Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n
A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n
Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n
Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n
A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Enquanto isso, muitos dos brasileiros mais poderosos perceberam que as cortes amea\u00e7avam os benef\u00edcios conquistados \u2013 particularmente os comerciais, com a abertura dos portos \u2013 e passaram a apoiar a supress\u00e3o total da influ\u00eancia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Em 1822, havia chegado a hora. Mas uma hora muito diferente das outras. Dom Pedro, pr\u00edncipe regente desde o retorno de Dom Jo\u00e3o VI a Portugal, no ano anterior, desagradava as cortes portuguesas, que desejavam a volta do antigo pacto colonial.<\/p>\n\n\n\n Enquanto isso, muitos dos brasileiros mais poderosos perceberam que as cortes amea\u00e7avam os benef\u00edcios conquistados \u2013 particularmente os comerciais, com a abertura dos portos \u2013 e passaram a apoiar a supress\u00e3o total da influ\u00eancia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Em 1822, havia chegado a hora. Mas uma hora muito diferente das outras. Dom Pedro, pr\u00edncipe regente desde o retorno de Dom Jo\u00e3o VI a Portugal, no ano anterior, desagradava as cortes portuguesas, que desejavam a volta do antigo pacto colonial.<\/p>\n\n\n\n Enquanto isso, muitos dos brasileiros mais poderosos perceberam que as cortes amea\u00e7avam os benef\u00edcios conquistados \u2013 particularmente os comerciais, com a abertura dos portos \u2013 e passaram a apoiar a supress\u00e3o total da influ\u00eancia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Dom Jo\u00e3o VI, com receio de que a revolta se ampliasse para as outras prov\u00edncias, organizou uma forte repress\u00e3o contra os revoltosos. Os conflitos duraram 75 dias e terminaram com a derrota dos pernambucanos \u2013 aqueles que n\u00e3o morreram em combate foram presos e condenados \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n Em 1822, havia chegado a hora. Mas uma hora muito diferente das outras. Dom Pedro, pr\u00edncipe regente desde o retorno de Dom Jo\u00e3o VI a Portugal, no ano anterior, desagradava as cortes portuguesas, que desejavam a volta do antigo pacto colonial.<\/p>\n\n\n\n Enquanto isso, muitos dos brasileiros mais poderosos perceberam que as cortes amea\u00e7avam os benef\u00edcios conquistados \u2013 particularmente os comerciais, com a abertura dos portos \u2013 e passaram a apoiar a supress\u00e3o total da influ\u00eancia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Em 1817, Pernambuco entrou em insurrei\u00e7\u00e3o. Insatisfeitos com os impostos estabelecidos no Brasil a partir da chegada da corte portuguesa e com a grande quantidade de portugueses nos cargos p\u00fablicos, os cidad\u00e3os mais ricos e influentes da capitania de Pernambuco dominaram Recife e implantaram um governo republicano.<\/p>\n\n\n\n Dom Jo\u00e3o VI, com receio de que a revolta se ampliasse para as outras prov\u00edncias, organizou uma forte repress\u00e3o contra os revoltosos. Os conflitos duraram 75 dias e terminaram com a derrota dos pernambucanos \u2013 aqueles que n\u00e3o morreram em combate foram presos e condenados \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n Em 1822, havia chegado a hora. Mas uma hora muito diferente das outras. Dom Pedro, pr\u00edncipe regente desde o retorno de Dom Jo\u00e3o VI a Portugal, no ano anterior, desagradava as cortes portuguesas, que desejavam a volta do antigo pacto colonial.<\/p>\n\n\n\n Enquanto isso, muitos dos brasileiros mais poderosos perceberam que as cortes amea\u00e7avam os benef\u00edcios conquistados \u2013 particularmente os comerciais, com a abertura dos portos \u2013 e passaram a apoiar a supress\u00e3o total da influ\u00eancia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Antes que mais revoltas acontecessem, contudo, ocorreu algo ins\u00f3lito: o Brasil ganhou muito mais que a independ\u00eancia. Tornou-se a capital de Portugal. Com a fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, as ordens passaram a partir da col\u00f4nia para a metr\u00f3pole, num caso \u00fanico no mundo. Mas isso n\u00e3o satisfez os desejos de todos os brasileiros.