9m sociedades menos violentas, mais eficientes, mais igualit\u00e1rias, com mais qualidade de vida e bem-estar.\r\n\r\nNeste sentido, sua opini\u00e3o \u00e9 de que a Finl\u00e2ndia, hoje refer\u00eancia em educa\u00e7\u00e3o, foi o primeiro \"aluno aplicado\", ao garantir um equil\u00edbrio de suas pol\u00edticas sociais e criar um desenvolvimento sustentado.\r\n\r\nO Pisa simplesmente apontou para a sua consist\u00eancia do ponto de vista educacional. \"Este, como outros pa\u00edses, fez um trabalho sist\u00eamico de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade onde a educa\u00e7\u00e3o se insere, gerando resultados que extrapolam o Pisa.\"\r\n\r\nRepet\u00eancia e envelhecimento dos professores: os desafios\r\nSe h\u00e1 uma receita portuguesa para a evolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, ela passa por trabalhar em conjunto e de forma consistente a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade. \"As pessoas esquecem-se que educa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais do que escola. \u00c9 preciso olhar para a escola dentro da educa\u00e7\u00e3o.\"\r\n\r\nA percep\u00e7\u00e3o geral \u00e9 de que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas portuguesas s\u00e3o bem estruturadas, com foco no desempenho dos alunos, espa\u00e7o para cr\u00edtica entre colegas e planejamento de atividades de acordo com os resultados. As diferen\u00e7as est\u00e3o, por exemplo, mais na import\u00e2ncia dada \u00e0s atividades orientadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, no apoio individualizado oferecido a cada aluno.\r\n\r\nH\u00e1 uma controversa hip\u00f3tese para os bons resultados dos alunos portugueses devido \u00e0 \u00eanfase que as escolas d\u00e3o \u00e0s provas e testes interm\u00e9dios, aplicados com alta frequ\u00eancia e regularidade - \u00e0 margem de estrat\u00e9gias educativas preferidas por pa\u00edses como a Finl\u00e2ndia, que abrem m\u00e3o de exames para diminuir a ansiedade dos alunos com o aprendizado e ainda assim figuraram entre os pa\u00edses com o melhor desempenho escolar do mundo.\r\n\r\nEnquanto ainda \u00e9 dif\u00edcil estabelecer o exato efeito desses elementos no desempenho dos alunos portugueses, um dos principais fatores de risco apontado por constantes estudos da OCDE (2017) \u00e9 o uso frequente da reten\u00e7\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o escolar.\r\n\r\nPara Gomes Ferreira, essa pol\u00edtica \"indesej\u00e1vel e perniciosa\" s\u00f3 existe por tradi\u00e7\u00e3o e foi constru\u00edda sob um modelo educacional seletivo. \"(A reprova\u00e7\u00e3o) nunca atendeu \u00e0 desigualdade de condi\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as que est\u00e3o na escola e afeta principalmente crian\u00e7as de fam\u00edlias de menos renda\", explica.\r\n\r\nO desafio das escolas portuguesas passa a ser, portanto, instigar o sucesso por meio da discrimina\u00e7\u00e3o positiva e dar mais coes\u00e3o \u00e0 comunidade estudantil.\r\n\r\nUma das escolas portuguesas com melhores resultados externos, a escola secund\u00e1ria do agrupamento de Carcavelos, que j\u00e1 ocupou as \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es entre as escolas portuguesas na virada do s\u00e9culo, tem hoje a taxa de repet\u00eancia mais baixa do pa\u00eds (aproximadamente 3%).\r\n\r\nSem adotar um modelo educacional espec\u00edfico, mas atenta ao funcionamento de outras institui\u00e7\u00f5es, decidiu acabar com as repet\u00eancias at\u00e9 o nono ano do ensino b\u00e1sico, contrariando a vis\u00e3o de que a medida estaria associada ao rigor educacional. A a\u00e7\u00e3o vem acompanhada por um programa mais intensivo de recupera\u00e7\u00e3o e apoio ao aluno.\r\n\r\nNo que tange os docentes, h\u00e1 muitas variantes e nenhuma d\u00favida de que \u00e9 preciso haver bons professores para haver boas escolas, mas o desafio que preocupa atualmente Portugal \u00e9 o envelhecimento desta popula\u00e7\u00e3o.\r\n\r\nDe acordo com a OCDE, apenas 1% dos professores de ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio t\u00eam menos de 30 anos e 38% t\u00eam 50 anos ou mais - um aumento de 16% entre 2005 e 2016.\r\n\r\nIsso gera mais um desafio \u00e0 a\u00e7\u00e3o escolar: a desmobiliza\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Uma das queixas s\u00e3o as mudan\u00e7as repentinas feitas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, causando, a m\u00e9dio e longo prazo, um desgaste e desconforto de parte dos professores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as.\r\n\r\nExiste tamb\u00e9m um risco de escassez de professores, devido ao pouco interesse dos jovens pela profiss\u00e3o. Segundo as \u00faltimas conclus\u00f5es do Education at a Glance, o sal\u00e1rio est\u00e1 compat\u00edvel com o mercado de trabalho e, no topo de carreira, at\u00e9 acima da m\u00e9dia dos outros pa\u00edses. O que torna a forma\u00e7\u00e3o inicial menos atraente aos jovens \u00e9 a falta de vagas de trabalho. Sabendo que a tend\u00eancia \u00e9 o desemprego, os jovens n\u00e3o escolhem a carreira.\r\n\r\nPor outro lado, os professores em Portugal s\u00e3o melhor formados e selecionados hoje do que h\u00e1 15 anos - entre os docentes do 3\u00ba ciclo e secund\u00e1rio, anos compreendidos pelo Pisa, a forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica espec\u00edfica aumentou 48% entre 2003 e 2015.\r\n\r\nFerreira ressalta que as rela\u00e7\u00f5es entre a a\u00e7\u00e3o escolar e o desenvolvimento educacional s\u00e3o muito inconclusivas, deixando margem para an\u00e1lises mais sutis.\r\n\r\nAl\u00e9m disso, quando se trata de pol\u00edticas educativas, \"as coisas est\u00e3o sempre a mudar\", por meio de altera\u00e7\u00f5es de lei, no curr\u00edculo ou de m\u00e9todo. \u00c9 o caso, por exemplo, da autonomia e flexibilidade curricular, medida implantada sobre 25% do tempo letivo, que acaba de entrar vigor em todas as escolas do pa\u00eds.\r\n\r\nA principal quest\u00e3o, na opini\u00e3o do professor, \u00e9 saber se as mudan\u00e7as s\u00e3o s\u00f3lidas, consistentes e permitem que as gera\u00e7\u00f5es futuras tenham melhores perspectivas, construindo uma sociedade mais livre, igualit\u00e1ria e capaz de beneficiar aqueles que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es.\r\n\r\n\u00c9 por isso que a leitura do Pisa interessa mais em termos de futuro do que de presente. \"Olhar para os resultados do Pisa apenas em fun\u00e7\u00e3o de: 'hoje somos melhores do que \u00e9ramos no passado' \u00e9 pouco\", conclui.\r\n\r\nVIDA PT:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\n

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Cena de Quer o Destino, da TVI de Portugal (Foto-Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n

Em Portugal, onde a crise sanit\u00e1ria est\u00e1 em um processo de supera\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ado do que no Brasil, as emissoras de televis\u00e3o j\u00e1 voltaram a trabalhar nos est\u00fadios para seguir com suas tramas in\u00e9ditas. No entanto, mesmo com todos os protocolos de seguran\u00e7a, n\u00e3o houve como garantir seguran\u00e7a plena.<\/p>\n\n\n\n

O canal TVI confirmou nesta semana dois novos casos de coronav\u00edrus entre seus colaboradores da novela Quer o Destino, que \u00e9 gravada em parceria com a produtora Plural Entertainment. De acordo com a imprensa portuguesa, todos os procedimentos foram tomados para conter a infec\u00e7\u00e3o entre os funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n

\u201cSim, confirmamos que existem dois casos. Estamos a fazer todos os procedimentos de preven\u00e7\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o. Todos os que contactaram com os dois pacientes foram j\u00e1 avisados para fazerem tamb\u00e9m teste\u201d, disse a diretora de comunica\u00e7\u00e3o da TVI, Helena Forjaz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n

No Brasil por exemplo, a TV Globo e a Rede Record, ainda estudam e preparam toda uma estrutura, para voltar \u00e0s atividades em seus departamentos de dramaturgia. Em outros pa\u00edses as grava\u00e7\u00f5es j\u00e1 ocorrem, novamente, apesar da pandemia do novo coronav\u00edrus. <\/p>\n\n\n\n

