Nos 45 anos da Revolução dos Cravos, Portugal abre Museu da Resistência


Por RALF FURTADO.

Antiga prisão, forte se transformará no primeiro espaço nacional dedicado à preservação da memória antifascista.

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Fortaleza de Peniche. (Imagem-Reprodução)

De costas para o mar. Na Fortaleza de Peniche, construída no século XVIII e usada como prisão pela ditadura, as celas eram voltadas para o pátio interno: mais de 2.500 presos políticos passaram pelo forte que agora se transforma em museu.

A fortaleza, classificada como Monumento Nacional desde 1938, foi uma das prisões do Estado Novo de onde muitos conseguiram fugir, entre outros, o secretário-geral do PCP Álvaro Cunhal, em 1960, protagonizando um dos episódios mais marcantes do combate a ditadura (1926-1974).

A memória da Revolução dos Cravos toma Portugal este mês com centenas de atos em todo o país para comemorar o 45º aniversário da “revolta dos capitães” que a 25 de abril de 1974 acabou com a ditadura portuguesa.

Lisboa, centro da revolução, preparou uma agenda cultural centrada na defesa dos direitos humanos em homenagem aos capitães de abril que inclui conversas, concertos e exposições.

A revolta, na madrugada de 25 de abril de 1974, acabou com 48 anos de ditadura salazarista e permitiu a transformação de Portugal num Estado democrático.

Aos discursos oficiais e desfiles programados para o dia de 25 de abril, festa nacional no país, junta-se um amplo programa de atividades desenvolvidas por instituições públicas, museus, teatros e bibliotecas, entre outros.

A inauguração de um memorial dedicado aos presos e perseguidos políticos na estação de metro da Baixa/Chiado, prevista para o dia 25, responde a uma iniciativa cidadã para dar a conhecer os nomes e rostos das vítimas da ditadura.

O cinema São Jorge, na emblemática avenida da Liberdade, vai abrir as portas da sua sala menor, com apenas 21 lugares, utilizada pela censura durante a ditadura para rever os filmes antes da sua exibição.

A partir do dia 25, e até 1 de maio, os edifícios que rodeiam a popular praça do Comércio, no coração da velha Lisboa, servirão como gigantescos ecrãs para a projeção do espetáculo “Memórias de Abril”.

A Associação 25 de abril, que agrupa os militares que participaram na revolta, tem a sua própria agenda de atos, que inclui uma jornada popular que cada ano reúne centenas de pessoas nos arredores de Lisboa.

Em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, a Associação iniciou a rota “Lugares de Abril”, que marca com placas os pontos estratégicos onde se desenvolveram ações militares durante a madrugada de 25 de abril, como o Terreiro do Paço ou o Rádio Clube Português.

A poucos metros do Parlamento, a combinação “Palavril”, resultado de Palavra e Abril, dá nome a um tanque exposto ao público em homenagem aos capitães numa montagem do artista António Colaço.

A ideia, explicou Colaço na sua recente apresentação, é lembrar que um veículo militar não é só para a guerra, mas, no caso da Revolução de Abril, foi “um instrumento de paz que devolveu aos portugueses a liberdade que não tinham”.

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