<\/p>\n\n\n\n Em 1817, Pernambuco entrou em insurrei\u00e7\u00e3o. Insatisfeitos com os impostos estabelecidos no Brasil a partir da chegada da corte portuguesa e com a grande quantidade de portugueses nos cargos p\u00fablicos, os cidad\u00e3os mais ricos e influentes da capitania de Pernambuco dominaram Recife e implantaram um governo republicano.<\/p>\n\n\n\n Dom Jo\u00e3o VI, com receio de que a revolta se ampliasse para as outras prov\u00edncias, organizou uma forte repress\u00e3o contra os revoltosos. Os conflitos duraram 75 dias e terminaram com a derrota dos pernambucanos \u2013 aqueles que n\u00e3o morreram em combate foram presos e condenados \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n Em 1822, havia chegado a hora. Mas uma hora muito diferente das outras. Dom Pedro, pr\u00edncipe regente desde o retorno de Dom Jo\u00e3o VI a Portugal, no ano anterior, desagradava as cortes portuguesas, que desejavam a volta do antigo pacto colonial.<\/p>\n\n\n\n Enquanto isso, muitos dos brasileiros mais poderosos perceberam que as cortes amea\u00e7avam os benef\u00edcios conquistados \u2013 particularmente os comerciais, com a abertura dos portos \u2013 e passaram a apoiar a supress\u00e3o total da influ\u00eancia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n O fato, por\u00e9m, \u00e9 que Dom Pedro n\u00e3o foi o primeiro a tentar a independ\u00eancia. E, em todas as outras tentativas, o resultado foi, sim, sangrento. Primeiro vieram a Inconfid\u00eancia Mineira, em 1789, e a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, em 1798. Ambas n\u00e3o conseguiram superar a fase conspirat\u00f3ria, mas foram reprimidas e tiveram seus l\u00edderes executados.<\/p>\n\n\n\n Antes que mais revoltas acontecessem, contudo, ocorreu algo ins\u00f3lito: o Brasil ganhou muito mais que a independ\u00eancia. Tornou-se a capital de Portugal. Com a fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, as ordens passaram a partir da col\u00f4nia para a metr\u00f3pole, num caso \u00fanico no mundo. Mas isso n\u00e3o satisfez os desejos de todos os brasileiros.<\/p>\n\n\n\n Em 1817, Pernambuco entrou em insurrei\u00e7\u00e3o. Insatisfeitos com os impostos estabelecidos no Brasil a partir da chegada da corte portuguesa e com a grande quantidade de portugueses nos cargos p\u00fablicos, os cidad\u00e3os mais ricos e influentes da capitania de Pernambuco dominaram Recife e implantaram um governo republicano.<\/p>\n\n\n\n Dom Jo\u00e3o VI, com receio de que a revolta se ampliasse para as outras prov\u00edncias, organizou uma forte repress\u00e3o contra os revoltosos. Os conflitos duraram 75 dias e terminaram com a derrota dos pernambucanos \u2013 aqueles que n\u00e3o morreram em combate foram presos e condenados \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n Em 1822, havia chegado a hora. Mas uma hora muito diferente das outras. Dom Pedro, pr\u00edncipe regente desde o retorno de Dom Jo\u00e3o VI a Portugal, no ano anterior, desagradava as cortes portuguesas, que desejavam a volta do antigo pacto colonial.<\/p>\n\n\n\n Enquanto isso, muitos dos brasileiros mais poderosos perceberam que as cortes amea\u00e7avam os benef\u00edcios conquistados \u2013 particularmente os comerciais, com a abertura dos portos \u2013 e passaram a apoiar a supress\u00e3o total da influ\u00eancia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Compare com o resto do continente: nos Estados Unidos, a Guerra de Independ\u00eancia durou mais de oito anos (1775-1783), causou mais de 150 mil mortes, apenas entre militares. Na Am\u00e9rica Espanhola, a partir de 1808, as campanhas de Sim\u00f3n Bol\u00edvar e Jos\u00e9 de San Mart\u00edn contaram com forte resist\u00eancia da Espanha \u2013 e terminaram com a fragmenta\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio em pa\u00edses que entrariam em guerra entre si.<\/p>\n\n\n\n O fato, por\u00e9m, \u00e9 que Dom Pedro n\u00e3o foi o primeiro a tentar a independ\u00eancia. E, em todas as outras tentativas, o resultado foi, sim, sangrento. Primeiro vieram a Inconfid\u00eancia Mineira, em 1789, e a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, em 1798. Ambas n\u00e3o conseguiram superar a fase conspirat\u00f3ria, mas foram reprimidas e tiveram seus l\u00edderes executados.