Medidas extraordinárias não reduzem contaminação de idosos por coronavírus em Portugal

Os dados mais recentes da Direção-Geral de Saúde de Portugal parecem indicar que a estratégia de distanciamento social e as recomendações propagadas com base no estado de emergência não estão surtindo o necessário efeito na proteção do grupo de idosos, os mais vulneráveis ao coronavírus, segundo as primeiras pesquisas.

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Passageiros usam máscaras de proteção no aeroporto. (Foto-CWB)

Dos 2.362 casos de infecção oficialmente registrados no dia 24 de março, 729 correspondiam a pessoas com mais de 60 anos. Ou 30,8% do total. Na população como um todo, os portugueses acima dos 60 anos representavam em 2018, 28% da população. Ou seja, há mais infectados entre os idosos do que sua participação no total de portugueses.

Nos óbitos, a prevalência dos idosos é ainda maior: do total de 33 mortes, 30 foram de pessoas acima dos 60 anos: quatro homens entre os 60 e 69 anos, cinco entre os 70 e os 79 e 12 acima dos 80. Entre as mulheres, morreram 9 com mais de 80 anos.

O epidemiologista Manoel Carmos Gomes, tem dito à mídia portuguesa que é preciso atentar para tais números, pois indicam que a estratégia de cuidar dos idosos parece não estar funcionando. Ao jornalista Miguel de Souza Tavares, Gomes afirmou: “Estava a olhar para os meus gráficos e reparo que, há coisa de 15 dias, a percentagem de idosos nos casos doentes era inferior à percentagem de idosos na população geral, o que sugere que estávamos a conseguir proteger, de alguma maneira, os nossos idosos. Se a probabilidade de um idoso ser contagiado for igual à dos outros, eles aparecem com a mesma percentagem nos casos que existem na população.

Há 15 dias os nossos idosos representavam aproximadamente 14/15% dos casos. Repare que os idosos representam 28% da população, quase metade, e, paulatinamente, este valor tem vindo a aumentar. Os dados mais recentes mostram já que a percentagem de idosos nos doentes está ligeiramente acima dos casos. Quando olhamos para Itália e para Espanha, e vemos o que aconteceu, isto é extremamente alarmante. Nós temos de começar a levar isto muito a sério, nomeadamente para os idosos.”

O Imperial College de Londres calculou que a taxa de mortalidade é quase 10 vezes maior que a média para aqueles com mais de 80 anos e muito menor para aqueles com menos de 40 anos.
As informações disponíveis indicam que não é apenas a idade que determina o risco de infecções. A análise de mais de 44.000 casos da China mostra que as mortes foram pelo menos cinco vezes mais comuns entre os casos confirmados de diabetes, pressão alta ou problemas cardíacos ou respiratórios. São fatores que interagem entre si e dificultam a avaliação mais precisa do risco para cada tipo de pessoa em diferentes locais.

Mas o principal consultor médico do governo do Reino Unido, professor Chris Whitty, afirma que “a grande maioria dos idosos terá uma doença leve ou moderada” e que é um erro pensar que, entre os mais jovens, o coronavírus provoque uma gripezinha – alguns jovens acabaram por ser tratados em UTIs.

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