\nhttps:\/\/youtu.be\/4_No_4w_0EI\n<\/div><\/figure>\n","post_title":"Ap\u00f3s voltar a gravar novela, emissora TVi registra casos de coronav\u00edrus em sua equipe","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"apos-voltar-a-gravar-novela-emissora-tvi-registra-casos-de-coronavirus-em-sua-equipe","to_ping":"","pinged":"\nhttps:\/\/canalportugal.pt\/elvas-um-dos-mais-incrives-destinos-em-portugal\/","post_modified":"2020-07-19 14:06:42","post_modified_gmt":"2020-07-19 14:06:42","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=12487","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"},{"ID":8973,"post_author":"1","post_date":"2018-10-20 16:33:05","post_date_gmt":"2018-10-20 16:33:05","post_content":"Por BBC News<\/em><\/a>.\r\n\r\nDesde 2015, a Uni\u00e3o Europeia observa a ascens\u00e3o educacional de um pa\u00eds que, a despeito de ainda sentir os efeitos de uma grave crise econ\u00f4mica e estar entre os mais pobres do bloco, chama aten\u00e7\u00e3o por seus resultados no principal teste internacional de educa\u00e7\u00e3o.<\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Educa\u00e7\u00e3o de Portugal \u00e9 a \u00fanica da Europa que melhora a cada ano<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0A difere\u00e7a entre t\u00edtulos de filmes no Brasil e em Portugal<\/a><\/strong>\r\n\r\n\"\" No \u00faltimo relat\u00f3rio \u201cEduca\u00e7\u00e3o para Todos\u201d, publicado em abril, Portugal surge entre os pa\u00edses que transitaram para o modelo social de defici\u00eancia. (Imagem-UNESCO)[\/caption]\r\n\r\nPortugal conseguiu que seus alunos de 15 anos ficassem acima da m\u00e9dia da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE, organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m conhecida como \"clube dos ricos\") nos dom\u00ednios avaliados pelo Pisa: ci\u00eancias, leitura e matem\u00e1tica.\r\n\r\nAli\u00e1s, desde que o exame come\u00e7ou a ser aplicado pela OCDE nos anos 2000, a cada tr\u00eas anos, Portugal avan\u00e7a um \"bocadinho\".\r\n\r\nAssim, h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada e meia, o pa\u00eds europeu mant\u00e9m essa trajet\u00f3ria nos seus resultados e \u00e9 o \u00fanico do continente que melhora seu desempenho a cada ano.\r\n\r\nNem mesmo nos per\u00edodos mais duros da \u00faltima grande crise, com a redu\u00e7\u00e3o de investimentos e o ajuste fiscal imposto pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela Comiss\u00e3o Europeia, essa evolu\u00e7\u00e3o cessou.\r\n\u00c9 tamanha a consist\u00eancia de resultados que Portugal hoje recebe informalmente a alcunha de \"estrela ascendente da educa\u00e7\u00e3o internacional\" - e fez isso sem apostar em nenhuma grande estrat\u00e9gia educativa, mas investindo nas pessoas que formam a comunidade escolar, especialmente as m\u00e3es e as crian\u00e7as de 0 a 6 anos.\r\n\r\nApesar dos resultados positivos, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 de que ainda h\u00e1 muito a melhorar. A recomenda\u00e7\u00e3o do professor Ant\u00f3nio Gomes Ferreira, diretor da Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Coimbra, \u00e9 ter prud\u00eancia na leitura dos dados.\r\n\r\n\"O Pisa traduz uma boa evolu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o uma boa coloca\u00e7\u00e3o: Portugal est\u00e1 apenas ligeiramente acima da m\u00e9dia da OCDE, ocupando um lugar simplesmente mediano\", afirma.\r\n\r\nEntre os 72 participantes no teste, a pontua\u00e7\u00e3o de Portugal na \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o foi oito pontos superiores \u00e0 m\u00e9dia em ci\u00eancias, cinco pontos em leitura e dois pontos em matem\u00e1tica - esta \u00faltima diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 considerada estatisticamente significativa.\r\n\r\nA coloca\u00e7\u00e3o final dos alunos portugueses foi 17\u00ba lugar em ci\u00eancias, 18\u00ba em leitura e 22\u00ba em matem\u00e1tica - o que posiciona o pa\u00eds entre os melhores do mundo, mas distante ainda do desempenho dos sistemas educacionais de refer\u00eancia globais, como Cingapura, Finl\u00e2ndia, Hong Kong, Canad\u00e1 e Su\u00ed\u00e7a.\r\n\r\n\"O que o Pisa e outras avalia\u00e7\u00f5es nos mostram \u00e9 que Portugal est\u00e1 num patamar de pa\u00eds desenvolvido, mas ainda longe de acompanhar os que est\u00e3o no topo\", diz Gomes Ferreira, que coordena o Grupo de Pol\u00edticas Educativas e Din\u00e2micas Educacionais do Centro de Estudos Interdisciplinares do S\u00e9culo 20 (CEIS20).\r\n\r\n\"\" Educa\u00e7\u00e3o. [Foto: Lusa][\/caption]No entanto, ele concorda que n\u00e3o \u00e9 por acaso que o pa\u00eds demonstra avan\u00e7os no estudo - e que isso merece ser reconhecido.\r\n\r\nEscolariza\u00e7\u00e3o das m\u00e3es e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira inf\u00e2ncia\r\nNos \u00faltimos 50 anos, Portugal tem apresentado uma evolu\u00e7\u00e3o educacional que vai al\u00e9m da dimens\u00e3o escolar. Adv\u00e9m de um esfor\u00e7o amplo de mudan\u00e7a do status socioecon\u00f4mico e cultural da popula\u00e7\u00e3o em geral, particularmente das comunidades de menor renda.\r\n\r\nA partir dos anos 1970, Portugal universalizou o ensino, passando a ter todas as crian\u00e7as em idade escolar na escola. Isso significa que os pais das crian\u00e7as que est\u00e3o hoje na escola s\u00e3o a primeira gera\u00e7\u00e3o escolarizada - isso leva a outra maneira de educar e tamb\u00e9m a expectativas diferentes em rela\u00e7\u00e3o ao percurso acad\u00eamico dos filhos.\r\n\r\nEm um per\u00edodo mais recente, entre 2003 e 2015, o n\u00famero de m\u00e3es que completaram ao menos o ensino secund\u00e1rio, equivalente ao ensino m\u00e9dio brasileiro, subiu 41%.\r\n\r\n\"O indicador que mais influencia o rendimento escolar \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o e a escolariza\u00e7\u00e3o da m\u00e3e\", diz Ferreira.\r\n\r\n\"Se temos hoje m\u00e3es mais educadas e mais encorajadas, \u00e9 natural que tenhamos crian\u00e7as mais capazes de se inserir na escola, de se envolver e de evoluir na escola.\"\r\n\r\nOutro aspecto positivo est\u00e1 na primeira inf\u00e2ncia. A mortalidade infantil at\u00e9 aos 5 anos de idade em Portugal caiu 94% desde os anos 1970, segundo a Unicef, passando de 68 mortes de crian\u00e7as em cada mil nascimentos para 4 em cada mil em 2015.\r\n\r\nUm relat\u00f3rio de 2017 indica ainda que s\u00f3 15 pa\u00edses, entre eles Portugal, adotam as tr\u00eas pol\u00edticas nacionais b\u00e1sicas de apoio a pais de beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas no per\u00edodo mais cr\u00edtico de seu desenvolvimento, com dois anos de educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-prim\u00e1ria gratuita, pausa para amamenta\u00e7\u00e3o no trabalho para as novas m\u00e3es nos primeiros seis meses e licen\u00e7a parental adequada.\r\n\r\n\"Isso (o desenvolvimento das crian\u00e7as nos primeiros anos de vida) pode ser t\u00e3o ou mais relevante para esses resultados do que um m\u00e9todo ou outro aplicado \u00e0 escola\", defende Ferreira.\r\n\r\nEle destaca, entretanto, que esse \u00e9 um desafio para o qual o Estado e a sociedade ainda precisam se mobilizar, ampliando a oferta de creche e educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar para todos e atendendo a outras necessidades no \u00e2mbito sanit\u00e1rio e materno-infantil.\r\n\r\nSegundo o rec\u00e9m-lan\u00e7ado relat\u00f3rio Education at a Glance, da OCDE, apesar dos progressos recentes, Portugal est\u00e1 entre os pa\u00edses mais desiguais, com uma grande propor\u00e7\u00e3o de adultos sem ensino secund\u00e1rio e n\u00edveis de desigualdade de renda acima da m\u00e9dia.\r\n\r\nOs 10% mais ricos t\u00eam um rendimento quase cinco vezes superior aos 10% mais pobres - e a diferen\u00e7a est\u00e1 relacionada \u00e0 baixa qualifica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, uma vez que 55% das pessoas entre 18 e 64 anos n\u00e3o concluiu o ensino secund\u00e1rio.\r\n\r\n\"Os pa\u00edses que apresentam melhores resultados educacionais s\u00e3o aqueles que s\u00e3o mais coesos socialmente\", diz Ferreira, acrescentando que geralmente s\u00e3o tamb\u00e9m sociedades menos violentas, mais eficientes, mais igualit\u00e1rias, com mais qualidade de vida e bem-estar.\r\n\r\nNeste sentido, sua opini\u00e3o \u00e9 de que a Finl\u00e2ndia, hoje refer\u00eancia em educa\u00e7\u00e3o, foi o primeiro \"aluno aplicado\", ao garantir um equil\u00edbrio de suas pol\u00edticas sociais e criar um desenvolvimento sustentado.\r\n\r\nO Pisa simplesmente apontou para a sua consist\u00eancia do ponto de vista educacional. \"Este, como outros pa\u00edses, fez um trabalho sist\u00eamico de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade onde a educa\u00e7\u00e3o se insere, gerando resultados que extrapolam o Pisa.\"\r\n\r\nRepet\u00eancia e envelhecimento dos professores: os desafios\r\nSe h\u00e1 uma receita portuguesa para a evolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, ela passa por trabalhar em conjunto e de forma consistente a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade. \"As pessoas esquecem-se que educa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais do que escola. \u00c9 preciso olhar para a escola dentro da educa\u00e7\u00e3o.\"\r\n\r\nA percep\u00e7\u00e3o geral \u00e9 de que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas portuguesas s\u00e3o bem estruturadas, com foco no desempenho dos alunos, espa\u00e7o para cr\u00edtica entre colegas e planejamento de atividades de acordo com os resultados. As diferen\u00e7as est\u00e3o, por exemplo, mais na import\u00e2ncia dada \u00e0s atividades orientadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, no apoio individualizado oferecido a cada aluno.\r\n\r\nH\u00e1 uma controversa hip\u00f3tese para os bons resultados dos alunos portugueses devido \u00e0 \u00eanfase que as escolas d\u00e3o \u00e0s provas e testes interm\u00e9dios, aplicados com alta frequ\u00eancia e regularidade - \u00e0 margem de estrat\u00e9gias educativas preferidas por pa\u00edses como a Finl\u00e2ndia, que abrem m\u00e3o de exames para diminuir a ansiedade dos alunos com o aprendizado e ainda assim figuraram entre os pa\u00edses com o melhor desempenho escolar do mundo.\r\n\r\nEnquanto ainda \u00e9 dif\u00edcil estabelecer o exato efeito desses elementos no desempenho dos alunos portugueses, um dos principais fatores de risco apontado por constantes estudos da OCDE (2017) \u00e9 o uso frequente da reten\u00e7\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o escolar.\r\n\r\nPara Gomes Ferreira, essa pol\u00edtica \"indesej\u00e1vel e perniciosa\" s\u00f3 existe por tradi\u00e7\u00e3o e foi constru\u00edda sob um modelo educacional seletivo. \"(A reprova\u00e7\u00e3o) nunca atendeu \u00e0 desigualdade de condi\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as que est\u00e3o na escola e afeta principalmente crian\u00e7as de fam\u00edlias de menos renda\", explica.\r\n\r\nO desafio das escolas portuguesas passa a ser, portanto, instigar o sucesso por meio da discrimina\u00e7\u00e3o positiva e dar mais coes\u00e3o \u00e0 comunidade estudantil.\r\n\r\nUma das escolas portuguesas com melhores resultados externos, a escola secund\u00e1ria do agrupamento de Carcavelos, que j\u00e1 ocupou as \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es entre as escolas portuguesas na virada do s\u00e9culo, tem hoje a taxa de repet\u00eancia mais baixa do pa\u00eds (aproximadamente 3%).\r\n\r\nSem adotar um modelo educacional espec\u00edfico, mas atenta ao funcionamento de outras institui\u00e7\u00f5es, decidiu acabar com as repet\u00eancias at\u00e9 o nono ano do ensino b\u00e1sico, contrariando a vis\u00e3o de que a medida estaria associada ao rigor educacional. A a\u00e7\u00e3o vem acompanhada por um programa mais intensivo de recupera\u00e7\u00e3o e apoio ao aluno.\r\n\r\nNo que tange os docentes, h\u00e1 muitas variantes e nenhuma d\u00favida de que \u00e9 preciso haver bons professores para haver boas escolas, mas o desafio que preocupa atualmente Portugal \u00e9 o envelhecimento desta popula\u00e7\u00e3o.\r\n\r\nDe acordo com a OCDE, apenas 1% dos professores de ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio t\u00eam menos de 30 anos e 38% t\u00eam 50 anos ou mais - um aumento de 16% entre 2005 e 2016.\r\n\r\nIsso gera mais um desafio \u00e0 a\u00e7\u00e3o escolar: a desmobiliza\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Uma das queixas s\u00e3o as mudan\u00e7as repentinas feitas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, causando, a m\u00e9dio e longo prazo, um desgaste e desconforto de parte dos professores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as.\r\n\r\nExiste tamb\u00e9m um risco de escassez de professores, devido ao pouco interesse dos jovens pela profiss\u00e3o. Segundo as \u00faltimas conclus\u00f5es do Education at a Glance, o sal\u00e1rio est\u00e1 compat\u00edvel com o mercado de trabalho e, no topo de carreira, at\u00e9 acima da m\u00e9dia dos outros pa\u00edses. O que torna a forma\u00e7\u00e3o inicial menos atraente aos jovens \u00e9 a falta de vagas de trabalho. Sabendo que a tend\u00eancia \u00e9 o desemprego, os jovens n\u00e3o escolhem a carreira.\r\n\r\nPor outro lado, os professores em Portugal s\u00e3o melhor formados e selecionados hoje do que h\u00e1 15 anos - entre os docentes do 3\u00ba ciclo e secund\u00e1rio, anos compreendidos pelo Pisa, a forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica espec\u00edfica aumentou 48% entre 2003 e 2015.\r\n\r\nFerreira ressalta que as rela\u00e7\u00f5es entre a a\u00e7\u00e3o escolar e o desenvolvimento educacional s\u00e3o muito inconclusivas, deixando margem para an\u00e1lises mais sutis.\r\n\r\nAl\u00e9m disso, quando se trata de pol\u00edticas educativas, \"as coisas est\u00e3o sempre a mudar\", por meio de altera\u00e7\u00f5es de lei, no curr\u00edculo ou de m\u00e9todo. \u00c9 o caso, por exemplo, da autonomia e flexibilidade curricular, medida implantada sobre 25% do tempo letivo, que acaba de entrar vigor em todas as escolas do pa\u00eds.\r\n\r\nA principal quest\u00e3o, na opini\u00e3o do professor, \u00e9 saber se as mudan\u00e7as s\u00e3o s\u00f3lidas, consistentes e permitem que as gera\u00e7\u00f5es futuras tenham melhores perspectivas, construindo uma sociedade mais livre, igualit\u00e1ria e capaz de beneficiar aqueles que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es.\r\n\r\n\u00c9 por isso que a leitura do Pisa interessa mais em termos de futuro do que de presente. \"Olhar para os resultados do Pisa apenas em fun\u00e7\u00e3o de: 'hoje somos melhores do que \u00e9ramos no passado' \u00e9 pouco\", conclui.\r\n\r\nVIDA PT:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\n

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LEIA TAMB\u00c9M: Portugal pode pagar at\u00e9 \u20ac6500 a emigrantes ou descendentes que venham trabalhar para Portugal<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n

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Cena de Quer o Destino, da TVI de Portugal (Foto-Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n

Em Portugal, onde a crise sanit\u00e1ria est\u00e1 em um processo de supera\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ado do que no Brasil, as emissoras de televis\u00e3o j\u00e1 voltaram a trabalhar nos est\u00fadios para seguir com suas tramas in\u00e9ditas. No entanto, mesmo com todos os protocolos de seguran\u00e7a, n\u00e3o houve como garantir seguran\u00e7a plena.<\/p>\n\n\n\n

O canal TVI confirmou nesta semana dois novos casos de coronav\u00edrus entre seus colaboradores da novela Quer o Destino, que \u00e9 gravada em parceria com a produtora Plural Entertainment. De acordo com a imprensa portuguesa, todos os procedimentos foram tomados para conter a infec\u00e7\u00e3o entre os funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n

\u201cSim, confirmamos que existem dois casos. Estamos a fazer todos os procedimentos de preven\u00e7\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o. Todos os que contactaram com os dois pacientes foram j\u00e1 avisados para fazerem tamb\u00e9m teste\u201d, disse a diretora de comunica\u00e7\u00e3o da TVI, Helena Forjaz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n

No Brasil por exemplo, a TV Globo e a Rede Record, ainda estudam e preparam toda uma estrutura, para voltar \u00e0s atividades em seus departamentos de dramaturgia. Em outros pa\u00edses as grava\u00e7\u00f5es j\u00e1 ocorrem, novamente, apesar da pandemia do novo coronav\u00edrus. <\/p>\n\n\n\n