<\/p>\n\n\n\n Antes que mais revoltas acontecessem, contudo, ocorreu algo ins\u00f3lito: o Brasil ganhou muito mais que a independ\u00eancia. Tornou-se a capital de Portugal. Com a fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, as ordens passaram a partir da col\u00f4nia para a metr\u00f3pole, num caso \u00fanico no mundo. Mas isso n\u00e3o satisfez os desejos de todos os brasileiros.<\/p>\n\n\n\n Em 1817, Pernambuco entrou em insurrei\u00e7\u00e3o. Insatisfeitos com os impostos estabelecidos no Brasil a partir da chegada da corte portuguesa e com a grande quantidade de portugueses nos cargos p\u00fablicos, os cidad\u00e3os mais ricos e influentes da capitania de Pernambuco dominaram Recife e implantaram um governo republicano.<\/p>\n\n\n\n Dom Jo\u00e3o VI, com receio de que a revolta se ampliasse para as outras prov\u00edncias, organizou uma forte repress\u00e3o contra os revoltosos. Os conflitos duraram 75 dias e terminaram com a derrota dos pernambucanos \u2013 aqueles que n\u00e3o morreram em combate foram presos e condenados \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n Em 1822, havia chegado a hora. Mas uma hora muito diferente das outras. Dom Pedro, pr\u00edncipe regente desde o retorno de Dom Jo\u00e3o VI a Portugal, no ano anterior, desagradava as cortes portuguesas, que desejavam a volta do antigo pacto colonial.<\/p>\n\n\n\n Enquanto isso, muitos dos brasileiros mais poderosos perceberam que as cortes amea\u00e7avam os benef\u00edcios conquistados \u2013 particularmente os comerciais, com a abertura dos portos \u2013 e passaram a apoiar a supress\u00e3o total da influ\u00eancia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n Compare com o resto do continente: nos Estados Unidos, a Guerra de Independ\u00eancia durou mais de oito anos (1775-1783), causou mais de 150 mil mortes, apenas entre militares. Na Am\u00e9rica Espanhola, a partir de 1808, as campanhas de Sim\u00f3n Bol\u00edvar e Jos\u00e9 de San Mart\u00edn contaram com forte resist\u00eancia da Espanha \u2013 e terminaram com a fragmenta\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio em pa\u00edses que entrariam em guerra entre si.<\/p>\n\n\n\n O fato, por\u00e9m, \u00e9 que Dom Pedro n\u00e3o foi o primeiro a tentar a independ\u00eancia. E, em todas as outras tentativas, o resultado foi, sim, sangrento. Primeiro vieram a Inconfid\u00eancia Mineira, em 1789, e a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, em 1798. Ambas n\u00e3o conseguiram superar a fase conspirat\u00f3ria, mas foram reprimidas e tiveram seus l\u00edderes executados.<\/p>\n\n\n\n Antes que mais revoltas acontecessem, contudo, ocorreu algo ins\u00f3lito: o Brasil ganhou muito mais que a independ\u00eancia. Tornou-se a capital de Portugal. Com a fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, as ordens passaram a partir da col\u00f4nia para a metr\u00f3pole, num caso \u00fanico no mundo. Mas isso n\u00e3o satisfez os desejos de todos os brasileiros.<\/p>\n\n\n\n Em 1817, Pernambuco entrou em insurrei\u00e7\u00e3o. Insatisfeitos com os impostos estabelecidos no Brasil a partir da chegada da corte portuguesa e com a grande quantidade de portugueses nos cargos p\u00fablicos, os cidad\u00e3os mais ricos e influentes da capitania de Pernambuco dominaram Recife e implantaram um governo republicano.<\/p>\n\n\n\n Dom Jo\u00e3o VI, com receio de que a revolta se ampliasse para as outras prov\u00edncias, organizou uma forte repress\u00e3o contra os revoltosos. Os conflitos duraram 75 dias e terminaram com a derrota dos pernambucanos \u2013 aqueles que n\u00e3o morreram em combate foram presos e condenados \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n Em 1822, havia chegado a hora. Mas uma hora muito diferente das outras. Dom Pedro, pr\u00edncipe regente desde o retorno de Dom Jo\u00e3o VI a Portugal, no ano anterior, desagradava as cortes portuguesas, que desejavam a volta do antigo pacto colonial.