Transmissão de Fla x River em praça causa racha entre Câmara e clube de Braga

A paixão de uma nação além das fronteiras do Brasil mobilizou as embaixadas do Flamengo em Lisboa e no Porto, ambas com lotações esgotadas em seus eventos para a torcida assistir à final. E também causou um racha entre a prefeitura de Braga e o clube local, o Sporting de Braga. Indignada com a cessão de uma praça pública e um telão para os torcedores assistirem à partida em Lima, que acontece quase na mesma hora do jogo do time, em casa, com o Gil Vicente, a diretoria reclamou. São estes os movimentos na véspera do clímax do culto a Jorge Jesus e ao rubro-negro em terras portuguesas.

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Imagem de divulgação do evento. (Imagem-Divulgação)

A população brasileira residente em Braga aumentou 137,6% em dez anos e chegou a mais de seis mil pessoas. O prefeito, Ricardo Reis, diz que o “brasileiro” virou língua oficial. Neste contexto, cresceu a torcida do Flamengo na cidade e o consulado oficial do clube, o Fla-Braga, requisitou a Praça do Município para receber os mais de mil torcedores esperados. Ao ceder o espaço nobre, a prefeitura virou alvo do Sporting de Braga, nono colocado do Campeonato Português.

“Foi com surpresa que o SC Braga recebeu a notícia de que a prefeitura colaborou na organização e cedeu a Praça do Município. Percebendo ainda com maior estranheza que o evento mereceu divulgação e apelos à participação nas redes sociais do prefeito”, disse a diretoria em comunicado.

Comunicado Braga — Foto: Reprodução

Apesar de garantir entender a importância da integração entre imigrantes e população local, o Sporting Braga equiparou a decisão municipal a uma afronta aos torcedores do time:

“O que este clube não pode aceitar é que os altos representantes do município desrespeitem não apenas a relação institucional, mas acima de tudo afrontem a grande maioria dos cidadãos que tem no SC Braga seu símbolo e veem o jogo do grande emblema desportivo da cidade ser secundado para que se faça a promoção de uma final sul-americana”.

À “Lusa”, uma fonte da prefeitura declarou que “o município tem tido uma relação institucional e cordial com o SC Braga e espera que o clube tenha uma postura recíproca”.

Autor da requisição à prefeitura e presidente do consulado do Flamengo em Braga, o empresário Fabiano Duarte, natural da Ilha do Governador e residente na cidade há dois anos, diz não querer se meter na confusão.

– Fomos bem recebidos pelos bracarenses e não há rivalidade nem nada. O problema é entre o time e a prefeitura. Nosso objetivo é reunir pessoas e promover a integração. Desde que Jesus chegou ao Flamengo, o número de gente que vem aos nossos eventos cresceu tanto que tudo ficou pequeno, a não ser a praça – contou Duarte, explicando que a prefeitura pagou pelo telão, sistema de som e comprou o direito público de transmissão junto ao canal de TV que detém os direitos da competição.

Fla-Portugal em Lisboa. (Imagem-Instagram)

Em Lisboa, o Bar Hawaii é um endereço rubro-negro clássico na capital. É onde o torcedor pode ter a sorte de dar de cara com Joel Santana, Sávio ou Júlio César (padrinho do grupo), que já assistiram a jogos por lá. Nesta arrancada rumo à final, a fama do lugar, na Doca de Alcântara, próximo à LX Factory, cresceu tanto que a Embaixada Fla-Portugal Imperial Lisboa precisou expandir o evento para o bar ao lado, o Havana, e tomar medidas extras para caber todo mundo com conforto. Os ingressos para as áreas vips esgotaram.

– Esperamos entre 1,5 mil e duas mil pessoas. Não caberia. Para este jogo, teremos dois telões do lado de fora e um em cada bar, além de uma área vip interna com mesas para quatro pessoas a €100 (com seis cervejas e salgadinhos) e cerca de 200 ingressos avulsos, sem mesa, a €25 (dois chopes e salgadinhos), para quem quiser ver o jogo mais tranquilo. Mas eu vou mesmo lá para fora, para a “geral” – explicou o carioca Leonardo Mesquita, diretor da Embaixada.

Produtor de TV e jornalista, Mesquita dá aulas de percussão em Lisboa e integra a Charanga Imperial, homenagem à lendária Charanga Rubro-Negra. Desde 2014 no país, ele começou a reunir os amigos para assistir aos jogos despretensiosamente. Acabou atraindo mais de 500 pessoas associadas e obtendo a chancela do clube

– Jesus ajudou muito a gente. Quando começamos, o time não estava bem e com ele começou a voar. E voamos juntos. Até portugueses querem participar e cantar a música do “mister” – disse.

Fla-Porto também tem lotação esgotada. (Imagem-Instagram)

O empresário carioca Renato Fernandes também conseguiu reunir mais de 500 pessoas na Embaixada Fla-Porto, cidade onde vive há 30 anos. Mesmo longe do Rio, conseguiu fazer dos filhos rubro-negros. Para a final, vendeu todos os 600 ingressos de uma boate em Matosinhos, nos arredores do Porto, de onde pretender sair em carreata se o Flamengo for campeão.

– Foi com muita pena que tivemos que recusar pedidos por medidas de segurança do local. Poderíamos ter 1,5 mil pessoas. Mas se formos ao Mundial, teremos que ter um armazém ou algo assim – prevê Fernandes.

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