\nhttps:\/\/youtu.be\/4_No_4w_0EI\n<\/div><\/figure>\n","post_title":"Ap\u00f3s voltar a gravar novela, emissora TVi registra casos de coronav\u00edrus em sua equipe","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"apos-voltar-a-gravar-novela-emissora-tvi-registra-casos-de-coronavirus-em-sua-equipe","to_ping":"","pinged":"\nhttps:\/\/canalportugal.pt\/elvas-um-dos-mais-incrives-destinos-em-portugal\/","post_modified":"2020-07-19 14:06:42","post_modified_gmt":"2020-07-19 14:06:42","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=12487","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"},{"ID":8973,"post_author":"1","post_date":"2018-10-20 16:33:05","post_date_gmt":"2018-10-20 16:33:05","post_content":"Por BBC News<\/em><\/a>.\r\n\r\nDesde 2015, a Uni\u00e3o Europeia observa a ascens\u00e3o educacional de um pa\u00eds que, a despeito de ainda sentir os efeitos de uma grave crise econ\u00f4mica e estar entre os mais pobres do bloco, chama aten\u00e7\u00e3o por seus resultados no principal teste internacional de educa\u00e7\u00e3o.<\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Educa\u00e7\u00e3o de Portugal \u00e9 a \u00fanica da Europa que melhora a cada ano<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0A difere\u00e7a entre t\u00edtulos de filmes no Brasil e em Portugal<\/a><\/strong>\r\n\r\n\"\" No \u00faltimo relat\u00f3rio \u201cEduca\u00e7\u00e3o para Todos\u201d, publicado em abril, Portugal surge entre os pa\u00edses que transitaram para o modelo social de defici\u00eancia. (Imagem-UNESCO)[\/caption]\r\n\r\nPortugal conseguiu que seus alunos de 15 anos ficassem acima da m\u00e9dia da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE, organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m conhecida como \"clube dos ricos\") nos dom\u00ednios avaliados pelo Pisa: ci\u00eancias, leitura e matem\u00e1tica.\r\n\r\nAli\u00e1s, desde que o exame come\u00e7ou a ser aplicado pela OCDE nos anos 2000, a cada tr\u00eas anos, Portugal avan\u00e7a um \"bocadinho\".\r\n\r\nAssim, h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada e meia, o pa\u00eds europeu mant\u00e9m essa trajet\u00f3ria nos seus resultados e \u00e9 o \u00fanico do continente que melhora seu desempenho a cada ano.\r\n\r\nNem mesmo nos per\u00edodos mais duros da \u00faltima grande crise, com a redu\u00e7\u00e3o de investimentos e o ajuste fiscal imposto pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela Comiss\u00e3o Europeia, essa evolu\u00e7\u00e3o cessou.\r\n\u00c9 tamanha a consist\u00eancia de resultados que Portugal hoje recebe informalmente a alcunha de \"estrela ascendente da educa\u00e7\u00e3o internacional\" - e fez isso sem apostar em nenhuma grande estrat\u00e9gia educativa, mas investindo nas pessoas que formam a comunidade escolar, especialmente as m\u00e3es e as crian\u00e7as de 0 a 6 anos.\r\n\r\nApesar dos resultados positivos, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 de que ainda h\u00e1 muito a melhorar. A recomenda\u00e7\u00e3o do professor Ant\u00f3nio Gomes Ferreira, diretor da Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Coimbra, \u00e9 ter prud\u00eancia na leitura dos dados.\r\n\r\n\"O Pisa traduz uma boa evolu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o uma boa coloca\u00e7\u00e3o: Portugal est\u00e1 apenas ligeiramente acima da m\u00e9dia da OCDE, ocupando um lugar simplesmente mediano\", afirma.\r\n\r\nEntre os 72 participantes no teste, a pontua\u00e7\u00e3o de Portugal na \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o foi oito pontos superiores \u00e0 m\u00e9dia em ci\u00eancias, cinco pontos em leitura e dois pontos em matem\u00e1tica - esta \u00faltima diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 considerada estatisticamente significativa.\r\n\r\nA coloca\u00e7\u00e3o final dos alunos portugueses foi 17\u00ba lugar em ci\u00eancias, 18\u00ba em leitura e 22\u00ba em matem\u00e1tica - o que posiciona o pa\u00eds entre os melhores do mundo, mas distante ainda do desempenho dos sistemas educacionais de refer\u00eancia globais, como Cingapura, Finl\u00e2ndia, Hong Kong, Canad\u00e1 e Su\u00ed\u00e7a.\r\n\r\n\"O que o Pisa e outras avalia\u00e7\u00f5es nos mostram \u00e9 que Portugal est\u00e1 num patamar de pa\u00eds desenvolvido, mas ainda longe de acompanhar os que est\u00e3o no topo\", diz Gomes Ferreira, que coordena o Grupo de Pol\u00edticas Educativas e Din\u00e2micas Educacionais do Centro de Estudos Interdisciplinares do S\u00e9culo 20 (CEIS20).\r\n\r\n\"\" Educa\u00e7\u00e3o. [Foto: Lusa][\/caption]No entanto, ele concorda que n\u00e3o \u00e9 por acaso que o pa\u00eds demonstra avan\u00e7os no estudo - e que isso merece ser reconhecido.\r\n\r\nEscolariza\u00e7\u00e3o das m\u00e3es e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira inf\u00e2ncia\r\nNos \u00faltimos 50 anos, Portugal tem apresentado uma evolu\u00e7\u00e3o educacional que vai al\u00e9m da dimens\u00e3o escolar. Adv\u00e9m de um esfor\u00e7o amplo de mudan\u00e7a do status socioecon\u00f4mico e cultural da popula\u00e7\u00e3o em geral, particularmente das comunidades de menor renda.\r\n\r\nA partir dos anos 1970, Portugal universalizou o ensino, passando a ter todas as crian\u00e7as em idade escolar na escola. Isso significa que os pais das crian\u00e7as que est\u00e3o hoje na escola s\u00e3o a primeira gera\u00e7\u00e3o escolarizada - isso leva a outra maneira de educar e tamb\u00e9m a expectativas diferentes em rela\u00e7\u00e3o ao percurso acad\u00eamico dos filhos.\r\n\r\nEm um per\u00edodo mais recente, entre 2003 e 2015, o n\u00famero de m\u00e3es que completaram ao menos o ensino secund\u00e1rio, equivalente ao ensino m\u00e9dio brasileiro, subiu 41%.\r\n\r\n\"O indicador que mais influencia o rendimento escolar \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o e a escolariza\u00e7\u00e3o da m\u00e3e\", diz Ferreira.\r\n\r\n\"Se temos hoje m\u00e3es mais educadas e mais encorajadas, \u00e9 natural que tenhamos crian\u00e7as mais capazes de se inserir na escola, de se envolver e de evoluir na escola.\"\r\n\r\nOutro aspecto positivo est\u00e1 na primeira inf\u00e2ncia. A mortalidade infantil at\u00e9 aos 5 anos de idade em Portugal caiu 94% desde os anos 1970, segundo a Unicef, passando de 68 mortes de crian\u00e7as em cada mil nascimentos para 4 em cada mil em 2015.\r\n\r\nUm relat\u00f3rio de 2017 indica ainda que s\u00f3 15 pa\u00edses, entre eles Portugal, adotam as tr\u00eas pol\u00edticas nacionais b\u00e1sicas de apoio a pais de beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas no per\u00edodo mais cr\u00edtico de seu desenvolvimento, com dois anos de educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-prim\u00e1ria gratuita, pausa para amamenta\u00e7\u00e3o no trabalho para as novas m\u00e3es nos primeiros seis meses e licen\u00e7a parental adequada.\r\n\r\n\"Isso (o desenvolvimento das crian\u00e7as nos primeiros anos de vida) pode ser t\u00e3o ou mais relevante para esses resultados do que um m\u00e9todo ou outro aplicado \u00e0 escola\", defende Ferreira.\r\n\r\nEle destaca, entretanto, que esse \u00e9 um desafio para o qual o Estado e a sociedade ainda precisam se mobilizar, ampliando a oferta de creche e educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar para todos e atendendo a outras necessidades no \u00e2mbito sanit\u00e1rio e materno-infantil.\r\n\r\nSegundo o rec\u00e9m-lan\u00e7ado relat\u00f3rio Education at a Glance, da OCDE, apesar dos progressos recentes, Portugal est\u00e1 entre os pa\u00edses mais desiguais, com uma grande propor\u00e7\u00e3o de adultos sem ensino secund\u00e1rio e n\u00edveis de desigualdade de renda acima da m\u00e9dia.\r\n\r\nOs 10% mais ricos t\u00eam um rendimento quase cinco vezes superior aos 10% mais pobres - e a diferen\u00e7a est\u00e1 relacionada \u00e0 baixa qualifica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, uma vez que 55% das pessoas entre 18 e 64 anos n\u00e3o concluiu o ensino secund\u00e1rio.\r\n\r\n\"Os pa\u00edses que apresentam melhores resultados educacionais s\u00e3o aqueles que s\u00e3o mais coesos socialmente\", diz Ferreira, acrescentando que geralmente s\u00e3o tamb\u00e9m sociedades menos violentas, mais eficientes, mais igualit\u00e1rias, com mais qualidade de vida e bem-estar.\r\n\r\nNeste sentido, sua opini\u00e3o \u00e9 de que a Finl\u00e2ndia, hoje refer\u00eancia em educa\u00e7\u00e3o, foi o primeiro \"aluno aplicado\", ao garantir um equil\u00edbrio de suas pol\u00edticas sociais e criar um desenvolvimento sustentado.\r\n\r\nO Pisa simplesmente apontou para a sua consist\u00eancia do ponto de vista educacional. \"Este, como outros pa\u00edses, fez um trabalho sist\u00eamico de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade onde a educa\u00e7\u00e3o se insere, gerando resultados que extrapolam o Pisa.\"\r\n\r\nRepet\u00eancia e envelhecimento dos professores: os desafios\r\nSe h\u00e1 uma receita portuguesa para a evolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, ela passa por trabalhar em conjunto e de forma consistente a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade. \"As pessoas esquecem-se que educa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais do que escola. \u00c9 preciso olhar para a escola dentro da educa\u00e7\u00e3o.\"\r\n\r\nA percep\u00e7\u00e3o geral \u00e9 de que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas portuguesas s\u00e3o bem estruturadas, com foco no desempenho dos alunos, espa\u00e7o para cr\u00edtica entre colegas e planejamento de atividades de acordo com os resultados. As diferen\u00e7as est\u00e3o, por exemplo, mais na import\u00e2ncia dada \u00e0s atividades orientadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, no apoio individualizado oferecido a cada aluno.\r\n\r\nH\u00e1 uma controversa hip\u00f3tese para os bons resultados dos alunos portugueses devido \u00e0 \u00eanfase que as escolas d\u00e3o \u00e0s provas e testes interm\u00e9dios, aplicados com alta frequ\u00eancia e regularidade - \u00e0 margem de estrat\u00e9gias educativas preferidas por pa\u00edses como a Finl\u00e2ndia, que abrem m\u00e3o de exames para diminuir a ansiedade dos alunos com o aprendizado e ainda assim figuraram entre os pa\u00edses com o melhor desempenho escolar do mundo.\r\n\r\nEnquanto ainda \u00e9 dif\u00edcil estabelecer o exato efeito desses elementos no desempenho dos alunos portugueses, um dos principais fatores de risco apontado por constantes estudos da OCDE (2017) \u00e9 o uso frequente da reten\u00e7\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o escolar.\r\n\r\nPara Gomes Ferreira, essa pol\u00edtica \"indesej\u00e1vel e perniciosa\" s\u00f3 existe por tradi\u00e7\u00e3o e foi constru\u00edda sob um modelo educacional seletivo. \"(A reprova\u00e7\u00e3o) nunca atendeu \u00e0 desigualdade de condi\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as que est\u00e3o na escola e afeta principalmente crian\u00e7as de fam\u00edlias de menos renda\", explica.\r\n\r\nO desafio das escolas portuguesas passa a ser, portanto, instigar o sucesso por meio da discrimina\u00e7\u00e3o positiva e dar mais coes\u00e3o \u00e0 comunidade estudantil.\r\n\r\nUma das escolas portuguesas com melhores resultados externos, a escola secund\u00e1ria do agrupamento de Carcavelos, que j\u00e1 ocupou as \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es entre as escolas portuguesas na virada do s\u00e9culo, tem hoje a taxa de repet\u00eancia mais baixa do pa\u00eds (aproximadamente 3%).\r\n\r\nSem adotar um modelo educacional espec\u00edfico, mas atenta ao funcionamento de outras institui\u00e7\u00f5es, decidiu acabar com as repet\u00eancias at\u00e9 o nono ano do ensino b\u00e1sico, contrariando a vis\u00e3o de que a medida estaria associada ao rigor educacional. A a\u00e7\u00e3o vem acompanhada por um programa mais intensivo de recupera\u00e7\u00e3o e apoio ao aluno.\r\n\r\nNo que tange os docentes, h\u00e1 muitas variantes e nenhuma d\u00favida de que \u00e9 preciso haver bons professores para haver boas escolas, mas o desafio que preocupa atualmente Portugal \u00e9 o envelhecimento desta popula\u00e7\u00e3o.\r\n\r\nDe acordo com a OCDE, apenas 1% dos professores de ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio t\u00eam menos de 30 anos e 38% t\u00eam 50 anos ou mais - um aumento de 16% entre 2005 e 2016.\r\n\r\nIsso gera mais um desafio \u00e0 a\u00e7\u00e3o escolar: a desmobiliza\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Uma das queixas s\u00e3o as mudan\u00e7as repentinas feitas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, causando, a m\u00e9dio e longo prazo, um desgaste e desconforto de parte dos professores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as.\r\n\r\nExiste tamb\u00e9m um risco de escassez de professores, devido ao pouco interesse dos jovens pela profiss\u00e3o. Segundo as \u00faltimas conclus\u00f5es do Education at a Glance, o sal\u00e1rio est\u00e1 compat\u00edvel com o mercado de trabalho e, no topo de carreira, at\u00e9 acima da m\u00e9dia dos outros pa\u00edses. O que torna a forma\u00e7\u00e3o inicial menos atraente aos jovens \u00e9 a falta de vagas de trabalho. Sabendo que a tend\u00eancia \u00e9 o desemprego, os jovens n\u00e3o escolhem a carreira.\r\n\r\nPor outro lado, os professores em Portugal s\u00e3o melhor formados e selecionados hoje do que h\u00e1 15 anos - entre os docentes do 3\u00ba ciclo e secund\u00e1rio, anos compreendidos pelo Pisa, a forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica espec\u00edfica aumentou 48% entre 2003 e 2015.\r\n\r\nFerreira ressalta que as rela\u00e7\u00f5es entre a a\u00e7\u00e3o escolar e o desenvolvimento educacional s\u00e3o muito inconclusivas, deixando margem para an\u00e1lises mais sutis.\r\n\r\nAl\u00e9m disso, quando se trata de pol\u00edticas educativas, \"as coisas est\u00e3o sempre a mudar\", por meio de altera\u00e7\u00f5es de lei, no curr\u00edculo ou de m\u00e9todo. \u00c9 o caso, por exemplo, da autonomia e flexibilidade curricular, medida implantada sobre 25% do tempo letivo, que acaba de entrar vigor em todas as escolas do pa\u00eds.\r\n\r\nA principal quest\u00e3o, na opini\u00e3o do professor, \u00e9 saber se as mudan\u00e7as s\u00e3o s\u00f3lidas, consistentes e permitem que as gera\u00e7\u00f5es futuras tenham melhores perspectivas, construindo uma sociedade mais livre, igualit\u00e1ria e capaz de beneficiar aqueles que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es.\r\n\r\n\u00c9 por isso que a leitura do Pisa interessa mais em termos de futuro do que de presente. \"Olhar para os resultados do Pisa apenas em fun\u00e7\u00e3o de: 'hoje somos melhores do que \u00e9ramos no passado' \u00e9 pouco\", conclui.\r\n\r\nVIDA PT:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\n

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Cena de Quer o Destino, da TVI de Portugal (Foto-Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n

Em Portugal, onde a crise sanit\u00e1ria est\u00e1 em um processo de supera\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ado do que no Brasil, as emissoras de televis\u00e3o j\u00e1 voltaram a trabalhar nos est\u00fadios para seguir com suas tramas in\u00e9ditas. No entanto, mesmo com todos os protocolos de seguran\u00e7a, n\u00e3o houve como garantir seguran\u00e7a plena.<\/p>\n\n\n\n