<\/p>\n\n\n\n Enquanto isso, muitos dos brasileiros mais poderosos perceberam que as cortes amea\u00e7avam os benef\u00edcios conquistados \u2013 particularmente os comerciais, com a abertura dos portos \u2013 e passaram a apoiar a supress\u00e3o total da influ\u00eancia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: A diferen\u00e7a entre t\u00edtulos de filmes no Brasil e em Portugal<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n Compare com o resto do continente: nos Estados Unidos, a Guerra de Independ\u00eancia durou mais de oito anos (1775-1783), causou mais de 150 mil mortes, apenas entre militares. Na Am\u00e9rica Espanhola, a partir de 1808, as campanhas de Sim\u00f3n Bol\u00edvar e Jos\u00e9 de San Mart\u00edn contaram com forte resist\u00eancia da Espanha \u2013 e terminaram com a fragmenta\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio em pa\u00edses que entrariam em guerra entre si.<\/p>\n\n\n\n O fato, por\u00e9m, \u00e9 que Dom Pedro n\u00e3o foi o primeiro a tentar a independ\u00eancia. E, em todas as outras tentativas, o resultado foi, sim, sangrento. Primeiro vieram a Inconfid\u00eancia Mineira, em 1789, e a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, em 1798. Ambas n\u00e3o conseguiram superar a fase conspirat\u00f3ria, mas foram reprimidas e tiveram seus l\u00edderes executados.<\/p>\n\n\n\n Antes que mais revoltas acontecessem, contudo, ocorreu algo ins\u00f3lito: o Brasil ganhou muito mais que a independ\u00eancia. Tornou-se a capital de Portugal. Com a fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, as ordens passaram a partir da col\u00f4nia para a metr\u00f3pole, num caso \u00fanico no mundo. Mas isso n\u00e3o satisfez os desejos de todos os brasileiros.<\/p>\n\n\n\n Em 1817, Pernambuco entrou em insurrei\u00e7\u00e3o. Insatisfeitos com os impostos estabelecidos no Brasil a partir da chegada da corte portuguesa e com a grande quantidade de portugueses nos cargos p\u00fablicos, os cidad\u00e3os mais ricos e influentes da capitania de Pernambuco dominaram Recife e implantaram um governo republicano.<\/p>\n\n\n\n Dom Jo\u00e3o VI, com receio de que a revolta se ampliasse para as outras prov\u00edncias, organizou uma forte repress\u00e3o contra os revoltosos. Os conflitos duraram 75 dias e terminaram com a derrota dos pernambucanos \u2013 aqueles que n\u00e3o morreram em combate foram presos e condenados \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n Em 1822, havia chegado a hora. Mas uma hora muito diferente das outras. Dom Pedro, pr\u00edncipe regente desde o retorno de Dom Jo\u00e3o VI a Portugal, no ano anterior, desagradava as cortes portuguesas, que desejavam a volta do antigo pacto colonial.<\/p>\n\n\n\n Enquanto isso, muitos dos brasileiros mais poderosos perceberam que as cortes amea\u00e7avam os benef\u00edcios conquistados \u2013 particularmente os comerciais, com a abertura dos portos \u2013 e passaram a apoiar a supress\u00e3o total da influ\u00eancia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal tem dificuldade de enxergar a viol\u00eancia de seu passado colonial, explica jornalista portuguesa<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: A diferen\u00e7a entre t\u00edtulos de filmes no Brasil e em Portugal<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n Compare com o resto do continente: nos Estados Unidos, a Guerra de Independ\u00eancia durou mais de oito anos (1775-1783), causou mais de 150 mil mortes, apenas entre militares. Na Am\u00e9rica Espanhola, a partir de 1808, as campanhas de Sim\u00f3n Bol\u00edvar e Jos\u00e9 de San Mart\u00edn contaram com forte resist\u00eancia da Espanha \u2013 e terminaram com a fragmenta\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio em pa\u00edses que entrariam em guerra entre si.<\/p>\n\n\n\n O fato, por\u00e9m, \u00e9 que Dom Pedro n\u00e3o foi o primeiro a tentar a independ\u00eancia. E, em todas as outras tentativas, o resultado foi, sim, sangrento. Primeiro vieram a Inconfid\u00eancia Mineira, em 1789, e a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, em 1798. Ambas n\u00e3o conseguiram superar a fase conspirat\u00f3ria, mas foram reprimidas e tiveram seus l\u00edderes executados.