O canal TVI confirmou nesta semana dois novos casos de coronav\u00edrus entre seus colaboradores da novela Quer o Destino, que \u00e9 gravada em parceria com a produtora Plural Entertainment. De acordo com a imprensa portuguesa, todos os procedimentos foram tomados para conter a infec\u00e7\u00e3o entre os funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n

\u201cSim, confirmamos que existem dois casos. Estamos a fazer todos os procedimentos de preven\u00e7\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o. Todos os que contactaram com os dois pacientes foram j\u00e1 avisados para fazerem tamb\u00e9m teste\u201d, disse a diretora de comunica\u00e7\u00e3o da TVI, Helena Forjaz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n

No Brasil por exemplo, a TV Globo e a Rede Record, ainda estudam e preparam toda uma estrutura, para voltar \u00e0s atividades em seus departamentos de dramaturgia. Em outros pa\u00edses as grava\u00e7\u00f5es j\u00e1 ocorrem, novamente, apesar da pandemia do novo coronav\u00edrus. <\/p>\n\n\n\n

\nhttps:\/\/youtu.be\/4_No_4w_0EI\n<\/div><\/figure>\n","post_title":"Ap\u00f3s voltar a gravar novela, emissora TVi registra casos de coronav\u00edrus em sua equipe","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"apos-voltar-a-gravar-novela-emissora-tvi-registra-casos-de-coronavirus-em-sua-equipe","to_ping":"","pinged":"\nhttps:\/\/canalportugal.pt\/elvas-um-dos-mais-incrives-destinos-em-portugal\/","post_modified":"2020-07-19 14:06:42","post_modified_gmt":"2020-07-19 14:06:42","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=12487","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"},{"ID":8973,"post_author":"1","post_date":"2018-10-20 16:33:05","post_date_gmt":"2018-10-20 16:33:05","post_content":"Por BBC News<\/em><\/a>.\r\n\r\nDesde 2015, a Uni\u00e3o Europeia observa a ascens\u00e3o educacional de um pa\u00eds que, a despeito de ainda sentir os efeitos de uma grave crise econ\u00f4mica e estar entre os mais pobres do bloco, chama aten\u00e7\u00e3o por seus resultados no principal teste internacional de educa\u00e7\u00e3o.<\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Educa\u00e7\u00e3o de Portugal \u00e9 a \u00fanica da Europa que melhora a cada ano<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0A difere\u00e7a entre t\u00edtulos de filmes no Brasil e em Portugal<\/a><\/strong>\r\n\r\n\"\" No \u00faltimo relat\u00f3rio \u201cEduca\u00e7\u00e3o para Todos\u201d, publicado em abril, Portugal surge entre os pa\u00edses que transitaram para o modelo social de defici\u00eancia. (Imagem-UNESCO)[\/caption]\r\n\r\nPortugal conseguiu que seus alunos de 15 anos ficassem acima da m\u00e9dia da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE, organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m conhecida como \"clube dos ricos\") nos dom\u00ednios avaliados pelo Pisa: ci\u00eancias, leitura e matem\u00e1tica.\r\n\r\nAli\u00e1s, desde que o exame come\u00e7ou a ser aplicado pela OCDE nos anos 2000, a cada tr\u00eas anos, Portugal avan\u00e7a um \"bocadinho\".\r\n\r\nAssim, h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada e meia, o pa\u00eds europeu mant\u00e9m essa trajet\u00f3ria nos seus resultados e \u00e9 o \u00fanico do continente que melhora seu desempenho a cada ano.\r\n\r\nNem mesmo nos per\u00edodos mais duros da \u00faltima grande crise, com a redu\u00e7\u00e3o de investimentos e o ajuste fiscal imposto pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela Comiss\u00e3o Europeia, essa evolu\u00e7\u00e3o cessou.\r\n\u00c9 tamanha a consist\u00eancia de resultados que Portugal hoje recebe informalmente a alcunha de \"estrela ascendente da educa\u00e7\u00e3o internacional\" - e fez isso sem apostar em nenhuma grande estrat\u00e9gia educativa, mas investindo nas pessoas que formam a comunidade escolar, especialmente as m\u00e3es e as crian\u00e7as de 0 a 6 anos.\r\n\r\nApesar dos resultados positivos, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 de que ainda h\u00e1 muito a melhorar. A recomenda\u00e7\u00e3o do professor Ant\u00f3nio Gomes Ferreira, diretor da Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Coimbra, \u00e9 ter prud\u00eancia na leitura dos dados.\r\n\r\n\"O Pisa traduz uma boa evolu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o uma boa coloca\u00e7\u00e3o: Portugal est\u00e1 apenas ligeiramente acima da m\u00e9dia da OCDE, ocupando um lugar simplesmente mediano\", afirma.\r\n\r\nEntre os 72 participantes no teste, a pontua\u00e7\u00e3o de Portugal na \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o foi oito pontos superiores \u00e0 m\u00e9dia em ci\u00eancias, cinco pontos em leitura e dois pontos em matem\u00e1tica - esta \u00faltima diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 considerada estatisticamente significativa.\r\n\r\nA coloca\u00e7\u00e3o final dos alunos portugueses foi 17\u00ba lugar em ci\u00eancias, 18\u00ba em leitura e 22\u00ba em matem\u00e1tica - o que posiciona o pa\u00eds entre os melhores do mundo, mas distante ainda do desempenho dos sistemas educacionais de refer\u00eancia globais, como Cingapura, Finl\u00e2ndia, Hong Kong, Canad\u00e1 e Su\u00ed\u00e7a.\r\n\r\n\"O que o Pisa e outras avalia\u00e7\u00f5es nos mostram \u00e9 que Portugal est\u00e1 num patamar de pa\u00eds desenvolvido, mas ainda longe de acompanhar os que est\u00e3o no topo\", diz Gomes Ferreira, que coordena o Grupo de Pol\u00edticas Educativas e Din\u00e2micas Educacionais do Centro de Estudos Interdisciplinares do S\u00e9culo 20 (CEIS20).\r\n\r\n\"\" Educa\u00e7\u00e3o. [Foto: Lusa][\/caption]No entanto, ele concorda que n\u00e3o \u00e9 por acaso que o pa\u00eds demonstra avan\u00e7os no estudo - e que isso merece ser reconhecido.\r\n\r\nEscolariza\u00e7\u00e3o das m\u00e3es e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira inf\u00e2ncia\r\nNos \u00faltimos 50 anos, Portugal tem apresentado uma evolu\u00e7\u00e3o educacional que vai al\u00e9m da dimens\u00e3o escolar. Adv\u00e9m de um esfor\u00e7o amplo de mudan\u00e7a do status socioecon\u00f4mico e cultural da popula\u00e7\u00e3o em geral, particularmente das comunidades de menor renda.\r\n\r\nA partir dos anos 1970, Portugal universalizou o ensino, passando a ter todas as crian\u00e7as em idade escolar na escola. Isso significa que os pais das crian\u00e7as que est\u00e3o hoje na escola s\u00e3o a primeira gera\u00e7\u00e3o escolarizada - isso leva a outra maneira de educar e tamb\u00e9m a expectativas diferentes em rela\u00e7\u00e3o ao percurso acad\u00eamico dos filhos.\r\n\r\nEm um per\u00edodo mais recente, entre 2003 e 2015, o n\u00famero de m\u00e3es que completaram ao menos o ensino secund\u00e1rio, equivalente ao ensino m\u00e9dio brasileiro, subiu 41%.\r\n\r\n\"O indicador que mais influencia o rendimento escolar \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o e a escolariza\u00e7\u00e3o da m\u00e3e\", diz Ferreira.\r\n\r\n\"Se temos hoje m\u00e3es mais educadas e mais encorajadas, \u00e9 natural que tenhamos crian\u00e7as mais capazes de se inserir na escola, de se envolver e de evoluir na escola.\"\r\n\r\nOutro aspecto positivo est\u00e1 na primeira inf\u00e2ncia. A mortalidade infantil at\u00e9 aos 5 anos de idade em Portugal caiu 94% desde os anos 1970, segundo a Unicef, passando de 68 mortes de crian\u00e7as em cada mil nascimentos para 4 em cada mil em 2015.\r\n\r\nUm relat\u00f3rio de 2017 indica ainda que s\u00f3 15 pa\u00edses, entre eles Portugal, adotam as tr\u00eas pol\u00edticas nacionais b\u00e1sicas de apoio a pais de beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas no per\u00edodo mais cr\u00edtico de seu desenvolvimento, com dois anos de educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-prim\u00e1ria gratuita, pausa para amamenta\u00e7\u00e3o no trabalho para as novas m\u00e3es nos primeiros seis meses e licen\u00e7a parental adequada.\r\n\r\n\"Isso (o desenvolvimento das crian\u00e7as nos primeiros anos de vida) pode ser t\u00e3o ou mais relevante para esses resultados do que um m\u00e9todo ou outro aplicado \u00e0 escola\", defende Ferreira.\r\n\r\nEle destaca, entretanto, que esse \u00e9 um desafio para o qual o Estado e a sociedade ainda precisam se mobilizar, ampliando a oferta de creche e educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar para todos e atendendo a outras necessidades no \u00e2mbito sanit\u00e1rio e materno-infantil.\r\n\r\nSegundo o rec\u00e9m-lan\u00e7ado relat\u00f3rio Education at a Glance, da OCDE, apesar dos progressos recentes, Portugal est\u00e1 entre os pa\u00edses mais desiguais, com uma grande propor\u00e7\u00e3o de adultos sem ensino secund\u00e1rio e n\u00edveis de desigualdade de renda acima da m\u00e9dia.\r\n\r\nOs 10% mais ricos t\u00eam um rendimento quase cinco vezes superior aos 10% mais pobres - e a diferen\u00e7a est\u00e1 relacionada \u00e0 baixa qualifica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, uma vez que 55% das pessoas entre 18 e 64 anos n\u00e3o concluiu o ensino secund\u00e1rio.\r\n\r\n\"Os pa\u00edses que apresentam melhores resultados educacionais s\u00e3o aqueles que s\u00e3o mais coesos socialmente\", diz Ferreira, acrescentando que geralmente s\u00e3o tamb\u00e9m sociedades menos violentas, mais eficientes, mais igualit\u00e1rias, com mais qualidade de vida e bem-estar.\r\n\r\nNeste sentido, sua opini\u00e3o \u00e9 de que a Finl\u00e2ndia, hoje refer\u00eancia em educa\u00e7\u00e3o, foi o primeiro \"aluno aplicado\", ao garantir um equil\u00edbrio de suas pol\u00edticas sociais e criar um desenvolvimento sustentado.\r\n\r\nO Pisa simplesmente apontou para a sua consist\u00eancia do ponto de vista educacional. \"Este, como outros pa\u00edses, fez um trabalho sist\u00eamico de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade onde a educa\u00e7\u00e3o se insere, gerando resultados que extrapolam o Pisa.\"\r\n\r\nRepet\u00eancia e envelhecimento dos professores: os desafios\r\nSe h\u00e1 uma receita portuguesa para a evolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, ela passa por trabalhar em conjunto e de forma consistente a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade. \"As pessoas esquecem-se que educa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais do que escola. \u00c9 preciso olhar para a escola dentro da educa\u00e7\u00e3o.\"\r\n\r\nA percep\u00e7\u00e3o geral \u00e9 de que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas portuguesas s\u00e3o bem estruturadas, com foco no desempenho dos alunos, espa\u00e7o para cr\u00edtica entre colegas e planejamento de atividades de acordo com os resultados. As diferen\u00e7as est\u00e3o, por exemplo, mais na import\u00e2ncia dada \u00e0s atividades orientadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, no apoio individualizado oferecido a cada aluno.\r\n\r\nH\u00e1 uma controversa hip\u00f3tese para os bons resultados dos alunos portugueses devido \u00e0 \u00eanfase que as escolas d\u00e3o \u00e0s provas e testes interm\u00e9dios, aplicados com alta frequ\u00eancia e regularidade - \u00e0 margem de estrat\u00e9gias educativas preferidas por pa\u00edses como a Finl\u00e2ndia, que abrem m\u00e3o de exames para diminuir a ansiedade dos alunos com o aprendizado e ainda assim figuraram entre os pa\u00edses com o melhor desempenho escolar do mundo.\r\n\r\nEnquanto ainda \u00e9 dif\u00edcil estabelecer o exato efeito desses elementos no desempenho dos alunos portugueses, um dos principais fatores de risco apontado por constantes estudos da OCDE (2017) \u00e9 o uso frequente da reten\u00e7\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o escolar.\r\n\r\nPara Gomes Ferreira, essa pol\u00edtica \"indesej\u00e1vel e perniciosa\" s\u00f3 existe por tradi\u00e7\u00e3o e foi constru\u00edda sob um modelo educacional seletivo. \"(A reprova\u00e7\u00e3o) nunca atendeu \u00e0 desigualdade de condi\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as que est\u00e3o na escola e afeta principalmente crian\u00e7as de fam\u00edlias de menos renda\", explica.\r\n\r\nO desafio das escolas portuguesas passa a ser, portanto, instigar o sucesso por meio da discrimina\u00e7\u00e3o positiva e dar mais coes\u00e3o \u00e0 comunidade estudantil.\r\n\r\nUma das escolas portuguesas com melhores resultados externos, a escola secund\u00e1ria do agrupamento de Carcavelos, que j\u00e1 ocupou as \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es entre as escolas portuguesas na virada do s\u00e9culo, tem hoje a taxa de repet\u00eancia mais baixa do pa\u00eds (aproximadamente 3%).\r\n\r\nSem adotar um modelo educacional espec\u00edfico, mas atenta ao funcionamento de outras institui\u00e7\u00f5es, decidiu acabar com as repet\u00eancias at\u00e9 o nono ano do ensino b\u00e1sico, contrariando a vis\u00e3o de que a medida estaria associada ao rigor educacional. A a\u00e7\u00e3o vem acompanhada por um programa mais intensivo de recupera\u00e7\u00e3o e apoio ao aluno.\r\n\r\nNo que tange os docentes, h\u00e1 muitas variantes e nenhuma d\u00favida de que \u00e9 preciso haver bons professores para haver boas escolas, mas o desafio que preocupa atualmente Portugal \u00e9 o envelhecimento desta popula\u00e7\u00e3o.\r\n\r\nDe acordo com a OCDE, apenas 1% dos professores de ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio t\u00eam menos de 30 anos e 38% t\u00eam 50 anos ou mais - um aumento de 16% entre 2005 e 2016.\r\n\r\nIsso gera mais um desafio \u00e0 a\u00e7\u00e3o escolar: a desmobiliza\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Uma das queixas s\u00e3o as mudan\u00e7as repentinas feitas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, causando, a m\u00e9dio e longo prazo, um desgaste e desconforto de parte dos professores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as.\r\n\r\nExiste tamb\u00e9m um risco de escassez de professores, devido ao pouco interesse dos jovens pela profiss\u00e3o. Segundo as \u00faltimas conclus\u00f5es do Education at a Glance, o sal\u00e1rio est\u00e1 compat\u00edvel com o mercado de trabalho e, no topo de carreira, at\u00e9 acima da m\u00e9dia dos outros pa\u00edses. O que torna a forma\u00e7\u00e3o inicial menos atraente aos jovens \u00e9 a falta de vagas de trabalho. Sabendo que a tend\u00eancia \u00e9 o desemprego, os jovens n\u00e3o escolhem a carreira.\r\n\r\nPor outro lado, os professores em Portugal s\u00e3o melhor formados e selecionados hoje do que h\u00e1 15 anos - entre os docentes do 3\u00ba ciclo e secund\u00e1rio, anos compreendidos pelo Pisa, a forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica espec\u00edfica aumentou 48% entre 2003 e 2015.\r\n\r\nFerreira ressalta que as rela\u00e7\u00f5es entre a a\u00e7\u00e3o escolar e o desenvolvimento educacional s\u00e3o muito inconclusivas, deixando margem para an\u00e1lises mais sutis.\r\n\r\nAl\u00e9m disso, quando se trata de pol\u00edticas educativas, \"as coisas est\u00e3o sempre a mudar\", por meio de altera\u00e7\u00f5es de lei, no curr\u00edculo ou de m\u00e9todo. \u00c9 o caso, por exemplo, da autonomia e flexibilidade curricular, medida implantada sobre 25% do tempo letivo, que acaba de entrar vigor em todas as escolas do pa\u00eds.\r\n\r\nA principal quest\u00e3o, na opini\u00e3o do professor, \u00e9 saber se as mudan\u00e7as s\u00e3o s\u00f3lidas, consistentes e permitem que as gera\u00e7\u00f5es futuras tenham melhores perspectivas, construindo uma sociedade mais livre, igualit\u00e1ria e capaz de beneficiar aqueles que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es.\r\n\r\n\u00c9 por isso que a leitura do Pisa interessa mais em termos de futuro do que de presente. \"Olhar para os resultados do Pisa apenas em fun\u00e7\u00e3o de: 'hoje somos melhores do que \u00e9ramos no passado' \u00e9 pouco\", conclui.\r\n\r\nVIDA PT:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\n