<\/p>\n\n\n\n Antes que mais revoltas acontecessem, contudo, ocorreu algo ins\u00f3lito: o Brasil ganhou muito mais que a independ\u00eancia. Tornou-se a capital de Portugal. Com a fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, as ordens passaram a partir da col\u00f4nia para a metr\u00f3pole, num caso \u00fanico no mundo. Mas isso n\u00e3o satisfez os desejos de todos os brasileiros.<\/p>\n\n\n\n Em 1817, Pernambuco entrou em insurrei\u00e7\u00e3o. Insatisfeitos com os impostos estabelecidos no Brasil a partir da chegada da corte portuguesa e com a grande quantidade de portugueses nos cargos p\u00fablicos, os cidad\u00e3os mais ricos e influentes da capitania de Pernambuco dominaram Recife e implantaram um governo republicano.<\/p>\n\n\n\n Dom Jo\u00e3o VI, com receio de que a revolta se ampliasse para as outras prov\u00edncias, organizou uma forte repress\u00e3o contra os revoltosos. Os conflitos duraram 75 dias e terminaram com a derrota dos pernambucanos \u2013 aqueles que n\u00e3o morreram em combate foram presos e condenados \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n Em 1822, havia chegado a hora. Mas uma hora muito diferente das outras. Dom Pedro, pr\u00edncipe regente desde o retorno de Dom Jo\u00e3o VI a Portugal, no ano anterior, desagradava as cortes portuguesas, que desejavam a volta do antigo pacto colonial.<\/p>\n\n\n\n Enquanto isso, muitos dos brasileiros mais poderosos perceberam que as cortes amea\u00e7avam os benef\u00edcios conquistados \u2013 particularmente os comerciais, com a abertura dos portos \u2013 e passaram a apoiar a supress\u00e3o total da influ\u00eancia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Quando os portugueses assombravam o mundo com suas caravelas, canh\u00f5es e ferocidade<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal tem dificuldade de enxergar a viol\u00eancia de seu passado colonial, explica jornalista portuguesa<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: A diferen\u00e7a entre t\u00edtulos de filmes no Brasil e em Portugal<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n Compare com o resto do continente: nos Estados Unidos, a Guerra de Independ\u00eancia durou mais de oito anos (1775-1783), causou mais de 150 mil mortes, apenas entre militares. Na Am\u00e9rica Espanhola, a partir de 1808, as campanhas de Sim\u00f3n Bol\u00edvar e Jos\u00e9 de San Mart\u00edn contaram com forte resist\u00eancia da Espanha \u2013 e terminaram com a fragmenta\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio em pa\u00edses que entrariam em guerra entre si.<\/p>\n\n\n\n O fato, por\u00e9m, \u00e9 que Dom Pedro n\u00e3o foi o primeiro a tentar a independ\u00eancia. E, em todas as outras tentativas, o resultado foi, sim, sangrento. Primeiro vieram a Inconfid\u00eancia Mineira, em 1789, e a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, em 1798. Ambas n\u00e3o conseguiram superar a fase conspirat\u00f3ria, mas foram reprimidas e tiveram seus l\u00edderes executados.<\/p>\n\n\n\n Antes que mais revoltas acontecessem, contudo, ocorreu algo ins\u00f3lito: o Brasil ganhou muito mais que a independ\u00eancia. Tornou-se a capital de Portugal. Com a fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, as ordens passaram a partir da col\u00f4nia para a metr\u00f3pole, num caso \u00fanico no mundo. Mas isso n\u00e3o satisfez os desejos de todos os brasileiros.<\/p>\n\n\n\n Em 1817, Pernambuco entrou em insurrei\u00e7\u00e3o. Insatisfeitos com os impostos estabelecidos no Brasil a partir da chegada da corte portuguesa e com a grande quantidade de portugueses nos cargos p\u00fablicos, os cidad\u00e3os mais ricos e influentes da capitania de Pernambuco dominaram Recife e implantaram um governo republicano.<\/p>\n\n\n\n Dom Jo\u00e3o VI, com receio de que a revolta se ampliasse para as outras prov\u00edncias, organizou uma forte repress\u00e3o contra os revoltosos. Os conflitos duraram 75 dias e terminaram com a derrota dos pernambucanos \u2013 aqueles que n\u00e3o morreram em combate foram presos e condenados \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n Em 1822, havia chegado a hora. Mas uma hora muito diferente das outras. Dom Pedro, pr\u00edncipe regente desde o retorno de Dom Jo\u00e3o VI a Portugal, no ano anterior, desagradava as cortes portuguesas, que desejavam a volta do antigo pacto colonial.