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Cena de Quer o Destino, da TVI de Portugal (Foto-Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n

Em Portugal, onde a crise sanit\u00e1ria est\u00e1 em um processo de supera\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ado do que no Brasil, as emissoras de televis\u00e3o j\u00e1 voltaram a trabalhar nos est\u00fadios para seguir com suas tramas in\u00e9ditas. No entanto, mesmo com todos os protocolos de seguran\u00e7a, n\u00e3o houve como garantir seguran\u00e7a plena.<\/p>\n\n\n\n

O canal TVI confirmou nesta semana dois novos casos de coronav\u00edrus entre seus colaboradores da novela Quer o Destino, que \u00e9 gravada em parceria com a produtora Plural Entertainment. De acordo com a imprensa portuguesa, todos os procedimentos foram tomados para conter a infec\u00e7\u00e3o entre os funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n

\u201cSim, confirmamos que existem dois casos. Estamos a fazer todos os procedimentos de preven\u00e7\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o. Todos os que contactaram com os dois pacientes foram j\u00e1 avisados para fazerem tamb\u00e9m teste\u201d, disse a diretora de comunica\u00e7\u00e3o da TVI, Helena Forjaz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n

No Brasil por exemplo, a TV Globo e a Rede Record, ainda estudam e preparam toda uma estrutura, para voltar \u00e0s atividades em seus departamentos de dramaturgia. Em outros pa\u00edses as grava\u00e7\u00f5es j\u00e1 ocorrem, novamente, apesar da pandemia do novo coronav\u00edrus. <\/p>\n\n\n\n

\nhttps:\/\/youtu.be\/4_No_4w_0EI\n<\/div><\/figure>\n","post_title":"Ap\u00f3s voltar a gravar novela, emissora TVi registra casos de coronav\u00edrus em sua equipe","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"apos-voltar-a-gravar-novela-emissora-tvi-registra-casos-de-coronavirus-em-sua-equipe","to_ping":"","pinged":"\nhttps:\/\/canalportugal.pt\/elvas-um-dos-mais-incrives-destinos-em-portugal\/","post_modified":"2020-07-19 14:06:42","post_modified_gmt":"2020-07-19 14:06:42","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=12487","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"},{"ID":8973,"post_author":"1","post_date":"2018-10-20 16:33:05","post_date_gmt":"2018-10-20 16:33:05","post_content":"Por BBC News<\/em><\/a>.\r\n\r\nDesde 2015, a Uni\u00e3o Europeia observa a ascens\u00e3o educacional de um pa\u00eds que, a despeito de ainda sentir os efeitos de uma grave crise econ\u00f4mica e estar entre os mais pobres do bloco, chama aten\u00e7\u00e3o por seus resultados no principal teste internacional de educa\u00e7\u00e3o.<\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Educa\u00e7\u00e3o de Portugal \u00e9 a \u00fanica da Europa que melhora a cada ano<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0A difere\u00e7a entre t\u00edtulos de filmes no Brasil e em Portugal<\/a><\/strong>\r\n\r\n\"\" No \u00faltimo relat\u00f3rio \u201cEduca\u00e7\u00e3o para Todos\u201d, publicado em abril, Portugal surge entre os pa\u00edses que transitaram para o modelo social de defici\u00eancia. (Imagem-UNESCO)[\/caption]\r\n\r\nPortugal conseguiu que seus alunos de 15 anos ficassem acima da m\u00e9dia da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE, organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m conhecida como \"clube dos ricos\") nos dom\u00ednios avaliados pelo Pisa: ci\u00eancias, leitura e matem\u00e1tica.\r\n\r\nAli\u00e1s, desde que o exame come\u00e7ou a ser aplicado pela OCDE nos anos 2000, a cada tr\u00eas anos, Portugal avan\u00e7a um \"bocadinho\".\r\n\r\nAssim, h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada e meia, o pa\u00eds europeu mant\u00e9m essa trajet\u00f3ria nos seus resultados e \u00e9 o \u00fanico do continente que melhora seu desempenho a cada ano.\r\n\r\nNem mesmo nos per\u00edodos mais duros da \u00faltima grande crise, com a redu\u00e7\u00e3o de investimentos e o ajuste fiscal imposto pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela Comiss\u00e3o Europeia, essa evolu\u00e7\u00e3o cessou.\r\n\u00c9 tamanha a consist\u00eancia de resultados que Portugal hoje recebe informalmente a alcunha de \"estrela ascendente da educa\u00e7\u00e3o internacional\" - e fez isso sem apostar em nenhuma grande estrat\u00e9gia educativa, mas investindo nas pessoas que formam a comunidade escolar, especialmente as m\u00e3es e as crian\u00e7as de 0 a 6 anos.\r\n\r\nApesar dos resultados positivos, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 de que ainda h\u00e1 muito a melhorar. A recomenda\u00e7\u00e3o do professor Ant\u00f3nio Gomes Ferreira, diretor da Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Coimbra, \u00e9 ter prud\u00eancia na leitura dos dados.\r\n\r\n\"O Pisa traduz uma boa evolu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o uma boa coloca\u00e7\u00e3o: Portugal est\u00e1 apenas ligeiramente acima da m\u00e9dia da OCDE, ocupando um lugar simplesmente mediano\", afirma.\r\n\r\nEntre os 72 participantes no teste, a pontua\u00e7\u00e3o de Portugal na \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o foi oito pontos superiores \u00e0 m\u00e9dia em ci\u00eancias, cinco pontos em leitura e dois pontos em matem\u00e1tica - esta \u00faltima diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 considerada estatisticamente significativa.\r\n\r\nA coloca\u00e7\u00e3o final dos alunos portugueses foi 17\u00ba lugar em ci\u00eancias, 18\u00ba em leitura e 22\u00ba em matem\u00e1tica - o que posiciona o pa\u00eds entre os melhores do mundo, mas distante ainda do desempenho dos sistemas educacionais de refer\u00eancia globais, como Cingapura, Finl\u00e2ndia, Hong Kong, Canad\u00e1 e Su\u00ed\u00e7a.\r\n\r\n\"O que o Pisa e outras avalia\u00e7\u00f5es nos mostram \u00e9 que Portugal est\u00e1 num patamar de pa\u00eds desenvolvido, mas ainda longe de acompanhar os que est\u00e3o no topo\", diz Gomes Ferreira, que coordena o Grupo de Pol\u00edticas Educativas e Din\u00e2micas Educacionais do Centro de Estudos Interdisciplinares do S\u00e9culo 20 (CEIS20).\r\n\r\n\"\" Educa\u00e7\u00e3o. [Foto: Lusa][\/caption]No entanto, ele concorda que n\u00e3o \u00e9 por acaso que o pa\u00eds demonstra avan\u00e7os no estudo - e que isso merece ser reconhecido.\r\n\r\nEscolariza\u00e7\u00e3o das m\u00e3es e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira inf\u00e2ncia\r\nNos \u00faltimos 50 anos, Portugal tem apresentado uma evolu\u00e7\u00e3o educacional que vai al\u00e9m da dimens\u00e3o escolar. Adv\u00e9m de um esfor\u00e7o amplo de mudan\u00e7a do status socioecon\u00f4mico e cultural da popula\u00e7\u00e3o em geral, particularmente das comunidades de menor renda.\r\n\r\nA partir dos anos 1970, Portugal universalizou o ensino, passando a ter todas as crian\u00e7as em idade escolar na escola. Isso significa que os pais das crian\u00e7as que est\u00e3o hoje na escola s\u00e3o a primeira gera\u00e7\u00e3o escolarizada - isso leva a outra maneira de educar e tamb\u00e9m a expectativas diferentes em rela\u00e7\u00e3o ao percurso acad\u00eamico dos filhos.\r\n\r\nEm um per\u00edodo mais recente, entre 2003 e 2015, o n\u00famero de m\u00e3es que completaram ao menos o ensino secund\u00e1rio, equivalente ao ensino m\u00e9dio brasileiro, subiu 41%.\r\n\r\n\"O indicador que mais influencia o rendimento escolar \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o e a escolariza\u00e7\u00e3o da m\u00e3e\", diz Ferreira.\r\n\r\n\"Se temos hoje m\u00e3es mais educadas e mais encorajadas, \u00e9 natural que tenhamos crian\u00e7as mais capazes de se inserir na escola, de se envolver e de evoluir na escola.\"\r\n\r\nOutro aspecto positivo est\u00e1 na primeira inf\u00e2ncia. A mortalidade infantil at\u00e9 aos 5 anos de idade em Portugal caiu 94% desde os anos 1970, segundo a Unicef, passando de 68 mortes de crian\u00e7as em cada mil nascimentos para 4 em cada mil em 2015.\r\n\r\nUm relat\u00f3rio de 2017 indica ainda que s\u00f3 15 pa\u00edses, entre eles Portugal, adotam as tr\u00eas pol\u00edticas nacionais b\u00e1sicas de apoio a pais de beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas no per\u00edodo mais cr\u00edtico de seu desenvolvimento, com dois anos de educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-prim\u00e1ria gratuita, pausa para amamenta\u00e7\u00e3o no trabalho para as novas m\u00e3es nos primeiros seis meses e licen\u00e7a parental adequada.\r\n\r\n\"Isso (o desenvolvimento das crian\u00e7as nos primeiros anos de vida) pode ser t\u00e3o ou mais relevante para esses resultados do que um m\u00e9todo ou outro aplicado \u00e0 escola\", defende Ferreira.\r\n\r\nEle destaca, entretanto, que esse \u00e9 um desafio para o qual o Estado e a sociedade ainda precisam se mobilizar, ampliando a oferta de creche e educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar para todos e atendendo a outras necessidades no \u00e2mbito sanit\u00e1rio e materno-infantil.\r\n\r\nSegundo o rec\u00e9m-lan\u00e7ado relat\u00f3rio Education at a Glance, da OCDE, apesar dos progressos recentes, Portugal est\u00e1 entre os pa\u00edses mais desiguais, com uma grande propor\u00e7\u00e3o de adultos sem ensino secund\u00e1rio e n\u00edveis de desigualdade de renda acima da m\u00e9dia.\r\n\r\nOs 10% mais ricos t\u00eam um rendimento quase cinco vezes superior aos 10% mais pobres - e a diferen\u00e7a est\u00e1 relacionada \u00e0 baixa qualifica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, uma vez que 55% das pessoas entre 18 e 64 anos n\u00e3o concluiu o ensino secund\u00e1rio.\r\n\r\n\"Os pa\u00edses que apresentam melhores resultados educacionais s\u00e3o aqueles que s\u00e3o mais coesos socialmente\", diz Ferreira, acrescentando que geralmente s\u00e3o tamb\u00e9m sociedades menos violentas, mais eficientes, mais igualit\u00e1rias, com mais qualidade de vida e bem-estar.\r\n\r\nNeste sentido, sua opini\u00e3o \u00e9 de que a Finl\u00e2ndia, hoje refer\u00eancia em educa\u00e7\u00e3o, foi o primeiro \"aluno aplicado\", ao garantir um equil\u00edbrio de suas pol\u00edticas sociais e criar um desenvolvimento sustentado.\r\n\r\nO Pisa simplesmente apontou para a sua consist\u00eancia do ponto de vista educacional. \"Este, como outros pa\u00edses, fez um trabalho sist\u00eamico de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade onde a educa\u00e7\u00e3o se insere, gerando resultados que extrapolam o Pisa.\"\r\n\r\nRepet\u00eancia e envelhecimento dos professores: os desafios\r\nSe h\u00e1 uma receita portuguesa para a evolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, ela passa por trabalhar em conjunto e de forma consistente a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade. \"As pessoas esquecem-se que educa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais do que escola. \u00c9 preciso olhar para a escola dentro da educa\u00e7\u00e3o.\"\r\n\r\nA percep\u00e7\u00e3o geral \u00e9 de que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas portuguesas s\u00e3o bem estruturadas, com foco no desempenho dos alunos, espa\u00e7o para cr\u00edtica entre colegas e planejamento de atividades de acordo com os resultados. As diferen\u00e7as est\u00e3o, por exemplo, mais na import\u00e2ncia dada \u00e0s atividades orientadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, no apoio individualizado oferecido a cada aluno.\r\n\r\nH\u00e1 uma controversa hip\u00f3tese para os bons resultados dos alunos portugueses devido \u00e0 \u00eanfase que as escolas d\u00e3o \u00e0s provas e testes interm\u00e9dios, aplicados com alta frequ\u00eancia e regularidade - \u00e0 margem de estrat\u00e9gias educativas preferidas por pa\u00edses como a Finl\u00e2ndia, que abrem m\u00e3o de exames para diminuir a ansiedade dos alunos com o aprendizado e ainda assim figuraram entre os pa\u00edses com o melhor desempenho escolar do mundo.\r\n\r\nEnquanto ainda \u00e9 dif\u00edcil estabelecer o exato efeito desses elementos no desempenho dos alunos portugueses, um dos principais fatores de risco apontado por constantes estudos da OCDE (2017) \u00e9 o uso frequente da reten\u00e7\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o escolar.\r\n\r\nPara Gomes Ferreira, essa pol\u00edtica \"indesej\u00e1vel e perniciosa\" s\u00f3 existe por tradi\u00e7\u00e3o e foi constru\u00edda sob um modelo educacional seletivo. \"(A reprova\u00e7\u00e3o) nunca atendeu \u00e0 desigualdade de condi\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as que est\u00e3o na escola e afeta principalmente crian\u00e7as de fam\u00edlias de menos renda\", explica.\r\n\r\nO desafio das escolas portuguesas passa a ser, portanto, instigar o sucesso por meio da discrimina\u00e7\u00e3o positiva e dar mais coes\u00e3o \u00e0 comunidade estudantil.\r\n\r\nUma das escolas portuguesas com melhores resultados externos, a escola secund\u00e1ria do agrupamento de Carcavelos, que j\u00e1 ocupou as \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es entre as escolas portuguesas na virada do s\u00e9culo, tem hoje a taxa de repet\u00eancia mais baixa do pa\u00eds (aproximadamente 3%).\r\n\r\nSem adotar um modelo educacional espec\u00edfico, mas atenta ao funcionamento de outras institui\u00e7\u00f5es, decidiu acabar com as repet\u00eancias at\u00e9 o nono ano do ensino b\u00e1sico, contrariando a vis\u00e3o de que a medida estaria associada ao rigor educacional. A a\u00e7\u00e3o vem acompanhada por um programa mais intensivo de recupera\u00e7\u00e3o e apoio ao aluno.\r\n\r\nNo que tange os docentes, h\u00e1 muitas variantes e nenhuma d\u00favida de que \u00e9 preciso haver bons professores para haver boas escolas, mas o desafio que preocupa atualmente Portugal \u00e9 o envelhecimento desta popula\u00e7\u00e3o.\r\n\r\nDe acordo com a OCDE, apenas 1% dos professores de ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio t\u00eam menos de 30 anos e 38% t\u00eam 50 anos ou mais - um aumento de 16% entre 2005 e 2016.\r\n\r\nIsso gera mais um desafio \u00e0 a\u00e7\u00e3o escolar: a desmobiliza\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Uma das queixas s\u00e3o as mudan\u00e7as repentinas feitas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, causando, a m\u00e9dio e longo prazo, um desgaste e desconforto de parte dos professores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as.\r\n\r\nExiste tamb\u00e9m um risco de escassez de professores, devido ao pouco interesse dos jovens pela profiss\u00e3o. Segundo as \u00faltimas conclus\u00f5es do Education at a Glance, o sal\u00e1rio est\u00e1 compat\u00edvel com o mercado de trabalho e, no topo de carreira, at\u00e9 acima da m\u00e9dia dos outros pa\u00edses. O que torna a forma\u00e7\u00e3o inicial menos atraente aos jovens \u00e9 a falta de vagas de trabalho. Sabendo que a tend\u00eancia \u00e9 o desemprego, os jovens n\u00e3o escolhem a carreira.\r\n\r\nPor outro lado, os professores em Portugal s\u00e3o melhor formados e selecionados hoje do que h\u00e1 15 anos - entre os docentes do 3\u00ba ciclo e secund\u00e1rio, anos compreendidos pelo Pisa, a forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica espec\u00edfica aumentou 48% entre 2003 e 2015.\r\n\r\nFerreira ressalta que as rela\u00e7\u00f5es entre a a\u00e7\u00e3o escolar e o desenvolvimento educacional s\u00e3o muito inconclusivas, deixando margem para an\u00e1lises mais sutis.\r\n\r\nAl\u00e9m disso, quando se trata de pol\u00edticas educativas, \"as coisas est\u00e3o sempre a mudar\", por meio de altera\u00e7\u00f5es de lei, no curr\u00edculo ou de m\u00e9todo. \u00c9 o caso, por exemplo, da autonomia e flexibilidade curricular, medida implantada sobre 25% do tempo letivo, que acaba de entrar vigor em todas as escolas do pa\u00eds.\r\n\r\nA principal quest\u00e3o, na opini\u00e3o do professor, \u00e9 saber se as mudan\u00e7as s\u00e3o s\u00f3lidas, consistentes e permitem que as gera\u00e7\u00f5es futuras tenham melhores perspectivas, construindo uma sociedade mais livre, igualit\u00e1ria e capaz de beneficiar aqueles que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es.\r\n\r\n\u00c9 por isso que a leitura do Pisa interessa mais em termos de futuro do que de presente. \"Olhar para os resultados do Pisa apenas em fun\u00e7\u00e3o de: 'hoje somos melhores do que \u00e9ramos no passado' \u00e9 pouco\", conclui.\r\n\r\nVIDA PT:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\n