<\/p>\n\n\n\n Enquanto isso, muitos dos brasileiros mais poderosos perceberam que as cortes amea\u00e7avam os benef\u00edcios conquistados \u2013 particularmente os comerciais, com a abertura dos portos \u2013 e passaram a apoiar a supress\u00e3o total da influ\u00eancia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Quando os portugueses assombravam o mundo com suas caravelas, canh\u00f5es e ferocidade<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal tem dificuldade de enxergar a viol\u00eancia de seu passado colonial, explica jornalista portuguesa<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: A diferen\u00e7a entre t\u00edtulos de filmes no Brasil e em Portugal<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n Compare com o resto do continente: nos Estados Unidos, a Guerra de Independ\u00eancia durou mais de oito anos (1775-1783), causou mais de 150 mil mortes, apenas entre militares. Na Am\u00e9rica Espanhola, a partir de 1808, as campanhas de Sim\u00f3n Bol\u00edvar e Jos\u00e9 de San Mart\u00edn contaram com forte resist\u00eancia da Espanha \u2013 e terminaram com a fragmenta\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio em pa\u00edses que entrariam em guerra entre si.<\/p>\n\n\n\n O fato, por\u00e9m, \u00e9 que Dom Pedro n\u00e3o foi o primeiro a tentar a independ\u00eancia. E, em todas as outras tentativas, o resultado foi, sim, sangrento. Primeiro vieram a Inconfid\u00eancia Mineira, em 1789, e a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, em 1798. Ambas n\u00e3o conseguiram superar a fase conspirat\u00f3ria, mas foram reprimidas e tiveram seus l\u00edderes executados.<\/p>\n\n\n\n Antes que mais revoltas acontecessem, contudo, ocorreu algo ins\u00f3lito: o Brasil ganhou muito mais que a independ\u00eancia. Tornou-se a capital de Portugal. Com a fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, as ordens passaram a partir da col\u00f4nia para a metr\u00f3pole, num caso \u00fanico no mundo. Mas isso n\u00e3o satisfez os desejos de todos os brasileiros.<\/p>\n\n\n\n Em 1817, Pernambuco entrou em insurrei\u00e7\u00e3o. Insatisfeitos com os impostos estabelecidos no Brasil a partir da chegada da corte portuguesa e com a grande quantidade de portugueses nos cargos p\u00fablicos, os cidad\u00e3os mais ricos e influentes da capitania de Pernambuco dominaram Recife e implantaram um governo republicano.<\/p>\n\n\n\n Dom Jo\u00e3o VI, com receio de que a revolta se ampliasse para as outras prov\u00edncias, organizou uma forte repress\u00e3o contra os revoltosos. Os conflitos duraram 75 dias e terminaram com a derrota dos pernambucanos \u2013 aqueles que n\u00e3o morreram em combate foram presos e condenados \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n Em 1822, havia chegado a hora. Mas uma hora muito diferente das outras. Dom Pedro, pr\u00edncipe regente desde o retorno de Dom Jo\u00e3o VI a Portugal, no ano anterior, desagradava as cortes portuguesas, que desejavam a volta do antigo pacto colonial.<\/p>\n\n\n\n Enquanto isso, muitos dos brasileiros mais poderosos perceberam que as cortes amea\u00e7avam os benef\u00edcios conquistados \u2013 particularmente os comerciais, com a abertura dos portos \u2013 e passaram a apoiar a supress\u00e3o total da influ\u00eancia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n Pressionado, Dom Pedro rejeitou a ordem de voltar a Portugal, em janeiro, e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro. Mas a\u00ed havia um empecilho: v\u00e1rias prov\u00edncias continuavam a ser comandadas por governantes portugueses, que n\u00e3o aceitaram a separa\u00e7\u00e3o e expressaram sua fidelidade \u00e0 Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n Ao final das contas, o Brasil n\u00e3o teve Guerra de Independ\u00eancia, mas guerras. Entre 1822 e 1825, diversos conflitos ocorreram em todo o territ\u00f3rio nacional, principalmente nas prov\u00edncias do Gr\u00e3o-Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Cisplatina e Piau\u00ed, onde havia maior concentra\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Esse forte movimento de resist\u00eancia era organizado por comerciantes ligados a Portugal e militares portugueses que viviam no Brasil.