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Fato aconteceu durante o retorno \u00e0s grava\u00e7\u00f5es da trama, Quer o Destino, da TVI.<\/h4>\n\n\n\n

LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Elvas, um dos mais incr\u00edves destinos em Portugal<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n

LEIA TAMB\u00c9M: Portugal est\u00e1 virando uma nova Miami para os brasileiros ricos ???<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n

LEIA TAMB\u00c9M: Portugal pode pagar at\u00e9 \u20ac6500 a emigrantes ou descendentes que venham trabalhar para Portugal<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n

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Cena de Quer o Destino, da TVI de Portugal (Foto-Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n

Em Portugal, onde a crise sanit\u00e1ria est\u00e1 em um processo de supera\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ado do que no Brasil, as emissoras de televis\u00e3o j\u00e1 voltaram a trabalhar nos est\u00fadios para seguir com suas tramas in\u00e9ditas. No entanto, mesmo com todos os protocolos de seguran\u00e7a, n\u00e3o houve como garantir seguran\u00e7a plena.<\/p>\n\n\n\n

O canal TVI confirmou nesta semana dois novos casos de coronav\u00edrus entre seus colaboradores da novela Quer o Destino, que \u00e9 gravada em parceria com a produtora Plural Entertainment. De acordo com a imprensa portuguesa, todos os procedimentos foram tomados para conter a infec\u00e7\u00e3o entre os funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n

\u201cSim, confirmamos que existem dois casos. Estamos a fazer todos os procedimentos de preven\u00e7\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o. Todos os que contactaram com os dois pacientes foram j\u00e1 avisados para fazerem tamb\u00e9m teste\u201d, disse a diretora de comunica\u00e7\u00e3o da TVI, Helena Forjaz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n

No Brasil por exemplo, a TV Globo e a Rede Record, ainda estudam e preparam toda uma estrutura, para voltar \u00e0s atividades em seus departamentos de dramaturgia. Em outros pa\u00edses as grava\u00e7\u00f5es j\u00e1 ocorrem, novamente, apesar da pandemia do novo coronav\u00edrus. <\/p>\n\n\n\n

\nhttps:\/\/youtu.be\/4_No_4w_0EI\n<\/div><\/figure>\n","post_title":"Ap\u00f3s voltar a gravar novela, emissora TVi registra casos de coronav\u00edrus em sua equipe","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"apos-voltar-a-gravar-novela-emissora-tvi-registra-casos-de-coronavirus-em-sua-equipe","to_ping":"","pinged":"\nhttps:\/\/canalportugal.pt\/elvas-um-dos-mais-incrives-destinos-em-portugal\/","post_modified":"2020-07-19 14:06:42","post_modified_gmt":"2020-07-19 14:06:42","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=12487","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"},{"ID":8973,"post_author":"1","post_date":"2018-10-20 16:33:05","post_date_gmt":"2018-10-20 16:33:05","post_content":"Por BBC News<\/em><\/a>.\r\n\r\nDesde 2015, a Uni\u00e3o Europeia observa a ascens\u00e3o educacional de um pa\u00eds que, a despeito de ainda sentir os efeitos de uma grave crise econ\u00f4mica e estar entre os mais pobres do bloco, chama aten\u00e7\u00e3o por seus resultados no principal teste internacional de educa\u00e7\u00e3o.<\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Educa\u00e7\u00e3o de Portugal \u00e9 a \u00fanica da Europa que melhora a cada ano<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0A difere\u00e7a entre t\u00edtulos de filmes no Brasil e em Portugal<\/a><\/strong>\r\n\r\n\"\" No \u00faltimo relat\u00f3rio \u201cEduca\u00e7\u00e3o para Todos\u201d, publicado em abril, Portugal surge entre os pa\u00edses que transitaram para o modelo social de defici\u00eancia. (Imagem-UNESCO)[\/caption]\r\n\r\nPortugal conseguiu que seus alunos de 15 anos ficassem acima da m\u00e9dia da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE, organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m conhecida como \"clube dos ricos\") nos dom\u00ednios avaliados pelo Pisa: ci\u00eancias, leitura e matem\u00e1tica.\r\n\r\nAli\u00e1s, desde que o exame come\u00e7ou a ser aplicado pela OCDE nos anos 2000, a cada tr\u00eas anos, Portugal avan\u00e7a um \"bocadinho\".\r\n\r\nAssim, h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada e meia, o pa\u00eds europeu mant\u00e9m essa trajet\u00f3ria nos seus resultados e \u00e9 o \u00fanico do continente que melhora seu desempenho a cada ano.\r\n\r\nNem mesmo nos per\u00edodos mais duros da \u00faltima grande crise, com a redu\u00e7\u00e3o de investimentos e o ajuste fiscal imposto pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela Comiss\u00e3o Europeia, essa evolu\u00e7\u00e3o cessou.\r\n\u00c9 tamanha a consist\u00eancia de resultados que Portugal hoje recebe informalmente a alcunha de \"estrela ascendente da educa\u00e7\u00e3o internacional\" - e fez isso sem apostar em nenhuma grande estrat\u00e9gia educativa, mas investindo nas pessoas que formam a comunidade escolar, especialmente as m\u00e3es e as crian\u00e7as de 0 a 6 anos.\r\n\r\nApesar dos resultados positivos, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 de que ainda h\u00e1 muito a melhorar. A recomenda\u00e7\u00e3o do professor Ant\u00f3nio Gomes Ferreira, diretor da Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Coimbra, \u00e9 ter prud\u00eancia na leitura dos dados.\r\n\r\n\"O Pisa traduz uma boa evolu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o uma boa coloca\u00e7\u00e3o: Portugal est\u00e1 apenas ligeiramente acima da m\u00e9dia da OCDE, ocupando um lugar simplesmente mediano\", afirma.\r\n\r\nEntre os 72 participantes no teste, a pontua\u00e7\u00e3o de Portugal na \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o foi oito pontos superiores \u00e0 m\u00e9dia em ci\u00eancias, cinco pontos em leitura e dois pontos em matem\u00e1tica - esta \u00faltima diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 considerada estatisticamente significativa.\r\n\r\nA coloca\u00e7\u00e3o final dos alunos portugueses foi 17\u00ba lugar em ci\u00eancias, 18\u00ba em leitura e 22\u00ba em matem\u00e1tica - o que posiciona o pa\u00eds entre os melhores do mundo, mas distante ainda do desempenho dos sistemas educacionais de refer\u00eancia globais, como Cingapura, Finl\u00e2ndia, Hong Kong, Canad\u00e1 e Su\u00ed\u00e7a.\r\n\r\n\"O que o Pisa e outras avalia\u00e7\u00f5es nos mostram \u00e9 que Portugal est\u00e1 num patamar de pa\u00eds desenvolvido, mas ainda longe de acompanhar os que est\u00e3o no topo\", diz Gomes Ferreira, que coordena o Grupo de Pol\u00edticas Educativas e Din\u00e2micas Educacionais do Centro de Estudos Interdisciplinares do S\u00e9culo 20 (CEIS20).\r\n\r\n\"\" Educa\u00e7\u00e3o. [Foto: Lusa][\/caption]No entanto, ele concorda que n\u00e3o \u00e9 por acaso que o pa\u00eds demonstra avan\u00e7os no estudo - e que isso merece ser reconhecido.\r\n\r\nEscolariza\u00e7\u00e3o das m\u00e3es e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira inf\u00e2ncia\r\nNos \u00faltimos 50 anos, Portugal tem apresentado uma evolu\u00e7\u00e3o educacional que vai al\u00e9m da dimens\u00e3o escolar. Adv\u00e9m de um esfor\u00e7o amplo de mudan\u00e7a do status socioecon\u00f4mico e cultural da popula\u00e7\u00e3o em geral, particularmente das comunidades de menor renda.\r\n\r\nA partir dos anos 1970, Portugal universalizou o ensino, passando a ter todas as crian\u00e7as em idade escolar na escola. Isso significa que os pais das crian\u00e7as que est\u00e3o hoje na escola s\u00e3o a primeira gera\u00e7\u00e3o escolarizada - isso leva a outra maneira de educar e tamb\u00e9m a expectativas diferentes em rela\u00e7\u00e3o ao percurso acad\u00eamico dos filhos.\r\n\r\nEm um per\u00edodo mais recente, entre 2003 e 2015, o n\u00famero de m\u00e3es que completaram ao menos o ensino secund\u00e1rio, equivalente ao ensino m\u00e9dio brasileiro, subiu 41%.\r\n\r\n\"O indicador que mais influencia o rendimento escolar \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o e a escolariza\u00e7\u00e3o da m\u00e3e\", diz Ferreira.\r\n\r\n\"Se temos hoje m\u00e3es mais educadas e mais encorajadas, \u00e9 natural que tenhamos crian\u00e7as mais capazes de se inserir na escola, de se envolver e de evoluir na escola.\"\r\n\r\nOutro aspecto positivo est\u00e1 na primeira inf\u00e2ncia. A mortalidade infantil at\u00e9 aos 5 anos de idade em Portugal caiu 94% desde os anos 1970, segundo a Unicef, passando de 68 mortes de crian\u00e7as em cada mil nascimentos para 4 em cada mil em 2015.\r\n\r\nUm relat\u00f3rio de 2017 indica ainda que s\u00f3 15 pa\u00edses, entre eles Portugal, adotam as tr\u00eas pol\u00edticas nacionais b\u00e1sicas de apoio a pais de beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas no per\u00edodo mais cr\u00edtico de seu desenvolvimento, com dois anos de educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-prim\u00e1ria gratuita, pausa para amamenta\u00e7\u00e3o no trabalho para as novas m\u00e3es nos primeiros seis meses e licen\u00e7a parental adequada.\r\n\r\n\"Isso (o desenvolvimento das crian\u00e7as nos primeiros anos de vida) pode ser t\u00e3o ou mais relevante para esses resultados do que um m\u00e9todo ou outro aplicado \u00e0 escola\", defende Ferreira.\r\n\r\nEle destaca, entretanto, que esse \u00e9 um desafio para o qual o Estado e a sociedade ainda precisam se mobilizar, ampliando a oferta de creche e educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar para todos e atendendo a outras necessidades no \u00e2mbito sanit\u00e1rio e materno-infantil.\r\n\r\nSegundo o rec\u00e9m-lan\u00e7ado relat\u00f3rio Education at a Glance, da OCDE, apesar dos progressos recentes, Portugal est\u00e1 entre os pa\u00edses mais desiguais, com uma grande propor\u00e7\u00e3o de adultos sem ensino secund\u00e1rio e n\u00edveis de desigualdade de renda acima da m\u00e9dia.\r\n\r\nOs 10% mais ricos t\u00eam um rendimento quase cinco vezes superior aos 10% mais pobres - e a diferen\u00e7a est\u00e1 relacionada \u00e0 baixa qualifica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, uma vez que 55% das pessoas entre 18 e 64 anos n\u00e3o concluiu o ensino secund\u00e1rio.\r\n\r\n\"Os pa\u00edses que apresentam melhores resultados educacionais s\u00e3o aqueles que s\u00e3o mais coesos socialmente\", diz Ferreira, acrescentando que geralmente s\u00e3o tamb\u00e9m sociedades menos violentas, mais eficientes, mais igualit\u00e1rias, com mais qualidade de vida e bem-estar.\r\n\r\nNeste sentido, sua opini\u00e3o \u00e9 de que a Finl\u00e2ndia, hoje refer\u00eancia em educa\u00e7\u00e3o, foi o primeiro \"aluno aplicado\", ao garantir um equil\u00edbrio de suas pol\u00edticas sociais e criar um desenvolvimento sustentado.\r\n\r\nO Pisa simplesmente apontou para a sua consist\u00eancia do ponto de vista educacional. \"Este, como outros pa\u00edses, fez um trabalho sist\u00eamico de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade onde a educa\u00e7\u00e3o se insere, gerando resultados que extrapolam o Pisa.\"\r\n\r\nRepet\u00eancia e envelhecimento dos professores: os desafios\r\nSe h\u00e1 uma receita portuguesa para a evolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, ela passa por trabalhar em conjunto e de forma consistente a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade. \"As pessoas esquecem-se que educa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais do que escola. \u00c9 preciso olhar para a escola dentro da educa\u00e7\u00e3o.\"\r\n\r\nA percep\u00e7\u00e3o geral \u00e9 de que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas portuguesas s\u00e3o bem estruturadas, com foco no desempenho dos alunos, espa\u00e7o para cr\u00edtica entre colegas e planejamento de atividades de acordo com os resultados. As diferen\u00e7as est\u00e3o, por exemplo, mais na import\u00e2ncia dada \u00e0s atividades orientadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, no apoio individualizado oferecido a cada aluno.\r\n\r\nH\u00e1 uma controversa hip\u00f3tese para os bons resultados dos alunos portugueses devido \u00e0 \u00eanfase que as escolas d\u00e3o \u00e0s provas e testes interm\u00e9dios, aplicados com alta frequ\u00eancia e regularidade - \u00e0 margem de estrat\u00e9gias educativas preferidas por pa\u00edses como a Finl\u00e2ndia, que abrem m\u00e3o de exames para diminuir a ansiedade dos alunos com o aprendizado e ainda assim figuraram entre os pa\u00edses com o melhor desempenho escolar do mundo.\r\n\r\nEnquanto ainda \u00e9 dif\u00edcil estabelecer o exato efeito desses elementos no desempenho dos alunos portugueses, um dos principais fatores de risco apontado por constantes estudos da OCDE (2017) \u00e9 o uso frequente da reten\u00e7\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o escolar.\r\n\r\nPara Gomes Ferreira, essa pol\u00edtica \"indesej\u00e1vel e perniciosa\" s\u00f3 existe por tradi\u00e7\u00e3o e foi constru\u00edda sob um modelo educacional seletivo. \"(A reprova\u00e7\u00e3o) nunca atendeu \u00e0 desigualdade de condi\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as que est\u00e3o na escola e afeta principalmente crian\u00e7as de fam\u00edlias de menos renda\", explica.\r\n\r\nO desafio das escolas portuguesas passa a ser, portanto, instigar o sucesso por meio da discrimina\u00e7\u00e3o positiva e dar mais coes\u00e3o \u00e0 comunidade estudantil.\r\n\r\nUma das escolas portuguesas com melhores resultados externos, a escola secund\u00e1ria do agrupamento de Carcavelos, que j\u00e1 ocupou as \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es entre as escolas portuguesas na virada do s\u00e9culo, tem hoje a taxa de repet\u00eancia mais baixa do pa\u00eds (aproximadamente 3%).\r\n\r\nSem adotar um modelo educacional espec\u00edfico, mas atenta ao funcionamento de outras institui\u00e7\u00f5es, decidiu acabar com as repet\u00eancias at\u00e9 o nono ano do ensino b\u00e1sico, contrariando a vis\u00e3o de que a medida estaria associada ao rigor educacional. A a\u00e7\u00e3o vem acompanhada por um programa mais intensivo de recupera\u00e7\u00e3o e apoio ao aluno.\r\n\r\nNo que tange os docentes, h\u00e1 muitas variantes e nenhuma d\u00favida de que \u00e9 preciso haver bons professores para haver boas escolas, mas o desafio que preocupa atualmente Portugal \u00e9 o envelhecimento desta popula\u00e7\u00e3o.\r\n\r\nDe acordo com a OCDE, apenas 1% dos professores de ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio t\u00eam menos de 30 anos e 38% t\u00eam 50 anos ou mais - um aumento de 16% entre 2005 e 2016.\r\n\r\nIsso gera mais um desafio \u00e0 a\u00e7\u00e3o escolar: a desmobiliza\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Uma das queixas s\u00e3o as mudan\u00e7as repentinas feitas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, causando, a m\u00e9dio e longo prazo, um desgaste e desconforto de parte dos professores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as.\r\n\r\nExiste tamb\u00e9m um risco de escassez de professores, devido ao pouco interesse dos jovens pela profiss\u00e3o. Segundo as \u00faltimas conclus\u00f5es do Education at a Glance, o sal\u00e1rio est\u00e1 compat\u00edvel com o mercado de trabalho e, no topo de carreira, at\u00e9 acima da m\u00e9dia dos outros pa\u00edses. O que torna a forma\u00e7\u00e3o inicial menos atraente aos jovens \u00e9 a falta de vagas de trabalho. Sabendo que a tend\u00eancia \u00e9 o desemprego, os jovens n\u00e3o escolhem a carreira.\r\n\r\nPor outro lado, os professores em Portugal s\u00e3o melhor formados e selecionados hoje do que h\u00e1 15 anos - entre os docentes do 3\u00ba ciclo e secund\u00e1rio, anos compreendidos pelo Pisa, a forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica espec\u00edfica aumentou 48% entre 2003 e 2015.\r\n\r\nFerreira ressalta que as rela\u00e7\u00f5es entre a a\u00e7\u00e3o escolar e o desenvolvimento educacional s\u00e3o muito inconclusivas, deixando margem para an\u00e1lises mais sutis.\r\n\r\nAl\u00e9m disso, quando se trata de pol\u00edticas educativas, \"as coisas est\u00e3o sempre a mudar\", por meio de altera\u00e7\u00f5es de lei, no curr\u00edculo ou de m\u00e9todo. \u00c9 o caso, por exemplo, da autonomia e flexibilidade curricular, medida implantada sobre 25% do tempo letivo, que acaba de entrar vigor em todas as escolas do pa\u00eds.\r\n\r\nA principal quest\u00e3o, na opini\u00e3o do professor, \u00e9 saber se as mudan\u00e7as s\u00e3o s\u00f3lidas, consistentes e permitem que as gera\u00e7\u00f5es futuras tenham melhores perspectivas, construindo uma sociedade mais livre, igualit\u00e1ria e capaz de beneficiar aqueles que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es.\r\n\r\n\u00c9 por isso que a leitura do Pisa interessa mais em termos de futuro do que de presente. \"Olhar para os resultados do Pisa apenas em fun\u00e7\u00e3o de: 'hoje somos melhores do que \u00e9ramos no passado' \u00e9 pouco\", conclui.\r\n\r\nVIDA PT:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\n

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Fato aconteceu durante o retorno \u00e0s grava\u00e7\u00f5es da trama, Quer o Destino, da TVI.<\/h4>\n\n\n\n

LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Elvas, um dos mais incr\u00edves destinos em Portugal<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n

LEIA TAMB\u00c9M: Portugal est\u00e1 virando uma nova Miami para os brasileiros ricos ???<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n

LEIA TAMB\u00c9M: Portugal pode pagar at\u00e9 \u20ac6500 a emigrantes ou descendentes que venham trabalhar para Portugal<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n

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Cena de Quer o Destino, da TVI de Portugal (Foto-Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n

Em Portugal, onde a crise sanit\u00e1ria est\u00e1 em um processo de supera\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ado do que no Brasil, as emissoras de televis\u00e3o j\u00e1 voltaram a trabalhar nos est\u00fadios para seguir com suas tramas in\u00e9ditas. No entanto, mesmo com todos os protocolos de seguran\u00e7a, n\u00e3o houve como garantir seguran\u00e7a plena.<\/p>\n\n\n\n

O canal TVI confirmou nesta semana dois novos casos de coronav\u00edrus entre seus colaboradores da novela Quer o Destino, que \u00e9 gravada em parceria com a produtora Plural Entertainment. De acordo com a imprensa portuguesa, todos os procedimentos foram tomados para conter a infec\u00e7\u00e3o entre os funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n

\u201cSim, confirmamos que existem dois casos. Estamos a fazer todos os procedimentos de preven\u00e7\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o. Todos os que contactaram com os dois pacientes foram j\u00e1 avisados para fazerem tamb\u00e9m teste\u201d, disse a diretora de comunica\u00e7\u00e3o da TVI, Helena Forjaz.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n

No Brasil por exemplo, a TV Globo e a Rede Record, ainda estudam e preparam toda uma estrutura, para voltar \u00e0s atividades em seus departamentos de dramaturgia. Em outros pa\u00edses as grava\u00e7\u00f5es j\u00e1 ocorrem, novamente, apesar da pandemia do novo coronav\u00edrus. <\/p>\n\n\n\n