<\/p>\n\n\n\n Dom Pedro I precisou formar mil\u00edcias e contratar militares ingleses e franceses, como Lord Cochrane e Pierre Labatut, para combater nas Guerras de Independ\u00eancia. Tamb\u00e9m lutaram como volunt\u00e1rios homens livres, escravos e negros libertos.<\/p>\n\n\n\n Uma das maiores guerras de independ\u00eancia, o conflito na Bahia teve in\u00edcio antes mesmo do 7 de setembro. A luta armada no Rec\u00f4ncavo Baiano havia come\u00e7ado em fevereiro de 1822, quando os baianos descobriram que seriam governados por um general portugu\u00eas, Ign\u00e1cio Luiz Madeira de Melo. Em 8 de novembro de 1822 aconteceu a maior batalha da independ\u00eancia, a de Piraj\u00e1, que movimentou mais de 4 mil homens.<\/p>\n\n\n\n Os conflitos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses s\u00f3 terminaram em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras conseguiram conter os lusitanos \u2013 a separa\u00e7\u00e3o de Portugal s\u00f3 foi reconhecida nessa data, que permanece como o dia oficial da independ\u00eancia para os baianos.<\/p>\n\n\n\n Na prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a chegada do governante portugu\u00eas Jos\u00e9 Maria de Moura, em abril de 1823, provocou revoltas que foram reprimidas com viol\u00eancia pelas tropas portuguesas. Brasileiros independentistas eram perseguidos e revidavam com mais viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Roberto Arruda Machado, doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, comenta: \u201cO processo hist\u00f3rico da incorpora\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 ao Imp\u00e9rio do Brasil logo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela intensidade dos conflitos, inclusive armados, que marcaram esse per\u00edodo de forma t\u00e3o violenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n Conflitos menores foram sufocados pelo governo brasileiro nas prov\u00edncias do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1 e Cisplatina, e o Brasil, enfim, conquistou sua unidade territorial, reconhecida por Portugal em 1825.<\/p>\n\n\n\n A independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica no Sudeste, o centro do poder \u2013 e tamb\u00e9m onde se registrava a hist\u00f3ria, de forma que essa foi a imagem a ficar no pensamento popular. No total, os combates nesse processo causaram mais de 3 mil mortes. Para Arruda Machado, as Guerras de Independ\u00eancia no Brasil mostram que devemos repensar \u201ca tese de que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro se resolveu atrav\u00e9s de um simples e pouco traum\u00e1tico acordo\u201d.<\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Quando os portugueses assombravam o mundo com suas caravelas, canh\u00f5es e ferocidade<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n LEIA TAMB\u00c9M: Portugal tem dificuldade de enxergar a viol\u00eancia de seu passado colonial, explica jornalista portuguesa<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\nIndepend\u00eancia e morte<\/h4>\n\n\n\n
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O senso comum diz que a independ\u00eancia do Brasil aconteceu de forma pac\u00edfica, sem o derramamento de uma gota de sangue sequer. O quadro A Proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia, de Fran\u00e7ois-Ren\u00e9 Moreau (abaixo), retrata o imagin\u00e1rio dos brasileiros: a separa\u00e7\u00e3o de Portugal teria sido conquistada em um gesto minimalista de Dom Pedro I..<\/h4>\n\n\n\n
Independ\u00eancia e morte<\/h4>\n\n\n\n
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O senso comum diz que a independ\u00eancia do Brasil aconteceu de forma pac\u00edfica, sem o derramamento de uma gota de sangue sequer. O quadro A Proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia, de Fran\u00e7ois-Ren\u00e9 Moreau (abaixo), retrata o imagin\u00e1rio dos brasileiros: a separa\u00e7\u00e3o de Portugal teria sido conquistada em um gesto minimalista de Dom Pedro I..<\/h4>\n\n\n\n