\nhttps:\/\/youtu.be\/4_No_4w_0EI\n<\/div><\/figure>\n","post_title":"Ap\u00f3s voltar a gravar novela, emissora TVi registra casos de coronav\u00edrus em sua equipe","post_excerpt":"","post_status":"publish","comment_status":"closed","ping_status":"open","post_password":"","post_name":"apos-voltar-a-gravar-novela-emissora-tvi-registra-casos-de-coronavirus-em-sua-equipe","to_ping":"","pinged":"\nhttps:\/\/canalportugal.pt\/elvas-um-dos-mais-incrives-destinos-em-portugal\/","post_modified":"2020-07-19 14:06:42","post_modified_gmt":"2020-07-19 14:06:42","post_content_filtered":"","post_parent":0,"guid":"https:\/\/canalportugal.pt\/?p=12487","menu_order":0,"post_type":"post","post_mime_type":"","comment_count":"0","filter":"raw"},{"ID":8973,"post_author":"1","post_date":"2018-10-20 16:33:05","post_date_gmt":"2018-10-20 16:33:05","post_content":"Por BBC News<\/em><\/a>.\r\n\r\nDesde 2015, a Uni\u00e3o Europeia observa a ascens\u00e3o educacional de um pa\u00eds que, a despeito de ainda sentir os efeitos de uma grave crise econ\u00f4mica e estar entre os mais pobres do bloco, chama aten\u00e7\u00e3o por seus resultados no principal teste internacional de educa\u00e7\u00e3o.<\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0Educa\u00e7\u00e3o de Portugal \u00e9 a \u00fanica da Europa que melhora a cada ano<\/a><\/strong>\r\n\r\nLEIA TAMB\u00c9M:\u00a0A difere\u00e7a entre t\u00edtulos de filmes no Brasil e em Portugal<\/a><\/strong>\r\n\r\n\"\" No \u00faltimo relat\u00f3rio \u201cEduca\u00e7\u00e3o para Todos\u201d, publicado em abril, Portugal surge entre os pa\u00edses que transitaram para o modelo social de defici\u00eancia. (Imagem-UNESCO)[\/caption]\r\n\r\nPortugal conseguiu que seus alunos de 15 anos ficassem acima da m\u00e9dia da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE, organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m conhecida como \"clube dos ricos\") nos dom\u00ednios avaliados pelo Pisa: ci\u00eancias, leitura e matem\u00e1tica.\r\n\r\nAli\u00e1s, desde que o exame come\u00e7ou a ser aplicado pela OCDE nos anos 2000, a cada tr\u00eas anos, Portugal avan\u00e7a um \"bocadinho\".\r\n\r\nAssim, h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada e meia, o pa\u00eds europeu mant\u00e9m essa trajet\u00f3ria nos seus resultados e \u00e9 o \u00fanico do continente que melhora seu desempenho a cada ano.\r\n\r\nNem mesmo nos per\u00edodos mais duros da \u00faltima grande crise, com a redu\u00e7\u00e3o de investimentos e o ajuste fiscal imposto pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela Comiss\u00e3o Europeia, essa evolu\u00e7\u00e3o cessou.\r\n\u00c9 tamanha a consist\u00eancia de resultados que Portugal hoje recebe informalmente a alcunha de \"estrela ascendente da educa\u00e7\u00e3o internacional\" - e fez isso sem apostar em nenhuma grande estrat\u00e9gia educativa, mas investindo nas pessoas que formam a comunidade escolar, especialmente as m\u00e3es e as crian\u00e7as de 0 a 6 anos.\r\n\r\nApesar dos resultados positivos, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 de que ainda h\u00e1 muito a melhorar. A recomenda\u00e7\u00e3o do professor Ant\u00f3nio Gomes Ferreira, diretor da Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Coimbra, \u00e9 ter prud\u00eancia na leitura dos dados.\r\n\r\n\"O Pisa traduz uma boa evolu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o uma boa coloca\u00e7\u00e3o: Portugal est\u00e1 apenas ligeiramente acima da m\u00e9dia da OCDE, ocupando um lugar simplesmente mediano\", afirma.\r\n\r\nEntre os 72 participantes no teste, a pontua\u00e7\u00e3o de Portugal na \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o foi oito pontos superiores \u00e0 m\u00e9dia em ci\u00eancias, cinco pontos em leitura e dois pontos em matem\u00e1tica - esta \u00faltima diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 considerada estatisticamente significativa.\r\n\r\nA coloca\u00e7\u00e3o final dos alunos portugueses foi 17\u00ba lugar em ci\u00eancias, 18\u00ba em leitura e 22\u00ba em matem\u00e1tica - o que posiciona o pa\u00eds entre os melhores do mundo, mas distante ainda do desempenho dos sistemas educacionais de refer\u00eancia globais, como Cingapura, Finl\u00e2ndia, Hong Kong, Canad\u00e1 e Su\u00ed\u00e7a.\r\n\r\n\"O que o Pisa e outras avalia\u00e7\u00f5es nos mostram \u00e9 que Portugal est\u00e1 num patamar de pa\u00eds desenvolvido, mas ainda longe de acompanhar os que est\u00e3o no topo\", diz Gomes Ferreira, que coordena o Grupo de Pol\u00edticas Educativas e Din\u00e2micas Educacionais do Centro de Estudos Interdisciplinares do S\u00e9culo 20 (CEIS20).\r\n\r\n\"\" Educa\u00e7\u00e3o. [Foto: Lusa][\/caption]No entanto, ele concorda que n\u00e3o \u00e9 por acaso que o pa\u00eds demonstra avan\u00e7os no estudo - e que isso merece ser reconhecido.\r\n\r\nEscolariza\u00e7\u00e3o das m\u00e3es e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira inf\u00e2ncia\r\nNos \u00faltimos 50 anos, Portugal tem apresentado uma evolu\u00e7\u00e3o educacional que vai al\u00e9m da dimens\u00e3o escolar. Adv\u00e9m de um esfor\u00e7o amplo de mudan\u00e7a do status socioecon\u00f4mico e cultural da popula\u00e7\u00e3o em geral, particularmente das comunidades de menor renda.\r\n\r\nA partir dos anos 1970, Portugal universalizou o ensino, passando a ter todas as crian\u00e7as em idade escolar na escola. Isso significa que os pais das crian\u00e7as que est\u00e3o hoje na escola s\u00e3o a primeira gera\u00e7\u00e3o escolarizada - isso leva a outra maneira de educar e tamb\u00e9m a expectativas diferentes em rela\u00e7\u00e3o ao percurso acad\u00eamico dos filhos.\r\n\r\nEm um per\u00edodo mais recente, entre 2003 e 2015, o n\u00famero de m\u00e3es que completaram ao menos o ensino secund\u00e1rio, equivalente ao ensino m\u00e9dio brasileiro, subiu 41%.\r\n\r\n\"O indicador que mais influencia o rendimento escolar \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o e a escolariza\u00e7\u00e3o da m\u00e3e\", diz Ferreira.\r\n\r\n\"Se temos hoje m\u00e3es mais educadas e mais encorajadas, \u00e9 natural que tenhamos crian\u00e7as mais capazes de se inserir na escola, de se envolver e de evoluir na escola.\"\r\n\r\nOutro aspecto positivo est\u00e1 na primeira inf\u00e2ncia. A mortalidade infantil at\u00e9 aos 5 anos de idade em Portugal caiu 94% desde os anos 1970, segundo a Unicef, passando de 68 mortes de crian\u00e7as em cada mil nascimentos para 4 em cada mil em 2015.\r\n\r\nUm relat\u00f3rio de 2017 indica ainda que s\u00f3 15 pa\u00edses, entre eles Portugal, adotam as tr\u00eas pol\u00edticas nacionais b\u00e1sicas de apoio a pais de beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas no per\u00edodo mais cr\u00edtico de seu desenvolvimento, com dois anos de educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-prim\u00e1ria gratuita, pausa para amamenta\u00e7\u00e3o no trabalho para as novas m\u00e3es nos primeiros seis meses e licen\u00e7a parental adequada.\r\n\r\n\"Isso (o desenvolvimento das crian\u00e7as nos primeiros anos de vida) pode ser t\u00e3o ou mais relevante para esses resultados do que um m\u00e9todo ou outro aplicado \u00e0 escola\", defende Ferreira.\r\n\r\nEle destaca, entretanto, que esse \u00e9 um desafio para o qual o Estado e a sociedade ainda precisam se mobilizar, ampliando a oferta de creche e educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar para todos e atendendo a outras necessidades no \u00e2mbito sanit\u00e1rio e materno-infantil.\r\n\r\nSegundo o rec\u00e9m-lan\u00e7ado relat\u00f3rio Education at a Glance, da OCDE, apesar dos progressos recentes, Portugal est\u00e1 entre os pa\u00edses mais desiguais, com uma grande propor\u00e7\u00e3o de adultos sem ensino secund\u00e1rio e n\u00edveis de desigualdade de renda acima da m\u00e9dia.\r\n\r\nOs 10% mais ricos t\u00eam um rendimento quase cinco vezes superior aos 10% mais pobres - e a diferen\u00e7a est\u00e1 relacionada \u00e0 baixa qualifica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, uma vez que 55% das pessoas entre 18 e 64 anos n\u00e3o concluiu o ensino secund\u00e1rio.\r\n\r\n\"Os pa\u00edses que apresentam melhores resultados educacionais s\u00e3o aqueles que s\u00e3o mais coesos socialmente\", diz Ferreira, acrescentando que geralmente s\u00e3o tamb\u00e9m sociedades menos violentas, mais eficientes, mais igualit\u00e1rias, com mais qualidade de vida e bem-estar.\r\n\r\nNeste sentido, sua opini\u00e3o \u00e9 de que a Finl\u00e2ndia, hoje refer\u00eancia em educa\u00e7\u00e3o, foi o primeiro \"aluno aplicado\", ao garantir um equil\u00edbrio de suas pol\u00edticas sociais e criar um desenvolvimento sustentado.\r\n\r\nO Pisa simplesmente apontou para a sua consist\u00eancia do ponto de vista educacional. \"Este, como outros pa\u00edses, fez um trabalho sist\u00eamico de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade onde a educa\u00e7\u00e3o se insere, gerando resultados que extrapolam o Pisa.\"\r\n\r\nRepet\u00eancia e envelhecimento dos professores: os desafios\r\nSe h\u00e1 uma receita portuguesa para a evolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, ela passa por trabalhar em conjunto e de forma consistente a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade. \"As pessoas esquecem-se que educa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais do que escola. \u00c9 preciso olhar para a escola dentro da educa\u00e7\u00e3o.\"\r\n\r\nA percep\u00e7\u00e3o geral \u00e9 de que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas portuguesas s\u00e3o bem estruturadas, com foco no desempenho dos alunos, espa\u00e7o para cr\u00edtica entre colegas e planejamento de atividades de acordo com os resultados. As diferen\u00e7as est\u00e3o, por exemplo, mais na import\u00e2ncia dada \u00e0s atividades orientadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, no apoio individualizado oferecido a cada aluno.\r\n\r\nH\u00e1 uma controversa hip\u00f3tese para os bons resultados dos alunos portugueses devido \u00e0 \u00eanfase que as escolas d\u00e3o \u00e0s provas e testes interm\u00e9dios, aplicados com alta frequ\u00eancia e regularidade - \u00e0 margem de estrat\u00e9gias educativas preferidas por pa\u00edses como a Finl\u00e2ndia, que abrem m\u00e3o de exames para diminuir a ansiedade dos alunos com o aprendizado e ainda assim figuraram entre os pa\u00edses com o melhor desempenho escolar do mundo.\r\n\r\nEnquanto ainda \u00e9 dif\u00edcil estabelecer o exato efeito desses elementos no desempenho dos alunos portugueses, um dos principais fatores de risco apontado por constantes estudos da OCDE (2017) \u00e9 o uso frequente da reten\u00e7\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o escolar.\r\n\r\nPara Gomes Ferreira, essa pol\u00edtica \"indesej\u00e1vel e perniciosa\" s\u00f3 existe por tradi\u00e7\u00e3o e foi constru\u00edda sob um modelo educacional seletivo. \"(A reprova\u00e7\u00e3o) nunca atendeu \u00e0 desigualdade de condi\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as que est\u00e3o na escola e afeta principalmente crian\u00e7as de fam\u00edlias de menos renda\", explica.\r\n\r\nO desafio das escolas portuguesas passa a ser, portanto, instigar o sucesso por meio da discrimina\u00e7\u00e3o positiva e dar mais coes\u00e3o \u00e0 comunidade estudantil.\r\n\r\nUma das escolas portuguesas com melhores resultados externos, a escola secund\u00e1ria do agrupamento de Carcavelos, que j\u00e1 ocupou as \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es entre as escolas portuguesas na virada do s\u00e9culo, tem hoje a taxa de repet\u00eancia mais baixa do pa\u00eds (aproximadamente 3%).\r\n\r\nSem adotar um modelo educacional espec\u00edfico, mas atenta ao funcionamento de outras institui\u00e7\u00f5es, decidiu acabar com as repet\u00eancias at\u00e9 o nono ano do ensino b\u00e1sico, contrariando a vis\u00e3o de que a medida estaria associada ao rigor educacional. A a\u00e7\u00e3o vem acompanhada por um programa mais intensivo de recupera\u00e7\u00e3o e apoio ao aluno.\r\n\r\nNo que tange os docentes, h\u00e1 muitas variantes e nenhuma d\u00favida de que \u00e9 preciso haver bons professores para haver boas escolas, mas o desafio que preocupa atualmente Portugal \u00e9 o envelhecimento desta popula\u00e7\u00e3o.\r\n\r\nDe acordo com a OCDE, apenas 1% dos professores de ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio t\u00eam menos de 30 anos e 38% t\u00eam 50 anos ou mais - um aumento de 16% entre 2005 e 2016.\r\n\r\nIsso gera mais um desafio \u00e0 a\u00e7\u00e3o escolar: a desmobiliza\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Uma das queixas s\u00e3o as mudan\u00e7as repentinas feitas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, causando, a m\u00e9dio e longo prazo, um desgaste e desconforto de parte dos professores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as.\r\n\r\nExiste tamb\u00e9m um risco de escassez de professores, devido ao pouco interesse dos jovens pela profiss\u00e3o. Segundo as \u00faltimas conclus\u00f5es do Education at a Glance, o sal\u00e1rio est\u00e1 compat\u00edvel com o mercado de trabalho e, no topo de carreira, at\u00e9 acima da m\u00e9dia dos outros pa\u00edses. O que torna a forma\u00e7\u00e3o inicial menos atraente aos jovens \u00e9 a falta de vagas de trabalho. Sabendo que a tend\u00eancia \u00e9 o desemprego, os jovens n\u00e3o escolhem a carreira.\r\n\r\nPor outro lado, os professores em Portugal s\u00e3o melhor formados e selecionados hoje do que h\u00e1 15 anos - entre os docentes do 3\u00ba ciclo e secund\u00e1rio, anos compreendidos pelo Pisa, a forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica espec\u00edfica aumentou 48% entre 2003 e 2015.\r\n\r\nFerreira ressalta que as rela\u00e7\u00f5es entre a a\u00e7\u00e3o escolar e o desenvolvimento educacional s\u00e3o muito inconclusivas, deixando margem para an\u00e1lises mais sutis.\r\n\r\nAl\u00e9m disso, quando se trata de pol\u00edticas educativas, \"as coisas est\u00e3o sempre a mudar\", por meio de altera\u00e7\u00f5es de lei, no curr\u00edculo ou de m\u00e9todo. \u00c9 o caso, por exemplo, da autonomia e flexibilidade curricular, medida implantada sobre 25% do tempo letivo, que acaba de entrar vigor em todas as escolas do pa\u00eds.\r\n\r\nA principal quest\u00e3o, na opini\u00e3o do professor, \u00e9 saber se as mudan\u00e7as s\u00e3o s\u00f3lidas, consistentes e permitem que as gera\u00e7\u00f5es futuras tenham melhores perspectivas, construindo uma sociedade mais livre, igualit\u00e1ria e capaz de beneficiar aqueles que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es.\r\n\r\n\u00c9 por isso que a leitura do Pisa interessa mais em termos de futuro do que de presente. \"Olhar para os resultados do Pisa apenas em fun\u00e7\u00e3o de: 'hoje somos melhores do que \u00e9ramos no passado' \u00e9 pouco\", conclui.\r\n\r\nVIDA PT:\u00a0Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas do Brasil e Portugal?<\/a><\/strong>\r\n\r\n

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